



Alicia Gallotti

Kama Sutra XXX
as prticas sexuais mais inconfessveis








traduo
Mrcia Frazo













temas de hoje




Copyright  Alicia Gallotti, 2006
Ttulo original: Kama-sutra XXX  Goza con las prcticas sexuales ms inconfesables

Preparao: Ronaldo Periassu 
Reviso: Jos Muniz Jr. 
Diagramao: Renata Milan 
Capa: Gustavo Abumrad



Dados Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP)
(Cmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
 
Gallotti, Alicia
Kama sutra XXX : as prticas sexuais mais inconfessveis / 
Alicia Gallotti ; traduo Mrcia Frazo.  So Paulo : Editora 
Planeta do Brasil, 2007.

Ttulo original: Kama sutra XXX : goza con las prcticas 
sexuales ms inconfesables 
ISBN 978-85-7665-316-5

1. Amor 2. Arte ertica  ndia 3. Intercurso sexual 4. 
Literatura ertica  India 5. Sexo I. Ttulo.
07-5857                                                                     CDD-613.96
 

ndices para catlogo sistemtico: 
1. Kama Sutra : Tcnicas sexuais   613.96




2007
Todos os direitos desta edio reservados 
Editora Planeta do Brasil Ltda.
Avenida Francisco Matarazzo, 1500  3 andar  conj. 32B
Edifcio New York
05001-100  So Paulo-SP
vendas@editoraplaneta.com.br

Contracapa:

Original e atrevido, provocativo e direto, Kama Sutra XXX desvenda o 
lado oculto do sexo e da mente. Voc descobrir jogos e condutas que o levaro 
a se excitar s de olhar, a unir dor e prazer, a submeter-se e dominar, a se 
disfarar para desejar e a querer mais de dois na cama... Essas so algumas das 
variantes sexuais at agora inconfessveis, e que este livro revela com detalhes, 
histrias reais e ilustraes explcitas.


 
http://groups.google.com.br/group/digitalsource



ndice

INTRODUO
PSICOLOGIA DO SEXO
Os filhos da represso
Sempre h um lado positivo
A descoberta nasce da comunicao
DESFRUTAR, OLHANDO
O despertar sexual entra pelos olhos
Olhar e ser olhado, eis a questo
O erotismo, mais fantasia que beleza
O teso de olhar tambm se provoca
Os espelhos devolvem o olhar
MAIS DE DOIS
Menu  la carte para o sexo mltiplo
A intimidade prazerosa com desconhecidos
Dois mais um  sempre igual a trs
O excitante encanto da troca
Jogos de adultos sem culpas e sem preconceitos
DOCE PRISO
Da crueldade oriental  sofisticao ertica
Amarraduras para gozar de maneira suave ou intensa
O jogo  estar atado e bem atado
O limite do prazer  a segurana
GOZAR, MOSTRANDO-SE
Sobre ritos, oferendas e outros jogos mais espontneos
Primeiro se gostar, depois se mostrar
Com roupa ou sem roupa, a questo  exibir-se
Os cenrios para mostrar-se so insondveis
DOR E PRAZER
A adrenalina e as tcnicas orientais
Sade, o precursor das palmadas
Diferentes aoites e mordidas

JOGO DE PAPIS
O estmulo se acha na pele do personagem
Os amantes preferem disfarces com alma ertica
Diga-me como te vestes e te direi o que desejas
Fantasias, esses filmes da imaginao
Um caminho de sensaes encontradas
Os desejos ocultados se transformam em argumentos
SEXO S CEGAS
O temor  a semente do prazer
Fronteiras e liberdades para gozar nas sombras
Sensaes que transportam para o desconhecido
Os segredos sensuais da penumbra
QUEM MANDA  O PRAZER
Ordens e subjugao com limites
Para os que mandam, para os que obedecem
Amantes de domnio pblico
OBJETOS DO DESEJO
Uma longa via at o desejo
Os aparatos que fazem gozar
Peitos, bundas e outras fixaes
O discreto encanto dos ps
SEXO ANAL
Contra os medos, delicadeza e informao
A chave: limpo por fora e limpo por dentro
A delicada questo da penetrao



Introduo



O
 sexo reprodutivo, monogmico e controlado, onde o homem  aquele que 
procura e a mulher a que recebe,  um modelo imposto por uma cultura ranosa 
e conservadora cuja influncia nos persegue. Todas as prticas que se afastam do 
coito so estigmatizadas. So perverses pecaminosas malvistas pelo contexto. 
A mensagem  clara: s vale o que  aceito socialmente. Os outros jogos sexuais 
ocultam-se atrs da cortina sombria do inconfessvel: no s existe o temor de 
realiz-los como tambm de falar a respeito.
So esses os resultados de uma sexualidade amordaada pelos tabus 
sociais, onde no est prevista a busca do prazer pelo prazer; onde ningum 
pode se perguntar o que realmente deseja e por que no pode faz-lo; onde o 
medo de ser julgado pelos outros funciona como uma inibio paralisante. Em 
suma, uma ideologia sexual castradora em que prevalece a idia de culpa como 
freio do desejo.
O sexo se nutre da busca de sensaes prazerosas em liberdade. Assim, 
todas as prticas apresentadas neste livro se realizam por meio de uma relao 
harmnica, respeitosa e sem obsesses, e no so mais que formas ldicas para 
desfrutar a sexualidade. Existe aquele que gosta de olhar e o que gosta de se 
mostrar; h os que se encantam em fazer o jogo de submeter o outro e os que 
gozam quando so reduzidos  submisso; muitos fazem do nus o centro do 
prazer e outros sentem crescer a paixo adorando um objeto; h ainda os que 
sublimam o gozo no sexo grupal e os que intensificam o desejo interpretando 
papis distintos de sua personalidade. So frmulas para buscar a excitao que 
d ensejo ao gozo.
Seja como for, essas prticas sexuais no so novas nem foram 
descobertas recentemente: o Kama Sutra original j fazia meno a elas, e 
muitas pessoas que colaboraram descrevendo suas preferncias sexuais 
relataram muitas das prticas compendiadas neste livro. Trata-se, ento, de 
resgat-las do mundo opaco do inconfessvel, trazendo-lhes  luz e dando-lhes 
legitimidade; acreditar com firmeza que se trata de uma rica variedade de opes 
para desfrutar que no merecem ficar nos rinces da imaginao.
No por acaso, nessas pginas no se fala de perverses nem de desvios, 
ou de prticas qualificadas como voyeurismo, exibicionismo ou com outros 
rtulos que indicam conflitos de conduta e possuem uma carga negativa. Por 
isso, com uma piscadela de cumplicidade ao leitor, preferimos cham-las de 
prticas inconfessveis. Afinal, a inteno  que todos possam continuar 
incorporando os seus papis sexuais apenas como um jogo para estimular a 
libido sem limites.
Quero agradecer afetuosamente a colaborao do psiclogo Rafael Ruiz, 
pois sua orientao e suas reflexes precisas tornaram este livro possvel.



Psicologia do sexo


T
rs instintos bsicos dirigem a conduta das pessoas: o de conservao, que ajuda 
a manter a vida; o social, que facilita o relacionamento com outros seres, e o 
sexual, que assegura a preservao da espcie. Os dois primeiros so aceitos 
com unanimidade por todos os Grupos sociais como necessidades vitais. Sobre o 
terceiro pairam dvidas. E dvidas que geram medo. E esses medos trazem 
represso. Em sntese,  esse ento o fio condutor da influncia social sobre a 
vida sexual das pessoas.
So enormes as diferenas de percepo da sexualidade entre os muitos 
cls, tribos, sociedades e naes que hoje constituem o planeta. Contudo, salvo 
poucos grupos que vivem quase totalmente isolados nas selvas amaznicas ou 
de Papua Nova Guin, o comportamento sexual humano encontra-se sob os 
desgnios dogmticos da moral religiosa ou sofre sua influncia. Mais alm do 
instinto natural transmitido geneticamente, a influncia do contexto acaba 
modificando, desviando essas normas naturais a fim de reprimi-las. E  a moral 
que infunde regras sustentadas pelo medo, pelo conservadorismo e pelos 
castigos; ela penetra na mente e desenvolve dezenas de barreiras, desde o incio 
da vida at a maturidade.


Os filhos da represso

Desde o nascimento os valores sexuais so inculcados com mensagens 
sutis na mente das crianas. Em geral, esse tipo de informao  negativo: no 
toque a em voc; vire pra l e no olhe, no diga isso... Nessa primeira fase de 
formao da personalidade, o sexo aparece como um tema opaco, como se fosse 
um buraco negro que exerce grande atrao mas pode ser visto. Os adultos falam 
com sigilo e com meias palavras, achando que a criana no entende. E se a 
criana pergunta alguma coisa, os adultos s fazem aumentar a fbula do 
mistrio: replicam com um balbucio incoerente, transferem a resposta para 
quando ela for maior ou repreendem com severidade "tamanho atrevimento", 
como se no fosse bom falar disso. Essa variedade de castraes vai desde a 
mentira ou a evasiva at o castigo. Nesse clima de obscurantismo, a sexualidade 
comea a flertar com o proibido. E o proibido se transforma no desejado, ainda 
mais se  impulsionado por um instinto bsico, um instinto natural que, na 
puberdade, comea a se articular com respostas fsicas notrias. Pleno de 
energia sexual e sem saber o que fazer com ela, o adolescente termina enchendo 
a mente de contradies. Assim, o sexo proibido e misterioso se v numa luta 
aberta com a fora natural do desejo transbordante. O adolescente assume essa 
cachoeira de sensaes com dissimulao e culpa porque pensa que o seu apetite 
sexual  inadequado: a contundente educao repressiva e as mensagens que lhe 
so transmitidas pelo ambiente repetem seguidamente que ele no deve realizar 
aquilo que sente, e que, se o fizer, no deve falar. A represso tem, ento, a 
hipocrisia como ltima aliada. Com esses valores constri-se uma sexualidade 
incompleta, e isso provoca uma satisfao irregular e escassa. Com uma viso 
to estreita da sexualidade,  preciso superar inmeros obstculos e se 
desprender dos princpios das doutrinas repressoras para poder evoluir. E logo, 
vencer o medo da liberdade de escolha e permitir a si mesmo dar e receber 
prazer sem levar em conta as inibies.

"O proibido se transforma no desejado, ainda mais se  impulsionado 
por um instinto bsico".

O lado negativo so as foras repressivas do ambiente que contribuem 
para formar a personalidade. Mas a mente da criana e do jovem, que mais tarde 
ser um adulto sexualmente maduro, tambm passa por experincias e presses 
que marcam sua vida sexual futura e lhe permitem descobrir as sensaes 
gozosas, as diferentes intensidades do prazer. Assim, ele comea a orientar seus 
gostos e suas preferncias sexuais. Quanto maior  a liberdade de eleio e de 
experimentao, maiores so as possibilidades de modelar uma sexualidade livre 
de preconceitos. Viver a sexualidade de maneira sadia a partir dessas premissas 
implica em se permitir trocar e variar de jogos erticos, sem que isso resulte 
sempre em uma prova traumtica que obrigue a um processo interior para 
superar essa barreira de conteno.  algo mais espontneo e livre. Em algumas 
fases, o que mais estimula  olhar; em outras, o desejo  se deixar levar pelas 
sensaes da submisso; em outras, ao contrrio, o que mais apetece  mostrar o 
corpo desnudo, exibir-se sem pudor, ou ver filmes erticos para atingir o limite 
da excitao. Tudo depende, ento, da situao e do estado de nimo.
As prticas explicadas neste livro so cotidianas e muito mais prximas 
do que opresso tenta fazer parecer. Mesmo na intimidade mais profunda, 
aquela que no se confessa e da qual s vezes nem se tem conscincia, porque s 
 sentida, todos j experimentamos satisfao em situaes que consideramos 
marginais: olhar um corpo nu atravs de uma janela indiscreta, mostrar o prprio 
corpo na praia e sentir-se desejada, querer ser a protagonista daquele filme em 
que a mulher, atada por ps e mos, desfruta do gelo que molha seus lbios, ou 
desejar ter o controle da situao para que o amante faa tudo que se lhe pede. 
Esses desejos reprimidos e bloqueados pelo sentimento de culpa so o melhor 
aval para compreender que se trata de reaes naturais e estimulantes do sexo, 
como outras tantas. Essas vontades convivem diariamente conosco, embora nos 
encarreguemos de tap-las, de pass-las para o lado obscuro da mente, esse 
espao interior reservado ao inconfessvel.

"Quanto maior  a liberdade de eleio e de experimentao, maiores 
so as possibilidades de modelar uma sexualidade livre de preconceitos".

A descoberta nasce da comunicao

Para recuperar a boa sexualidade que a represso nos tirou,  preciso falar 
sobre esses temas: assumi-los como so, estmulos irrefreveis da vida cotidiana, 
e traz-los  luz na intimidade do casal, compartilh-los e arrancar sua etiqueta 
de censura.
J se disse repetidamente em inmeras ocasies que a comunicao entre 
os amantes  necessria para desenvolver um bom relacionamento e melhorar a 
sexualidade individual. No caso das prticas sugeridas nestas pginas, tal 
premissa  indispensvel. Conhecer os gostos e a reaes, o que incomoda ou 
desagrada o outro,  o que faz com que os jogos avancem. Todas as prticas 
descritas neste livro necessitam de uma comunicao entre eles antes, durante e 
depois de que sejam levadas a cabo. Conversar sobre isso traz luz ao 
relacionamento: pode-se saber se ela ou ele est de acordo em ser imobilizado 
ou vendado, ou se o jogo de papis ou o sexo em grupo est sendo estimulante. 
Em suma, deve-se aprofundar essas informaes para ter conscincia de quais 
so as fantasias ou os medos, e at onde se est disposto a chegar. Essa tambm 
 a frmula mais vlida na luta contra a rotina nas relaes sexuais.
Assim se limpa o caminho para novas experincias ou para alternativas 
que possam recriar as prticas anteriores que o casal deseje renovar. A 
sexualidade contrria  conveno ou  tradio se sustenta em negociaes 
entre as duas partes at que se chegue a um acordo, em que ambos se achem 
satisfeitos. Tal  a chave-mestra para que o inconfessvel no seja uma trava 
psicolgica no desenvolvimento de determinadas prticas sexuais, e que seja 
simplesmente um estmulo a mais para que a sexualidade compartilhada se torne 
prazerosa, como os amantes merecem.
        
"A comunicao entre os amantes  indispensvel para desenvolver um 
bom relacionamento e melhorar a sexualidade individual".


Desfrutar, olhando



O
desejo tem efeitos mgicos sobre os olhos. Quando entra neles, agiganta-os, 
fazendo-os fixar o olhar e dando-lhes um brilho inconfundvel. A partir da esses 
olhos no so mais os mesmos. Perdem a inocncia, destilam erotismo.  
fascinante perceber que um olhar simples e despreocupado, que vaga sem 
destino fixo, se transforma imediatamente ao pousar sobre uma cena que 
estimula a sensualidade. Uma descarga instantnea e profunda faz dessa pessoa 
um ser invadido pelo desejo sexual. Ela se excita com o que v, seu corao se 
acelera, a imaginao dispara, a pulsao aumenta. Seus olhos brilhantes se 
concentram e sentem uma atrao irresistvel apenas por aquela cena que, para a 
intuio,  um caminho at o prazer.
Em muitas ocasies, a descoberta dessas sensaes torna-se um jogo 
cotidiano. s vezes, elas so produto do acaso, de um cruzar de olhos ou de um 
gesto premeditado que busca o olhar. Ocorrem tanto em lugares pblicos como 
privados, com consentimento ou sem ele. E se repetem durante a vida diria 
muito mais do que pensamos, embora poucas vezes sejam relatadas: so 
sensaes de prazer to ntimas e intransferveis que acabam sendo protegidas 
na gaveta das recordaes inconfessveis. Algumas pessoas acham que fazer 
contato visual significa ficar exposto aos outros. Outras pensam que olhar sem 
consentimento  uma sensao contraditria: a formao moral diz que isso  
um "ato inadequado" ou "impuro", enquanto o corpo grita o contrrio. Essas 
reaes dependem em parte das experincias passadas, pois o desfrute dos 
estmulos atravs do olhar cresce em cada pessoa desde os primeiros impulsos 
sexuais.

O despertar sexual entra pelos olhos

A descoberta da sexualidade na infncia marca a vida sexual adulta. 
Muitas situaes que remontam a essa etapa costumam ter uma fora excitante e 
primitiva. Nesses momentos iniciais, o olhar cumpre um papel muito 
importante: os adultos so olhados s escondidas; as crianas lem revistas para 
adultos ou vem filmes proibidos para essa idade. Contudo, todos esses atos so 
feitos com o medo de ser descoberto, pois a educao social transmite  criana 
que tais atitudes so pecaminosas. Quando essa criana se torna adulta, aqueles 
reflexos  antes passam a influenciar sua conduta. Ao olhar e ser olhado, o 
adulto recupera em muitas ocasies as emoes e sensaes prazerosas daquela 
poca, mas tambm as associa com algo que no vai bem. Por isso, muitas 
pessoas tm dificuldades no momento de fazer o jogo de olhar ou de ser olhado 
ante uma proposta direta do amante, ou assentem com um pudor to grande que 
as impede de desfrutar.

"Muitas pessoas tm dificuldades no momento de fazer o jogo de olhar 
ou de ser olhado ante uma proposta direta do amante".

Na adolescncia, o olhar pode ser um dos primeiros passos para entrar em 
contato com a sexualidade. Tudo  observado com uma carga sensual inevitvel: 
os adultos com sua aurola atrativa de sapincia misteriosa; os corpos jovens 
que emitem feromnios na forma de ondas. Os olhos comeam a descobrir o que 
atrai. Os olhares se cruzam com os de alguma garota ou de algum garoto que os 
arrebata. Atravs desses olhares, o adolescente comea a descobrir a prpria 
excitao e a prpria sexualidade. Esses olhares permanecem indelveis na 
memria, e mesmo quando parecem ter se diludo com o tempo, consciente ou 
inconscientemente acabam reaparecendo para servir de estmulo nas relaes 
sexuais.

" com muita freqncia que os adolescentes se pem a olhar 
furtivamente os genitais de outros adolescentes e adultos, ou espiam um casal 
durante a relao sexual. Isso no  apenas uma chamada dos hormnios, 
mas tambm da curiosidade.  algo que eles desconhecem, mas que palpita 
em torno deles. Algo que ouvem nas conversas e comentam com seus 
companheiros de colgio. Espiar os faz descobrir novas sensaes, todas elas 
excitantes".

A adolescncia tambm deixa a sua marca na vida adulta quando se trata 
de olhar sem ser visto. Essa sensao de semiclandestinidade abre uma ponte 
para a sexualidade adolescente e tambm adiciona s situaes excitantes um 
teso singular, um certo sabor especial e agradvel que se reconhece como um 
vestgio prazeroso deixado pelo passado. At mesmo quando essas histrias so 
recordaes vividas, elas se revisam na memria e "voltam a se ver", servem 
para reviver exatamente aquelas mesmas sensaes.

"Ela se ensaboava com pausas, desfrutando o frescor da gua que 
eriava seus mamilos".

Carlos acabara de sair da adolescncia e seus estmulos sexuais tinham 
maior intensidade quando ocorriam s escondidas. Quando estava s, ele se 
regozijava com olhares furtivos que buscavam as curvas e os decotes, as pernas 
abertas com descuido ou uma ala cada que desnudava um ombro e ameaava 
desproteger um seio. Seu corpo se retesava e vibrava secretamente com o 
segredo. A revoluo dos hormnios o havia invadido e seus olhos atentos a 
qualquer situao excitante estavam sempre  procura de uma cena sensual. 
Naquela tarde quente na casa de sua tia, ele subiu a escada para se refrescar no 
terrao. No caminho pelo corredor, ele viu calcinhas penduradas nos braos da 
cadeira. Sua respirao se deteve e ele se ps em alerta, como um predador que 
fareja a presa. Dois passos adiante, uma camiseta de ala curta, abandonada 
no cho, assinalava o caminho at o banheiro. Carlos ouviu ento o som da 
gua da ducha. Sua prima, Leonor, dois anos mais velha que ele, estava a 
poucos metros, nua, com seus grandes cachos negros midos caindo sobre os 
seios, desfrutando a gua fresca que resvalava por sua pele clida, que molhava 
seus seios e caa em cascata do ombro at o canal entre suas pernas. Carlos se 
regozijava com essa imagem que invadia sua mente; o rudo da gua era como 
uma melodia que o transportava. Despertou desse sonho e deu alguns passos 
com a esperana de espiar pela fechadura, e seu corao se agitou: a porta 
estava entreaberta e a cena era indita. Fazia tanto calor que sua prima deixou 
a cortina aberta e se apresentava aos seus olhos com o rosto ensaboado, os 
olhos fechados e todas as curvas e volumes do corpo a descoberto. Somente 
para ele. Aproximou-se com cuidado, empurrou um pouco mais a porta para 
ampliar a viso, conteve a respirao e ficou paralisado em silncio, como uma 
esttua de mrmore. Ela se ensaboava com pausas, desfrutando o frescor da 
gua que eriava seus mamilos. Carlos no perdia um s detalhe e seu olhar 
percorria por partes a nudez da pele de Leonor, sem evitar as mincias. Vez por 
outra sua agitao aumentava. Mas a quando ela desceu a mo ensaboada at o 
peito e logo encheu de espuma seu monte de Vnus, brincando com os cachos de 
azeviche que o cobriam. O pnis de Carlos pulsava tanto quanto o corao. Ela 
parecia abandonada ao prazer da gua e da espuma que crescia e crescia entre 
as pernas enquanto sua mo se movia com suavidade. Leonor entreabriu a boca 
para tomar ar enquanto seu peito se agitava levemente e sua lngua sedenta 
salpicava o jato da ducha. Carlos no agentava mais a tenso, meteu a mo 
dentro da bermuda e, apoiado de perfil contra o batente da porta entreaberta, 
comprimiu o pnis, imitando o ritmo da mo coberta de espuma que se movia e 
se movia...


Olhar e ser olhado, eis a questo

"O jogo da observao e o estmulo sexual aparecem diariamente na 
vida cotidiana, de modo que ningum precisa se sentir culpado porque essas 
cenas ou vises sensuais despertam a libido, de maneira espontnea e em 
lugares inesperados".

Nem sempre o prazer de olhar est ligado  espionagem clandestina, mas 
a sensaes que podem surgir a qualquer momento como um exerccio ntimo de 
excitao, quando a observao  estimulante. Pedir ao amante que caminhe nu 
pela casa em penumbra costuma ser bastante excitante, e faz crescer o desejo. 
Olhar com calma cada um dos movimentos do companheiro, solicitar que ele 
faa algum gesto ou que se toque  para olh-lo com liberdade e excitao , 
pode ser um dos jogos que antecedem a relao sexual. O certo  que olhar e ser 
olhado no  um fato isolado, desvinculado; muito pelo contrrio, pode se 
integrar a outras variantes da relao. Em alguns casos, homens e mulheres se 
vem tentados a olhar ou a serem olhados, mas o temor de serem rechaados ou 
julgados os faz reprimir esse ato, que pode contribuir para despertar o desejo ou 
aument-lo.

"O interesse e a atrao que fazem com que se olhe o outro com desejo 
so to profundas que a publicidade se vale de corpos nus em poses e gestos 
erticos, como um recurso habitual para promover produtos na televiso e 
nas revistas. Alis, outdoors em ruas e estradas, alguns deles monumentais 
e de contedo altamente insinuante, tm sido causa de inmeros acidentes de 
transito".

De todo modo, o jogo da observao e o estmulo sexual aparecem 
diariamente na vida cotidiana, de modo que ningum precisa se sentir culpado 
porque essas cenas ou vises sensuais despertam a libido, de maneira espontnea 
e em lugares inesperados. De repente, os olhos se deparam com um decote 
audacioso no nibus ou com uma minissaia sobre msculos firmes, ou com um 
vestido justo que exibe ou insinua as formas bem delineadas das ndegas ou dos 
seios, e inevitavelmente a fantasia se desperta. Um homem na piscina ou 
estirado de barriga pra cima na jacuzzi atrai olhares sobre os genitais, que se 
destacam cobertos por uma sunga justa. So essas situaes pontuais que muitas 
vezes disparam o desejo e monopolizam os olhares, aberta ou dissimuladamente, 
porque esse estmulo visual  um alimento para o prazer que a imaginao 
comea a moldar. At mesmo cenas do dia-a-dia (ela depilando-se, acariciando 
as pernas e as virilhas, ou a leve massagem nas coxas enquanto espalha creme 
na pele) podem resultar num espetculo excitante para o parceiro sexual, sejam 
elas espontneas ou produzidas com a inteno de excitar.

"O mamilo reage e David, tambm. Suspira profundamente, pressente 
que a cena est comeando e se dispe a olhar com muito mais ateno".

 vero e o dia faz jus a isso: o calor  intenso e cria um clima sufocante 
e quente. O sol aquece a areia da praia e se multiplica no mar. O cenrio  
sensualmente selvagem. Manuela est estirada numa toalha e a poucos 
centmetros, em outra, David est deitado. Ela veste um biquni minsculo: o 
suti deixa  mostra metade dos seios, acima dos mamilos. O lado da frente do 
biquni cobre o tringulo de Vnus, e por trs uma tira de largura igual  do 
rego das ndegas ameaa romper-se entre elas. Nesse clima sufocante e quente, 
David percorre a noiva com o olhar e sente que cada vez que ela diz algo cresce 
a excitao. Ela molha os lbios com a lngua sem se dar conta do efeito que 
isso produz em David. As respiraes se agitam porque faz um calor 
insupervel. As gotas de suor deslizam pelo pescoo dela c descem peito abaixo. 
David se acomoda de perfil e o corpo de Manuela,  contraluz, comea a ser 
uma miragem ertica e obsessiva. Ela se mexe com lentido e tambm se pe de 
perfil na rede, frente a ele, como se quisesse conversar. E haver um dilogo, 
mas somente de gestos. Com os olhos semicerrados pelo efeito do sol, ele crava 
o olhar nos seios, agora repousados pela posio de Manuela. Ela mexe 
lentamente a mo e um dos seus dedos comea a brincar com as gotas de suor, 
acompanhando-as pela borda do suti e guiando-as para que caiam sobre o 
mamilo. Logo o dedo acaricia o peito com volpia. O mamilo reage e David, 
tambm. Suspira profundamente, pressente que a cena est comeando e se 
dispe a olhar com muito mais ateno. Essa situao pblica dissimulada e 
direta o excita como poucas coisas. Ela o olha, entra no jogo e segue a funo. 
Belisca o mamilo at que o pe ereto, expondo-o atravs do tecido. Molha o 
dedo com a lngua e refresca o abdmen com giros em torno do umbigo. Sua 
mo continua descendo e termina apertada entre as coxas suadas. Depois, ela 
as acaricia com suavidade. Dissimuladamente, cada vez que a mo se mexe por 
entre as coxas, ela estira o polegar para roar a vulva sobre o teci do. 
Extasiado e concentrado, David contempla o espetculo. Ao redor, centenas de 
pessoas tomam sol com letargia, duas crianas se entretm fazendo castelos de 
areia e a voz de um vendedor de sorvete rompe a monotonia. Mas para ele nada 
disso existe: seus olhos so um periscpio cravado entre as pernas de sua noiva 
e naquele polegar que ele j sente como um irmo gmeo do seu pnis...

* * *

 manh de sbado e Emlio aproveita o tempo que no tem durante a 
semana para cuidar do corpo. Seus braos e seus bceps reluzem com o leo 
aromtico que cuida de sua pele. Algumas gotas de perfume permanecem na 
penugem do peito enquanto ele amarra a toalha debaixo da cintura frente ao 
espelho. Estira a mo at a prateleira mais prxima para pegar a espuma e a 
navalha de barbear. Sua amante o espia da porta sem ser vista e descobre uma 
nova espcie de sensaes e estmulos. E um mundo novo para ela. Sente um 
prazer que se transforma em ccega interior enquanto observa cada movimento 
de Emlio. Alheio  excitao que desperta, ele age com liberdade sem se dar 
conta de que cada um de seus movimentos aumenta a excitao dela. 
 
Olha os dois lados do rosto, levanta ligeiramente o queixo para inspecionar a 
barba e se acaricia com o dorso da mo para sentir a aspereza. Ela, por sua 
vez, observa seus ombros largos e percorre a pele de suas costas como se fosse 
a primeira vez que a v, como se ele fosse um desconhecido. Um homem seminu 
em seu banheiro, com essa insinuante toalha que repousa sobre os msculos 
duros de sua bunda... E esses braos fortes que se movimentam com 
segurana... E depois a deliciosa delicadeza com que desliza o fio da navalha 
no rosto para retirar aquela suave e perfumada espuma... Nunca, at este 
sbado, havia se detido em olhar a carga sensual do seu amante barbeando-se. 
E no est disposta a perder a oportunidade...

O erotismo, mais fantasia que beleza

Ondulantes e sugestivas bailarinas em espetculos pblicos ou privados 
tm sido o centro da ateno de milhares de homens h sculos, particularmente 
na Grcia clssica, no imprio romano e no mundo muulmano. Corpos 
vibrantes e seminus que se movimentavam com ritmo e liberavam as fantasias 
dos observadores tornaram-se um antecedente do erotismo que entra pelos 
olhos.
No incio de nossa era, em Roma, as puellae gaditanae (bailarinas 
formadas no sul andaluz) montavam companhias, acompanhadas por msicos, e 
se apresentavam em festas contratadas por homens ricos ou em espetculos 
pblicos. Esses grupos de msicos e bailarinas provocativas cultivaram na 
capital do imprio um tipo de canto e uma dana incitante, que em alguns casos 
serviam de aperitivo s orgias. Era algo similar  dana rabe do ventre, embora 
esta ltima apresentasse uma carga de erotismo mais sofisticado, onde os vus 
transparentes exerciam um papel especial.

"Nem sempre um corpo bonito atrai o olhar. Existem coisas que 
menos freqentemente despertam o teso de olhar: cicatrizes, sinais, 
tatuagens com escoriaes, um homem bastante peludo, uma barriguinha 
proeminente, uma calvcie, msculos com estrias, mos muito grandes, 
pessoas obesas, piercings em diferentes lugares do corpo... Como os gostos, os 
estmulos so incontveis".

Mais prximo no tempo, nos prostbulos franceses do final do sculo 
XIX, existia o "servio" de olhar abertamente os clientes. Alguns homens 
levavam as esposas aos bordis para ver espetculos ertico-pornogrficos, com 
a inteno de desinibi-las e estimular a sensualidade. Depois, eles convenciam 
as esposas a se deitar com outros clientes enquanto as observavam atentamente. 
Se no tinham uma parceira, pagavam uma prostituta e a ofereciam 
gratuitamente a outro homem, com a condio de poder olhar enquanto eles 
mantinham relaes sexuais.

"O erotismo depende do desejo de cada pessoa, de suas fantasias, do 
teso mantido no inconsciente e que emerge frente a estmulos inesperados".

Quando se fala dessas cenas e espetculos, onde se contemplam atitudes 
erticas ou corpos que despertam desejos sexuais, geralmente se faz referncia a 
homens e mulheres com belos fsicos e boas propores  em suma, o que se 
denomina como bonito(a) segundo os critrios de beleza que regem as 
convenes sociais e a moda. Contudo, as coisas no so bem assim. O erotismo 
no depende da beleza, e sim do desejo de cada pessoa, de suas fantasias, do 
teso mantido no inconsciente e que emerge frente a estmulos inesperados. 
Muitas vezes a mensagem ertica  enviada por uma parte do corpo: pernas 
torneadas, coxas rolias, o jeito de andar, um antebrao peludo ou um simples 
gesto que para os outros no tem um significado, mas que acaba atiando uma 
pessoa em particular de maneira irreprimvel. Nos jogos sexuais, o parceiro de 
cama pede  amante que mostre essa parte do corpo para que possa contempl-
la, deixar-se levar pelas sensaes que o deixam aceso e fazem crescer sua 
excitao enquanto olha, seja para masturbar-se ou como preparativo para a 
relao que vir.

"Enquanto esperava, a imagem do homem do sonho lhe vinha  mente 
como um flash e lhe provocava um ligeiro estremecimento de prazer".

A manh j se adiantava e ela ainda no tinha tirado da cabea os 
inquietantes sonhos que a fizeram despertar agitada durante a madrugada. Um 
homem de traos fortes a tinha em seus braos peludos e logo ela era tomada 
pela sensao de que aqueles dedos compridos e potentes lhe acariciavam os 
braos, os ombros, os seios, a bunda e as pernas com uma interminvel 
massagem, enquanto estremecia com cada roada, sem nunca deixar de olhar 
aqueles braos. Uma semana sem sexo foi a desculpa que Irene deu a si mesma. 
Sem ter se recuperado disso, ela chegou excitada  consulta do dentista. A 
assistente lhe disse que em poucos minutos seria atendida. Enquanto esperava, 
a imagem do homem do sonho lhe vinha  mente como um flash e lhe provocava 
um ligeiro estremecimento de prazer.
Estava distrada quando o dentista abriu a porta e chamou-a para a 
consulta. Sentou-se na cadeira e, depois de trocar algumas palavras formais, 
relaxou. Estirada na cadeira, de boca aberta, ela se via em uma posio pouco 
ertica, e nesse momento os pensamentos excitantes se dissiparam. Joo, o 
dentista, comeou a examinar sua boca. Ele vestia um jaleco de manga curta 
que deixava  mostra os antebraos. Eram a fraqueza de Irene e, ao v-los, ela 
comeou a se excitar sem se dar conta. Cada vez que ele passava o brao diante 
de seus olhos para pegar algum instrumento ou para trabalhar em sua boca, ela 
cravava os olhos naqueles msculos e no perdia qualquer detalhe cada vez que 
se retesavam. Estava fascinada com a pele e a penugem abundante que se 
adivinhava suave ao toque. Ela se imaginava acariciando e beijando aquele 
antebrao, que lhe provocava uma voluptuosidade sem limites. Joo j havia 
percebido em outras ocasies que a respirao de sua paciente acelerava to 
logo ela se sentava na cadeira, mas no sabia qual era o motivo: medo ou 
desejo. Enquanto se distraa com esse pensamento, ouviu Irene perguntar se 
alguma vez haviam dito que ele tinha antebraos fascinantes. Ele se ps em 
silncio e ambos riram. Ele aproveitou aquele momento ntimo para sugerir que 
a prxima consulta fosse no ltimo horrio, pois assim seus braos poderiam 
dedicar-se, sem pressa, somente a ela.

"A tela do computador  uma grande janela por onde se pode 
desfrutar, olhando. H chats erticos onde se pode observar uma pessoa com 
quem se mantm uma conversa quente, ou abrir links com webcams 
amadoras situadas em quartos e banheiros. Tambm  possvel "baixar" 
filmes erticos e pornogrficos, profissionais ou domsticos, pagando uma 
tarifa ou enviando uma mensagem SMS".

O teso de olhar tambm se provoca

"Muitas vezes o jogo de olhar e ser olhado  consentido tacitamente".

 possvel atingir o prazer enquanto se olha uma situao excitante no 
apenas de forma clandestina ou por sorte do acaso. Esses momentos podem ser 
premeditados. So muitos os casais que do uma reviravolta no relacionamento 
propondo ao parceiro relaes sexuais com outra pessoa presente, observando. 
Alis, em alguns casos esse cenrio se prepara sem que a terceira pessoa tenha 
conhecimento disso. Esse jogo ntimo se produz em lugares pblicos onde, por 
exemplo, uma mulher provoca algum com toques ou olhares at que essa 
pessoa aceite o convite. Enquanto isso, seu companheiro observa e se excita. s 
vezes, esse tipo de situao ultrapassa o permitido porque a terceira pessoa 
desconhece os limites do jogo. No entanto, o teso que desperta costuma 
desencadear uma energia sexual to profunda que melhora as relaes 
posteriores entre os amantes. Outras vezes o jogo  aberto e a terceira pessoa 
aceita participar, e, embora at se possa estabelecer previamente o seu papel  
passivo ou ativo , com certas fronteiras que no podem ser transpostas, muitas 
vezes a paixo transborda qualquer acordo prvio.
Uma dana sensual ou um jeito ertico de tirar a roupa para se masturbar 
diante do amante so cenas espontneas, ou combinadas de antemo, que tm 
um efeito excitante.
Muitas vezes o jogo de olhar e ser olhado  consentido tacitamente. Um 
homem pode descobrir que um certo gesto habitual, como esfregar a mo nos 
lbios, concentra a ateno da mulher. Cresce ento uma cumplicidade entre 
ambos, um olhar de desejo que  ao mesmo tempo oferta e aceitao. Se 
estabelece apenas o visual, como se os dois dissimulassem o que ocorre, embora 
cada gesto, cada movimento seja uma provocao  uma linguagem excitante 
que s eles conseguem entender.

"No sabe se ela quer ser olhada, mas ele quer olhar".

Todo dia, s oito da noite, Francisco vai ao quintal para molhar suas 
plantas. Um regador quase vazio  o libi. Enquanto molha um pouco os 
gernios, ele levanta a vista at a janela no segundo andar:  ampla, a luz est 
acesa e a falta de cortina deixa ver a despensa da cozinha. Logo depois aparece 
Maria. Ela passeia insinuante e distrada frente  vidraa, como se fosse um 
cenrio. Vai comear a preparar a cena, como faz toda noite, com o pequeno 
avental sob o qual flutuam seus seios desnudos. Quando gira e se pe na ponta 
dos ps para pegar um frasco na prateleira dos temperos, ela mostra as costas e 
as pernas nuas. Sob o avental no h nada mais que uma calcinha mnima que 
deixa livre sua bunda durinha. Francisco abaixa e levanta a cabea para olhar. 
No sabe se ela quer ser olhada, mas ele quer olhar. E a dvida o excita quase 
tanto quanto o que v. Ainda que esse jogo se repita quase todos os dias, ele no 
consegue deixar de pensar na vizinha quase como um sonho ertico. Ela 
desaparece da vidraa por um instante, como se soubesse que sua ausncia 
provoca ansiedade no seu admirador. Comea a soar uma suave cano cubana 
e Maria reaparece com uma colher de madeira na mo: danando com 
voluptuosidade, abre as pernas e deixa os olhos semicerrados. Ela se 
movimenta devagar enquanto prepara a comida. Francisco olha de soslaio as 
outras varandas, como se temesse ser descoberto, mas ningum est olhando, s 
ele, e parece que tem consentimento para olhar. Ento, sente-se seguro e 
desfruta. Depois de provar a comida que prepara, Maria passa a ponta da 
lngua nos lbios e chupa a colher de madeira lenta e profundamente. Cai uma 
gota no seu peito, ela sente a quentura e se delicia: deita a cabea para trs, um 
dedo se perde no decote e demora mais que o necessrio na busca de uma gota 
furtiva. Depois, ela chupa o dedo enquanto imagina outra situao. E dana, 
movimenta-se com gestos sensuais, mostra-se. Agitado e concentrado, 
Francisco desfruta essa imagem explosiva mais ou menos proibida e quente, 
que toda noite lhe d prazer atravs de uma janela.


Os espelhos devolvem o olhar

"Um estudo realizado pelo neurologista Knut Kampe, da 
Universidade College de Londres, assegura que as pessoas que lanam 
olhares furtivos para apreciar os atrativos de algum ativam as reas do 
crebro relacionadas com a satisfao e o prazer. Essa regio do crebro  o 
ncleo estriado   a mesma que se ativa, segundo estudos anteriores, 
quando se recebem prmios, recompensas ou reconhecimentos".

No  por acaso que nos motis, onde os casais s se encontram para fazer 
sexo, existem tantos quartos cheios de espelhos: nas paredes, nos tetos, 
simtricos  cama ou inclinados para captar imagens.  o jogo da paixo 
compartilhada e mltipla, para que se possa olhar a si mesmo ou o corpo do 
parceiro atravs dos diferentes olhares que o espelho devolve. Os corpos podem 
ser vistos, o prprio e o do outro, de diferentes e novos ngulos que despertam 
uma voluptuosidade particular. Mesmo sem desviar a vista do espelho, as 
carcias so sentidas de forma diferente.
Para muitos, o espelho funciona como um olho que observa  distncia e, 
ao mesmo tempo, deixa ver todos os detalhes. Enquanto se masturba, ela pode 
contemplar sua prpria expresso de prazer, ao mesmo tempo em que v sua 
vulva refletida. Quando se inicia essa prtica de autocontemplao ertica, 
muitas vezes os preconceitos atuam contra o teso, mas o hbito e a maturidade 
sexual de se deixar testemunhar o prprio prazer acabam agregando novas 
possibilidades de gozo. Esses jogos despertam a imaginao, que busca novas 
variantes: o reflexo curioso e alheio nos azulejos brilhantes da cozinha, a 
intimidade acolhedora do espelho no closet ou o espelho do banheiro em meio  
bruma do vapor de uma ducha quente. Alguns espelhos especiais, como os dos 
carros, permitem o intercmbio de olhadas insinuantes e erticas. Em muitos 
casos, quando os espelhos tm o foco corrigido, eles se transformam em 
verdadeiras cmeras que transmitem situaes erticas para o espectador a que 
se destina. Algo similar ocorre com os espelhos das cabines das lojas de roupas, 
que eventualmente devolvem a imagem de um corpo nu e insinuante, um gesto 
provocativo ou um convite sexual direto quando a cortina est entreaberta.

Num canto da ampla habitao, abr se o biombo de duas folhas 
espelhado para receber a imagem de Ins na penumbra. Quatro velas que a 
ilumina pelas costas ressaltam o contorno de sua silhueta contra a luz, deixando 
entrever detalhes do seu corpo coberto pelos botes da blusa entreaberta. As 
mos acariciam o tecido que ressalta seus mamilos erguidos. Seu rosto  o rosto 
do desejo. Os dedos percorrem a pele do colo e seguem com carcias pelo tecido 
peito abaixo. Xavier a contempla no espelho por trs. Sua excitao aumenta a 
cada novo movimento. Ela tambm o olha atravs dos espelhos e v a reao 
nos seus gestos carregados de luxria: ele lambe um dos dedos enquanto a 
outra mo aperta por dentro das coxas, aproximando-se cada vez mais dos 
genitais. O desejo mora no espelho. E a quinta dimenso ertica, onde eles 
realizam suas fantasias e vivem suas paixes. Xavier se aproxima e apia as 
mos nos ombros de Ins para comear o ritual do contato: tira a blusa com 
suavidade e a deixa deslizar at o cho. O reflexo de Ins se mostra 
completamente nu e palpitante. O peito dele se esfrega nas costas dela. O pbis 
de Xavier encosta na bunda de Ins e sua pele acaricia a pele de sua amante. 
No se olham diretamente, mas ela sente esse corpo que a procura e o v no 
espelho. Tudo ocorre nessa tela dupla que devolve o olhar e acende o frenesi. 
Quando a respirao dela comea a se afogar em gemidos e as pernas a 
fraquejar pelo desejo, ele a sustem com os braos e lhe acaricia o corpo de 
cima a baixo, do ventre at as pernas, dos braos at os seios. No tem pressa, 
se deleita ao olh-la de todos os ngulos quando ela treme de prazer. O sexo 
refletido j  incontrolvel.

 

*     *     *

"Alguns minutos depois, ao olhar pela janela para ver por onde est 
indo, ela observa no espelho retrovisor os olhos do taxista cravados em suas 
pernas. Ela se sente excitada com a situao. Tira o batom da bolsa e o faz 
girar lentamente para que saia aos poucos".

Tereza desce a escada aos saltos; ela s pde lavar o rosto e vestir-se 
correndo. Chegar atrasada na reunio de trabalho. O maldito despertador 
enguiou mais uma vez e ela s tem tempo para vestir uma blusa branca 
transparente, a saia preta justa e a jaqueta cinza. Logo mais vai se pentear e se 
retocar no txi. Tem sorte: logo que pisa na calada, v se aproximar um txi 
livre. Quando se acomoda no assento traseiro, a saia justa sobe acima da 
metade de suas coxas. Agitada, ela indica a direo ao taxista. Sem perder 
tempo, pega o espelho e comea a maquiar-se. Alguns minutos depois, ao olhar 
pela janela para ver por onde est indo, ela observa no espelho retrovisor os 
olhos do taxista cravados em suas pernas. Ao ser descoberto, ele rapidamente 
desvia o olhar para a frente.  estranho, mas nessa manh agitada, um episdio 
como esse muda os pensamentos de Tereza e ela se v excitada. Como se nada 
houvesse acontecido, desenha o contorno dos olhos e, embora sem olhar para o 
taxista, intui que ele a est espiando. O taxista parece se exaltar com os 
movimentos das mos e das pernas de Tereza. Ela se sente excitada com a 
situao. Tira o batom da bolsa e o faz girar lentamente para que saia aos 
poucos. Mentaliza o movimento mais lascivo e o pe em prtica. Ele continua 
olhando pelo retrovisor, deslumbrado. Tereza esfrega o tubo purpreo nos seus 
lbios carnudos e logo os aperta. Levanta os olhos e o v outra vez no espelho, 
mas agora sustenta o olhar por um instante. "Sei que est me olhando, e que 
gosta de mim",  como se lhe dissesse. Com certo descaramento, e para no 
perder detalhe algum, ele ajeita melhor o retrovisor sem prestar muita ateno 
no trfego. Ela parece permanecer indiferente, abre as pernas e levanta uma 
delas como se para esticar a meia, ao mesmo tempo em que oferece um 
panorama ntimo ao motorista. A excitao aumenta at o descontrole e, por 
isso, ele resolve dirigir devagar pela direita. Para Tereza j no parece 
importar o atraso  reunio de marketing. Esse jogo a deixa ocupada. E segue 
em frente. Desabotoa sem pudor os botes da blusa e enfia as mos para ajeitar 
melhor o suti, ainda que se acaricie alm da conta. Embora sem olh-lo, ela 
sabe que os olhos arregalados do taxista no deixam de atender cada gesto de 
sua voluptuosa provocao...


Mais de dois


S
exo sem compromisso e sem intimidade: so as duas chaves para desinibir 
completamente. Alcanar esse estgio em que se mantm relaes simultneas 
com um grupo de pessoas, conhecidas ou desconhecidas,  um ponto de 
mudana na vida sexual a partir do qual ser possvel dissipar com rapidez a 
presso dos preconceitos e se liberar para eleger e decidir, sem travas, a relao 
que mais apetece.
O sexo grupal, contudo, se observa socialmente por trs do vu de prticas 
inconfessveis, de modo que a deciso de experiment-lo implica em se liberar, 
em romper os fortes escrpulos que fecham as portas ao prazer diferente.
A memria fraca sempre nos faz ter um desempenho fraco enquanto 
espcie. Desde as origens, o sexo grupal foi adotado por diferentes tribos e cls 
como frmula efetiva para a sobrevivncia do grupo, nos momentos em que a 
fertilidade era requerida aos deuses. Mais tarde, os prprios deuses serviram de 
exemplo. Dizem que Baco, o deus grego do vinho, organizava festas com 
multides onde no havia limites para o vinho nem para a comida e o sexo. As 
orgias derivam dessas prticas, e os festins romanos talvez sejam os mais 
lembrados.
Mas as cortes medievais dos reis brbaros e catlicos tambm 
organizavam suas orgias, incluindo o clero, e isso era um dos fatores de poder da 
poca. Nos sculos posteriores, a prtica do sexo grupal foi se ocultando, 
tornou-se um tabu inconfessvel; por um lado, pela influncia cultural, e, por 
outro, pela hipocrisia daqueles que detinham o poder: nobres, militares e 
sacerdotes. Em suas festas privadas, eles praticavam com freqncia o sexo 
grupal, pois isso liberava e era prazeroso, mas essas prticas no eram 
permitidas ao povo porque no se adequavam aos dois sentimentos necessrios 
para infundir a dominao: medo e represso. Atualmente, o sexo grupal parece 
levantar vo. Segundo a opinio de muitos, as sensaes mais primitivas, como 
o desejo sexual e a excitao, aumentam nos ambientes em que se pode ouvir, 
ver, tocar e acompanhar outras pessoas durante o sexo.
 

Menu  la carte para o sexo mltiplo

"Destri mitos, derruba tabus e joga por terra sentimentos to 
prejudiciais  felicidade quanto os de cime e de infidelidade".

Destri mitos, derruba tabus e joga por terra sentimentos to prejudiciais  
felicidade quanto os de cime e de infidelidade. Quando um casal resolve 
ampliar o jogo das relaes e desfrutar a sexualidade, abre-se para uma srie de 
possibilidades com a naturalidade outorgada pela livre eleio da busca do 
prazer. Fazer sexo em trios ou em grupos maiores talvez seja uma atividade que 
aglutina simultaneamente diversas prticas inconfessveis:  possvel desfrutar 
enquanto se exibe, olhar como os outros esto fazendo, assistir s prticas de 
dominao-submisso ou montar jogos de papis. Contudo, algumas pessoas 
contentam-se em poder participar e gozar com naturalidade das sensaes que as 
liberam dos mitos e tabus.
Atualmente, o sexo grupal tem se tornado mais conhecido porque os 
meios de comunicao j mostram alguns lugares onde ocorrem intercmbio de 
casais (swinger) e festas organizadas de sexo grupal, alm dos numerosos sites 
de contato via Internet. Mas  evidente que todo esse movimento no passa de 
uma reao  necessidade, ao desejo e tambm a uma viso comum das fantasias 
sexuais e sonhos erticos de homens e mulheres, nos quais as cenas de sexo 
grupal ou de trios ocupam um lugar privilegiado.

"As Jacob's party so festas realizadas em residncias particulares 
onde um grupo de pessoas conhecidas faz sexo grupal com um limite: proibi-
se a penetrao. Essas reunies, de origem inglesa, permitem o sexo oral e a 
masturbao. Seu objetivo  potencializar uma atitude aberta em que no se 
pode escolher com quem fazer sexo".

Na realidade, essa abertura fez surgir muitas possibilidades:  uma espcie 
de menu  la carte, onde se pode optar por fazer sexo grupal com 
desconhecidos, incluir o casal, faz-lo apenas com amigos ou em trios, 
incorporar uma terceira pessoa ao casal ou ser a terceira pessoa para outro casal. 
Tambm existe,  claro, a possibilidade de o casal contribuir para esses lugares 
de intercmbio.

Faz um ms que se sente agoniada no trabalho, mas a ltima semana foi 
asfixiante. Muita tenso acumulada. "Preciso compensar todo esse estresse com 
momentos de prazer sereno", ela diz para si mesma, como se buscando uma 
balsa para salv-la do pesadelo. Laura est ciente disso, mas no encontra 
onde nem com quem. Est em meio  organizao de um projeto para uma ONG 
quando toca o celular: alguns conhecidos da viagem ao Egito convidando-a 
para jantar nessa mesma noite. E uma oportunidade para se distrair. Ela nem 
precisa pensar e aceita. Nem pergunta se haver mais gente ou quem ir. As 
sete horas, sai do trabalho e vai pra casa. S quer esquecer da ensima 
discusso de trabalho e sonha com uma ducha reconfortante que a deixe 
preparada para uma noite diferente. Ela se maquila, veste uma camiseta verde 
limo de alcinhas e uma saia. Quando chega,  recebida com toda a gentileza; 
levam-na para uma sala decorada com cores e adornos bem sensuais, 
almofadas e cortinas orientais e um persistente aroma de sndalo que flutua 
pelo ar. A lista de convidados  pequena: s ela. Depois de beber um aperitivo 
rabe  base de anis, ela  conduzida  sala de jantar. As iguarias e o 
champanhe francs so to agradveis e sensuais como o ambiente. Os 
anfitries so encantadores e tm uma pitada de mistrio que ela no consegue 
decifrar, mas que a deixa com uma agradvel inquietude. J nem se lembra de 
seus problemas no trabalho. O humor mudou tudo. Ela se d conta de um certo 
jogo de olhares cmplices entre o casal. As borbulhas de outra garrafa aguam 
ainda mais as deliciosas percepes. Eles vo tomar caf na outra sala. Poucos 
minutos depois, ele traz uma nova garrafa de champanhe para brindar aos 
deuses egpcios que reuniram os trs. Laura est sentada num sof com coxins 
de plumas grandes e macias. Ele diminui a luz e senta-se junto dela, e a mulher 
tambm. Faz-se silncio na penumbra. Laura parece voar em meio s borbulhas 
e  atmosfera quando sente uma delicada mo de mulher subindo por sua coxa, 
acariciando suavemente cada pedao de sua pele. Ela se abandona ao prazer, 
fecha os olhos e, alguns segundos depois, uma barba rala roa sua face e lbios 
suaves buscam os seus...

 


A intimidade prazerosa com desconhecidos

"Nas relaes grupais das quais o casal participa,  conveniente 
estabelecer cdigos secretos de signos ou de gestos. Assim, ambos podem 
comunicar entre si as situaes ou pessoas que so agradveis ou que no 
so, de modo que ningum venha a se sentir rechaado ou se provoquem 
situaes indesejveis".

Ao contrrio de outras prticas, o sexo grupal no pode ser levado a cabo 
de maneira espontnea, sem planejamento. Assim, essa fase de preparao acaba 
sendo tambm muito excitante para os organizadores: escolher onde se vai fazer 
a reunio, optar pelo melhor espao para o grupo ficar (por exemplo, se convm 
incluir ou no os quartos); estirar almofadas, pr velas, decidir qual vai ser o 
fundo musical, a iluminao do ambiente... At mesmo para os que no esto 
nesses preparativos, j que so convidados, existe esse perodo estimulante, 
quando aumenta a adrenalina face ao desconhecido que se aproxima; quando se 
podem imaginar mil cenrios possveis. E nesse jogo de adivinhaes, o passado 
tambm tem seu papel: as experincias de situaes erticas, as emoes vividas 
e as diferentes intensidades dos encontros anteriores geram um desejo ainda 
maior. Muitas vezes todas essas sensaes, pelo menos no incio, so vividas 
mais intensamente com desconhecidos. Isto porque o sexo se torna mais 
relaxado do que com amigos, com os quais muitas pessoas ficam 
particularmente inibidas. Mas  evidente que isso depende da personalidade e 
das circunstncias. Os mais retrados preferem faz-lo num contexto protegido. 
Eles se sentem mais seguros, por exemplo, quando compartilham a intimidade 
com duas pessoas conhecidas e na sua prpria casa, pois mais de dois num lugar 
desconhecido lhes deixam muito ansiosos. Outros, no entanto, precisam de outro 
tipo de emoes: preferem espaos que no conhecem e, alm disso, quanto 
mais desconhecidos participem, mais forte ser o estmulo. H tambm aqueles 
que, de acordo com o nimo em que se encontram, preferem momentos mais 
intimamente controlados ou relaes pouco planejadas, que faam aumentar a 
adrenalina.

"Houve uma coincidncia: a fantasia favorita daquele desconhecido 
tambm era o sexo grupal".

Fazia muito tempo que a idia rondava sua cabea. Quando era 
adolescente, se masturbava fechando os olhos e imaginando seis mos sem 
rosto e sem sexo que tocavam suas pernas, seus peitos, sua bunda. As sensaes 
transbordavam, o prazer superava as barreiras que ela mesma imaginava. A 
fantasia era recorrente e ntima. Nunca havia confessado isso a ningum. No 
entanto, na semana anterior, protegida pelo anonimato da Internet, ela 
confidenciou para um homem, com certo desgosto. A sorte estava do seu lado. 
Houve uma coincidncia: a fantasia favorita daquele desconhecido tambm era 
o sexo grupal. Durante as noites seguintes, as conversas se tornaram mais 
trridas. Ambos deram asas  imaginao, estimulando-se mutuamente com 
dilogos que recriavam cenas de reunies de sexo grupal em que eles estavam 
inclusos. Foram noites de longas horas, que sempre terminavam com uma 
voluptuosa masturbao. Por fim, decidiram pr em prtica aquela fantasia 
compartilhada. E essa aventura  pra hoje. Ambos se encontram viajando de 
carro at um vilarejo na costa do sul da Frana  prximo da fronteira com a 
Espanha -, um paraso do sexo natural. Um grande nmero de discotecas e de 
lugares de encontro abre as portas para pessoas que anseiam compartilhar sexo 
em trio, em grupos ou em troca de parceiros. Na chegada, numa das ruas do 
vilarejo, uma mulher com um grande casaco se aproxima caminhando de um 
modo bem sensual. Eles a seguem at uma discoteca da rua central. L dentro, 
um amplo salo com bar e pista de dana  o palco de homens e mulheres que 
se relacionam uns com os outros numa festa cheia de sensualidade. A mulher 
est danando com um homem. No se tocam com as mos, mas seus corpos se 
roam de frente, com movimentos provocativos e lentos. As coxas se acariciam 
entre si. O desconhecido que dana com aquela mulher comea a passar a 
lngua em seu pescoo e desce at seu grande decote, enquanto ambos se 
entreolham e no param de se esfregar. O homem levanta a saia da mulher e 
pe a mo na vulva para estimular o clitris, enquanto sua boca se aproxima da 
virilha. A situao no pode ser mais estimulante. Ela decide acompanhar o 
homem: lentamente, comea a se abaixar enquanto beija o peito do seu 
parceiro. Depois, acaricia as coxas. Quando chega perto do pbis, baixa o zper 
e faz aparecer um falo duro e vibrante; ela agarra e comea a chupar bem 
devagar, enquanto olha o outro casal.


Dois mais um  sempre igual a trs

Alguns trios se formam com um casal e uma terceira pessoa a quem 
excita extraordinariamente ouvir os outros dois fazendo sexo, com todos os 
sons naturais que surgem na relao. Esse tipo de contato costuma se dar em 
meubls, em campings ou em reunies de sexo grupal.

A deciso de ser mais de dois no exige uma escalada crescente e 
paulatina. Ou seja, no  preciso primeiro formar um trio sexual para depois 
fazer sexo grupal, como se fosse um grau a mais. Mas o trio costuma estar 
presente em quase todas as fantasias. A maioria das mulheres imagina 
compartilhar a cama com um homem e uma mulher, ao passo que muitos 
homens tm como fantasia principal fazer sexo com duas mulheres.
Quando um casal realiza esses desejos com a introduo de uma terceira 
pessoa, o que se busca  enriquecer a sexualidade do prprio casal e sair da 
monotonia atravs de novos estmulos. Houve uma poca em que isso era 
chamado de mnage  trois, por conta da grande influncia exercida pela cultura 
francesa do sculo XIX em matria sexual. Hoje em dia, a palavra que evoca e 
estimula a relao sexual mltipla  trio. Trata-se de uma relao com muitas 
possibilidades: dois fazem sexo enquanto outro olha; trs sustentam uma relao 
simultnea e encadeada, com sexo oral, penetrao vaginal e/ou anal, 
masturbao, troca de beijos e carcias. Em muitas ocasies, a paixo desse 
encontro a trs  produto da preparao, da incitao de dois sobre um terceiro 
ou das insinuaes que permeiam o ambiente previamente preparado para tornar 
inevitvel um encontro mltiplo, uma vez que o desejo vena a inibio.

"Srgio tenta se concentrar no filme, mas sua excitao grita como um 
alarme".

Marcos e Elza resolvem passar um fim de semana em Andorra. Eles esto 
estressados com o trabalho, se vem pouco em casa e o sexo se apagou. Marcos 
fala pra ela, de passagem, que convidou Srgio, um amigo comum. Elza aceita 
como algo natural. No dizem nada, mas alguma coisa acontece no 
inconsciente de ambos. Quando chegam ao principado, percorrem as ruas de 
Andorra-a-Velha em busca de um hotel. Todos esto ocupados. Por fim, 
encontram um com um quarto desocupado. Fazem a reserva e depois vo 
passear pelas ruas, pelas montanhas e por alguns caminhos no bosque. 
Regressam cansados no final da tarde. No quarto h uma cama de casal e, ao 
lado, uma de solteiro. Os trs precisam de um banho antes do jantar. Marcos e 
Elza resolvem tomar banho juntos, para ganhar tempo. Srgio se deita na cama 
e fica vendo tev enquanto os amigos se deleitam, na ampla banheira, com 
jogos aquticos que deixam escapar alguns gemidos e suspiros pela porta 
entreaberta. Srgio tenta se concentrar no filme, mas sua excitao grita como 
um alarme. Um pouco mais tarde, Marcos e Elza saem do banho de roupo. 
Srgio toma uma ducha rpida e eles saem para jantar num restaurante francs. 
Bebem duas garrafas de um bordeaux de boa safra e depois arrematam com 
uma taa de armagnac. Regressam ao hotel entre risos e alguns gracejos mais 
quentes. Os trs vestem o pijama no banheiro, deitam-se e apagam a luz. Mas 
ningum dorme. Aquele dia de relaxamento e o amigo prximo disparam o 
desejo do casal, que comea a fazer jogos erticos clandestinos sob os lenis. 
Esto agarrados, sentindo o calor dos corpos; seus lbios no se beijam, 
deslizam pela pele do outro sem rudos. Mas a intensidade cresce e seus 
movimentos j no so controlados: eles se mexem na cama, arrastam os 
lenis e uma respirao entrecortada invade o quarto. Marcos sussurra 
alguma coisa para Elza e ela se exalta. Srgio no perde detalhe algum. Quieto 
em sua cama, ele se d conta de que tambm est se excitando com o que 
escuta. O ardor aumenta dentro dele. Sua mo obedece ao desejo: pega o pnis 
e comea a se masturbar bem devagar. Alguns minutos depois, ele ouve a voz do 
amigo chamando-o da outra cama. Quando se vira e tira o cobertor, v na 
penumbra do quarto os amigos, que levantam os lenis e o convidam para 
junto deles...
 



O excitante encanto da troca

"O swinger  aquela pessoa casada, solteira ou divorciada que, com 
a mente aberta e sem complexos, est disposta a experimentar o sexo em 
suas mltiplas possibilidades".

Algumas palavras entram na moda e adquirem um sentido especfico num 
determinado jargo. Swinger  hoje a palavra mais popular para denominar os 
lugares de troca de casais e de relaes liberais.  uma palavra bem apropriada, 
uma vez que provm do verbo ingls to swing, que significa ritmo ou balano e 
remete  liberdade de movimentos. Por isso, no jargo sexual, o swinger  
aquela pessoa casada, solteira ou divorciada que, com a mente aberta e sem 
complexos, est disposta a experimentar o sexo em suas mltiplas 
possibilidades. Trata-se de um perfil bem determinado:  algum que vive a 
sexualidade de forma natural e com plena liberdade de deciso; dedica-se a 
atividades bastante estimulantes como troca de parceiros, sexo grupal, trios ou 
outras opes preferidas disponveis queles que participam de sesses nesse 
ambiente liberal.
Embora se acredite que o swinging seja praticado principalmente por 
casais estveis, a verdade  que cada vez mais os solteiros e as solteiras 
incorporam ao seu estilo de vida essa estimulante prtica sexual. Quase sempre 
so pessoas que tm uma relao equilibrada e boa consigo mesmas e tambm 
com seus parceiros, quando os tm. Outra caracterstica distintiva  a negao 
absoluta da monotonia e da rotina: frente a esse risco, elas preferem aventurar-
se, liberar-se e buscar novos horizontes sexuais.
Os swingers provocam certa resistncia nos setores tradicionalistas e 
puritanos da sociedade, que os identificam como personagens ligados a bacanais 
e orgias romanas. No entanto, a vida sexual liberal e a troca de casais acabaram 
encontrando um espao aberto e sem restries, de modo que j no so tidas 
como prticas obscuras; em alguns casos, so consideradas at legtimas. Por 
isso  que, atualmente, os clubes de intercmbio, tambm chamados de 
ambientes liberais, so estabelecimentos de lazer totalmente legalizados, nos 
quais se pode desfrutar o sexo com outros casais ou com homens e mulheres 
sozinhos. As instalaes so preparadas para atividades que proporcionam o 
prazer. Todos os espaos contribuem para desenvolver e incrementar o desejo e 
as fantasias erticas. Sempre h um bar onde cada um pode pensar, pelo tempo 
que for necessrio, se quer entrar na zona privada, nas pistas de dana, nos 
quartos em penumbra, nas jacuzzis, nas camas gigantes, nas salas de vdeos 
pornogrficos ou de erotismo. Uma das vantagens desses lugares  a delicadeza 
e o respeito com que se comporta a maioria das pessoas. No  pelo fato de estar 
nesse local que algum vai se dar o direito de obrigar o outro a fazer o que no 
quer,  possvel, ento, participar das atividades sexuais ou apenas olhar e 
deixar para o outro dia.

"Uma grande quantidade de lugares de intercmbio tem sua prpria 
web, onde os seus servios so oferecidos. Para quem deseja ter sua primeira 
experincia, pode ser muito til uma consulta na Internet".

Planejaram tudo no dia anterior: seria naquele local, a dois quarteires 
do trabalho. Camila resolveu vestir o conjunto de malha azul. No final do 
expediente, saem do escritrio e caminham pela avenida at chegar naquela rua 
transversal. Esto alegres e excitados. Entram naquele lugar de ambiente 
liberal e se aproximam do bar para tomar um drinque e dissipar o nervosismo. 
Conversam um pouco com os donos para inteirar-se sobre os clientes que 
freqentam o lugar, at que resolvem passar para a zona privada. No closet, ela 
decide ficar de calcinha e com o suti azul, enquanto ele s pe a toalha que 
pegara na prateleira. E a primeira vez que vo se exibir diante de outras 
pessoas com a evidente inteno de compartilhar o sexo. Entram num grande 
salo com a precauo da incerteza, olhando para todos os lados. A direita, 
uma pista de dana;  esquerda, uma seqncia de sofs. Uma tnue luz ntima 
e agradvel envolve o ambiente. Sentam-se e decidem observar o que se passa 
ao redor. Algumas pessoas esto de roupas ntimas; outras, vestidas. Todos 
parecem  vontade com o prprio corpo e com a situao. A msica  suave e 
sensual. A atmosfera  um convite  paixo serena, crescente. Eles se 
contagiam. Ficam excitados por ver na pista vrios casais que se mexem com 
voluptuosidade enquanto se acariciam sob as roupas. Um dos casais atrai a 
ateno deles. A paixo deixa aquele casal absorto, enquanto um terceiro se 
move com ritmo, tocando a bunda da mulher por cima da saia.  um trio que se 
movimenta no mesmo compasso. Quando eles olham para o outro lado, vem 
um almofado com desenhos rabes e, sobre ele, um casal com roupas ntimas 
se acariciando; ao redor, trs homens esticam as mos e se integram nessas 
carcias sensuais. Camila busca as mos quentes de Gonalo, apalpando-as e 
levando-as at a barriga para se sentir acariciada. Mas eles fazem isso 
lentamente. No querem precipitar-se. Controlam a ansiedade para que o 
prazer se eleve passo a passo. Vo at as acomodaes da jacuzzi, onde se 
deparam com outro casal que brinca sob as guas mornas e borbulhantes.

"A atmosfera  um convite  paixo serena, crescente. Eles se 
contagiam".

Eles se metem na piscina redonda e trocam olhares e sorrisos cmplices. 
Sob a gua, se roam e se tocam. A garota faz com que Camila se incline para 
que um jato de gua se choque contra sua vulva, enquanto acaricia seus seios 
para acompanhar o prazer. Aos poucos os dois homens se unem, e os dois 
casais terminam se acariciando e se beijando. Depois, a garota sai nua da 
piscina, estende-se sobre um dos bancos de madeira e comea a se masturbar. 
Gonalo a segue e aproxima seu pnis duro da boca da garota, que sem dizer 
nada comea a chupar a cabea do pnis com grandes lambidas. Enquanto isso, 
na piscina, Camila se entrelaa em beijos fortes com o homem, ao mesmo tempo 
em que agarra o pnis debaixo da gua e o masturba com a fora de sua 
excitao.
 

Jogos de adultos sem culpas e sem preconceitos

"Nas sex shops e na Internet encontram-se  venda jogos de cartas 
com imagens erticas ou de cubos em cujas faces aparecem palavras como 
tocar, boca, gemido, seios, entre as pernas. Tambm existem jogos de roleta 
que, em vez de nmeros, apresentam instrues para a realizao de prticas 
sexuais".

No sexo grupal observa-se um ponto ldico acima das outras 
manifestaes e prticas sexuais. Os jogos fazem parte do relacionamento entre 
os participantes e so uma boa maneira de quebrar o gelo e despertar o desejo. 
Alguns desses jogos so preparados de antemo, como um tabuleiro com dados 
e um trajeto que apresenta pequenos compartimentos, com instrues sexuais 
especficas para quem chega ali com suas fichas. H tambm baralhos de naipes 
adaptados com figuras que representam posies ou atividades sexuais a serem 
cumpridas durante o jogo. Esses carteados, tanto os espanhis quanto os 
franceses, simbolizam a unio entre o acaso e o sexo, introduzindo adrenalina e 
teso em situaes que muito provavelmente acabam de maneira apaixonada.
O strip poker  um clssico, com mltiplas variveis. O habitual  que o 
perdedor de cada rodada tire uma pea de roupa. Mas pode-se incrementar o 
jogo se o ganhador de cada partida tiver o poder de decidir com quem ter 
alguns minutos de relao sexual antes de seguir o jogo. Existem  disposio 
jogos sexuais bastante imaginativos, cujos prmios podem ter um mximo de 
atrativo: realizar a fantasia sexual do ganhador. Mais alm dessa ardilosa 
inocncia, os jogos podem estimular algum a participar de uma relao sexual 
mltipla, ou simplesmente agregar uma pitada de novas emoes. Eis alguns 
exemplos: colocar num recipiente diversos papeizinhos com diferentes 
propostas, uma das quais pode ser a de fazer um convite ertico a um dos 
integrantes do grupo adversrio, ou ento sortear quem vai passar vinte minutos 
com algum integrante do grupo, sozinho, num quarto em penumbra. At mesmo 
a adaptao do jogo infantil de "fazer girar uma garrafa" pode ser um bom 
comeo de sexo grupal; as pessoas para quem a ponta da garrafa apontar podem 
iniciar o contato sexual.

Doce priso


N
ua, com as mos atadas nas costas e os ps unidos por uma corda na altura dos 
tornozelos, ela est sentada na vegetao abundante junto a uma rvore. Sozinha 
na selva, rodeada pela densa e alta folhagem. O calor e a umidade a deixam 
agoniada. Est suando, agitada. Logo,  sua direita, a ramagem se move. Ela se 
assusta. A sensao de medo sobe por suas costas e se mistura a um inquieto 
prazer. Quem ? Quem ? Agora as folhas se agitam  sua esquerda, mais perto. 
Ela est indefesa e desprotegida. O suor molha seus lbios, seus mamilos e 
percorre o rego de suas ndegas. Ela consegue controlar a situao e, no entanto, 
gosta disso. Espera com ansiedade o prximo movimento. Agora a ramagem se 
agita s suas costas, a poucos centmetros de seu corpo. A sensao  de uma 
presena bem prxima. A excitao transborda. O ar quente de uma respirao 
ansiosa sopra o seu ombro. Seus olhos pulam das rbitas. A adrenalina dispara a 
toda. Ela se vira para olhar... e ento desperta.
Cativeiro e escravido so as definies mais apropriadas para bondage, 
essa palavra inglesa que a princpio denominou uma prtica sexual ligada ao 
sadomasoquismo, mas que posteriormente foi assumida como um jogo por si s. 
Apesar disso, trata-se mais de uma sensao que de uma prtica, e  responsvel 
por muitos sonhos recorrentes  como o descrito no pargrafo anterior , 
embora poucos descubram seu significado inconsciente. s vezes, o que motiva 
essas sensaes so desejos ocultos (sentir-se preso, sem controle, indefeso e  
espera do desconhecido), unidos s novas sensaes de gozo que tais situaes 
podem proporcionar. Em outras ocasies, so certas percepes fsicas 
associadas  presso das amarraduras ou  impotncia para se desatar.
Assumida simplesmente como jogo sexual, a bondage consiste em atar o 
amante, parcial ou totalmente, no apenas para desfrutar a sua imobilizao, mas 
tambm para lev-lo ao xtase com carcias, beijos e outras tcnicas de 
estimulao.
 


Da crueldade oriental  sofisticao ertica

"Durante uma sesso de bondage pode acontecer um intercmbio de 
papis: o atado passa a ser aquele que ata e vice-versa. Assim, os amantes 
agregam um complemento ao jogo de cumplicidades e doces vinganas que se 
faz quando cada um deles assume o controle da situao". 

As amarraduras tm diversos antecedentes, dos quais se tomaram 
exemplos ou se copiaram situaes para representaes sexuais: desde os 
inocentes jogos infantis de ndios e caubis at as algemas que imobilizam os 
detentos. As origens da bondage, no entanto, remontam a muitos sculos atrs. 
Localizam-se na sempre misteriosa cultura japonesa, e a no so precisamente 
agradveis e ldicas. No Japo violento e feudal do sculo XVI, imperava um 
cdigo penal que impunha aos criminosos a tortura e a execuo mediante 
ataduras com cordas em quatro graus crescentes. No primeiro, utilizava-se a 
corda para aoitar os delinqentes; no segundo, eles eram golpeados com cordas 
que tinham uma pedra atada na extremidade; no terceiro, eles tinham a 
circulao do sangue paralisada com o aperto das amarraduras; no quarto grau, 
por fim, eram pendurados com cordas durante vrios dias.

"As primeiras, amarraduras erticas documentadas datam de meados 
do sculo XIX, quando o Japo comea a abrir-se para o mundo ocidental e 
sua cultura seduz uma parte das elites europia e norte-americana".

Entre os sculos XVII e XIX, quando a dinastia Tokugawa manteve o pas 
semi-isolado do resto do mundo, as velhas tradies foram recuperadas. A 
amarradura de cordas deu lugar ao desenvolvimento de uma arte marcial, o 
hobaku-jutsu. O objetivo era capturar e submeter os ladres com o uso de 
cordas. Mas no se tratava nem de armadilhas nem de simples laos, e sim de 
um complexo cdigo no qual as formas das ataduras  e cada n  tinham um 
significado simblico que se aplicava de acordo com a idade, a profisso e a 
classe social do delinqente ou com o crime que ele havia cometido. Quando era 
pendurado ou amarrado na praa do vilarejo, podia-se saber tudo o que ele havia 
feito "lendo os ns e o tipo de corda que o subjugava".
As primeiras amarraduras erticas documentadas datam de meados do 
sculo XIX, quando o Japo comea a abrir-se para o mundo ocidental e sua 
cultura seduz uma parte das elites europia e norte-americana. A bondage, 
ento, abandona seu passado violento e se converte numa sugestiva variante 
ertica, numa doce tortura, deixando de lado o peso das crueldades que lhe 
davam sentido no passado. Hoje em dia  uma prtica consentida entre os 
amantes, com tcnicas e limites claros, que abre um outro caminho para 
aumentar a intensidade da relao sexual.

Lvia chega de carro ao meubl da estrada. Sai do estacionamento 
revelando suas pernas sob a saia justa. Como em todas as sextas, ela  pontual. 
Carrega a bolsa de pele e uma bolsa de papel na mo. Ali esconde a surpresa. 
Passou a semana toda imaginando o cenrio e excitando-se quando a fantasia 
crescia dentro dela. Mrio a espera no corredor. Sobem ao apartamento. 
Intrigado, ele olha a bolsa; ao entrar no quarto sua curiosidade tornar-se maior 
que a discrio e ele pergunta sobre o contedo. Ela sorri e lhe pede para que 
relaxe, que a deixe fazer, que ele vai gostar. Depois, lhe pede que se desnude e 
deite na grande cama. A intriga j comea a surtir efeito. Mrio sente que o 
ardor cresce dentro de si. Ela faz uma cara de doce perversa e tira alguns 
lenos de seda da bolsa misteriosa. Senta-se junto dele e se esfrega suavemente 
pelo peito, pelos braos e desce at a barriga, entretendo-se com uma dana 
sensual sobre o umbigo. Desce um pouco mais, rodeia o pnis quase em ereo 
com um leno e o gira em torno dele. A frico sobre a pele sensvel provoca 
calafrios e gemidos de prazer em Mrio, que se abandona ao jogo. Lvia segue 
o roteiro pr-estabelecido de sua prazerosa tortura: volta a passar o leno entre 
os dedos das mos e logo entre os dedos dos ps de Mrio. O prazer aumenta. 
Os suspiros so profundos. Seu pnis lateja lentamente. Com a mesma lentido, 
Lvia acaricia os braos de Mrio at que os estira para at-los com o leno na 
cabeceira da cama. Primeiro, um pulso, depois o outro; um tornozelo, o outro 
em seguida. Ento, com toda a carga de sensualidade de que  capaz, Lvia lhe 
sussurra que agora o tem  sua merc, que o vai acariciar e o excitar tanto 
quanto ela quiser. Ele est totalmente subjugado. Lvia se afasta da cama para 
iniciar um fino e sensual strip-tease. Mrio est mudo, as palavras no cabem; 
ele desfruta o que v. Depois que termina de se despir, Lvia desliza as mos em 
seu corpo e se acaricia com prazer e deleite. Enfia um dedo na boca e o chupa 
at ench-lo de saliva; em seguido, o leva aos seus mamilos, que se eriam. 
Mrio est  beira do xtase e desfruta contemplando-a de sua imobilidade. Ela 
pe mais lenha no fogo; seu dedo segue viagem para baixo e abre passagem 
entre os lbios da vulva. Os dois desfrutam... Ele no pode se mover nem toc-
la; est to perto, mas to inacessvel quanto se estivesse longe. Quando a 
tenso ertica se torna insuportvel, ela se aproxima e comea a lamber os 
dedos dos ps dele, sobe pela panturrilha, segue por dentro das coxas e rodeia 
as virilhas com a ponta da lngua, at que seus lbios se fundem com a cabea 
do pnis, j a ponto de estalar.

 

Amarraduras para gozar de maneira suave ou intensa

"Alguns acessrios servem para agregar uma pitada diferente de teso 
na amarradura. Existem pulseiras duplas que se adquirem nas sex shops e 
prendem os pulsos nos tornozelos. Uma outra sugesto bem interessante  
combinar as amarraduras com a sensao de ter os olhos e a boca tapados; a 
adrenalina dispara".

O gozo  mtuo. Com as amarraduras, desfrutam tanto quem est 
amarrado como aquele que controla e submete. Para quem se encontra atado, 
no se trata apenas de um exerccio indiferente de abandono  vontade do outro; 
isso se interpreta tambm como um ato de entrega ao amante, com uma grande 
carga de voluptuosidade. Para o parceiro sexual, o estmulo  ter o controle da 
situao e, alm disso, testemunhar o gozo do seu amante. Mas, sem dvida, o 
protagonista do jogo  o que est atado. Sua atitude passiva de deixar-se amarrar 
e ficar imobilizado  merc do outro j o pe excitado.
Essa prtica tambm pode ser combinada com outras formas ldicas 
sexuais: exibir-se, desfrutar enquanto olha, fazer o jogo dos papis ou a clssica 
dominao-submisso, a forma que  tradicionalmente associada com a 
bondage. Talvez por esta ltima vinculao as amarraduras tenham se 
relacionado ao sexo mais rude, orientado no sentido de uma submisso tortuosa. 
Acontece que no tem de ser necessariamente assim;  possvel uni-lo a uma 
idia de sexo afetivo, clido e delicadamente sensual, onde desempenham um 
papel importante o ambiente e o uso de materiais  como a seda  para as 
ataduras. A escolha desses materiais tambm pode resultar numa cena de 
fetichismo, pois em algumas ocasies os amantes tm um estmulo adicional: a 
excitao provocada pelo odor de uma corda, pela textura de um leno ou pelo 
significado oculto das algemas.
Muitas vezes os casais se valem das amarraduras como uma frmula 
"pouco convencional" de estmulo para fugir da rotina rgida, fazer renascer o 
desejo com maior intensidade e vencer as antigas inibies de maneira 
moderada e controlada. No entanto, a repetio do jogo, das ataduras, dos 
materiais utilizados, das posies e dos ns feitos pode transformar essas 
prticas em outra rotina, to logo seja superada a novidade. Por isso mesmo, a 
troca constante das formas e dos comportamentos, um produto do 
inconformismo equilibrado, ser um antdoto contra as relaes repetidas, 
mecnicas e tediosas.

Os jogos sexuais eram pessoais. Fizeram com que a penetrao deixasse 
de ser parte fundamental e nica no relacionamento deles, que no 
representasse tudo. Disso resultou um prazer transformador e mltiplo. Por 
isso, esta noite eles passam muito tempo se acariciando e se beijando por todo o 
corpo, mudando de posies e aumentando gradualmente a excitao. 
Experimentaram a bondage muitas vezes, mas hoje ser diferente. Dolores se 
levanta subitamente da cama e, frente ao gesto de surpresa de Joaquim, pede 
que ele espere por uns segundos, porque logo entender. Pouco depois, ela 
regressa ao quarto com uma longa corda de cnhamo. Sorrindo e sem dizer 
uma palavra, comea a prender os pulsos de Joaquim e depois sobe pelos 
braos, rodeando os cotovelos e passando a corda em torno do peito. Em cada 
giro, esfrega o corpo de Joaquim com a ponta dos dedos numa carcia 
imperceptvel, mas poderosamente sensual. Abaixa a corda at o pbis. A 
frico do cnhamo, a surpresa pela presena das amarraduras e os outros 
jogos preparatrios deixam Joaquim alerta,  beira de uma exploso sexual. 
Dolores continua enrolando as pernas do amante com a corda, unindo-as dos 
quadris at os tornozelos. Ela sussurra com sensualidade no ouvido dele, 
pedindo-lhe que se deixe levar, que confie, pois logo ele ter o mximo de 
prazer. Em cada volta da corda, ela esfrega a ponta da lngua no pedao de 
pele que ficou livre. Pouco a pouco o sorriso de gozo que se delineava nos 
lbios de Joaquim se transforma; sua boca se contrai at que ele solta um grito 
profundo que sai de suas entranhas ao mesmo tempo em que ejacula.

 


O jogo  estar atado e bem atado

"No existem regras fixas para as amarraduras. Elas devem atender 
a necessidade sensual de cada casal de amantes. No se trata de impedir que 
o amante se solte, mas de transmitir a sensao de que isso no  possvel".

H tantos materiais a serem utilizados para atar quanto a capacidade 
inventiva dos prprios amantes. Cordas de cnhamo, de algodo ou de nilon; 
fitas adesivas... Mas tambm se podem usar roupas ou acessrios como gravatas, 
cachecis de l, lenos, echarpes de seda, etc. H ainda outros itens mais 
tradicionais relacionados  imobilizao, como correntes, vendas e algemas de 
couro ou de metal. No existem regras fixas para as amarraduras, elas devem 
atender a necessidade sensual de cada casal de amantes. Uma posio usada com 
freqncia  aquela em que ele ou ela tem os pulsos e os tornozelos atados nas 
extremidades da cama. Mas as variantes so inmeras: s as mos; s os ps; as 
mos na frente ou nas costas (s vezes essa posio fica incmoda porque fora 
os ombros); com as pernas flexionadas ou estiradas; em p, encostado ou 
sentado; atado ao p da mesa, de uma cadeira ou de uma coluna. (Uma posio 
clssica  prender o pulso e o tornozelo direitos de um lado, e o pulso e o 
tornozelo esquerdos, do outro. Tambm se obtm uma sensao especial atando 
apenas um pulso.)
Tudo isso so sugestes. A melhor posio  a que d prazer; portanto, 
trata-se de um jogo de tentativa e erro, at alcanar aquela em que a excitao 
aumenta at onde cada um imaginou, ou quem sabe at alm do que se 
imaginou.
Do mesmo modo, a variedade de ns que se pode usar  muito ampla; no 
entanto,  recomendvel que as amarraduras sejam experimentadas antes, j que 
no se trata apenas de subjugar, mas tambm de saber como se pode desatar com 
rapidez. Geralmente se d um n firme, mas sem muita presso. No se trata de 
impedir que o amante se solte, mas de transmitir a sensao de que isso no  
possvel: uma sensao a que deve estar atento o amante ativo, pois s vezes a 
pessoa amarrada deixa transparecer sinais de algum fastio ou incmodo com as 
amarraduras ou com a posio, o que pode acabar desconfortvel se o jogo 
continuar.
Tal como se afirmou no incio deste captulo, a origem japonesa da 
bondage associa-se a uma antiga arte marcial, da qual se originou a verso atual 
da bondage japonesa, chamada kimbaku ou shibari. Essa prtica dispe de trs 
amarraduras bsicas: o shinju ou bondage de seios; o sakurambo ou bondage de 
nus e genitais; e o karada ou bondage do corpo inteiro. Para realiz-las,  
necessrio conhecer tcnicas especficas e dispor de cordas compridas  entre 
dez e quinze metros  tranadas em fibra de arroz (mais rugosas), de nilon ou 
de algodo.
O kimbaku est geralmente associado ao sadomasoquismo, mas se  feito 
com menos dureza e se criam situaes mais ternas e suaves,  uma alternativa 
de imobilizao mais atrevida que as ataduras de ps e mos.

"As correntes tambm podem ser usadas como um acessrio para 
imobilizar ou para pendurar entre duas amarraduras. O tilintar que seus 
elos produzem ao se chocar e o frio que transmitem no contato coma pele 
agregam sensaes diferentes que ajudam a excitar".

O mesmo sonho mido se repete pelo menos duas vezes por semana. Em 
meio  espessa nvoa daquele mundo irreal, um desconhecido penetra nela com 
firmeza. Enquanto ela goza, fora de si, imediatamente se v imobilizada. O 
homem lhe ps umas algemas de couro que se fecham com uma fivela, de 
maneira que os pulsos de cada lado se unem aos tornozelos. Ela no v o rosto 
do homem, mas sente que todos as partes do seu corpo so acariciadas antes da 
penetrao; as sensaes fazem com que ela atinja o xtase, sem poder se 
mexer. Natlia conta o sonho para Miguel, porque j se transformou na "sua" 
fantasia sexual predileta. Ela est decidida: quer desfrutar ao mximo com seu 
amante no papel do desconhecido. Escolheram esta tarde. A brisa tpida que 
entra pela janela aberta do cmodo alivia o calor de vero e torna a atmosfera 
mais voluptuosa. Os dois esto nus. Miguel no tem as algemas de couro do 
sonho, mas conseguiu alguns cordes de seda que tornam o jogo ainda mais 
sofisticado. Natlia est ansiosa, flexiona a cintura e baixa as mos at os 
tornozelos, como se fizesse um exerccio. Est a ponto de realizar sua fantasia e 
isso a deixa superexcitada. Quando ela se agacha, por trs o amante pode ver 
os lbios inchados e brilhantes de sua vulva. Miguel ata com um n duplo e 
suave o pulso esquerdo, na perna do mesmo lado e lentamente repete a 
operao no pulso e no tornozelo direitos. Depois, venda seus olhos e, com a 
ponta dos dedos, acaricia seu traseiro entre as ndegas, e se deleita com isso. 
Natlia se v invadida pelas mesmas sensaes que sentiu em meio  nvoa 
daquele mundo de sonho. A prostrao do gozo a deixa nas alturas. Ela se d 
conta de que estar amarrada  uma situao natural de prazer. Competindo 
com o desconhecido do sonho, Miguel inventa todas as carcias e beijos 
possveis. Aquele corpo quente e dcil est  sua disposio. Ele toca e desfruta 
cada milmetro; as axilas depiladas e sensveis, os mamilos duros que apontam 
para o solo devido  posio, as pernas firmes em forma de V, em cujo vrtice 
se acha o ncleo do prazer. Ela se entrega. Experimenta a pulsao do pnis 
que evidencia o desejo de Miguel quando ele comea a us-lo como um pincel. 
Com pinceladas curtas e lentas desde o nus at a vulva, ele leva o 
arrebatamento da situao at o auge. Natlia treme as pernas e os braos de 
gozo, perde a noo do tempo e nesse intervalo seus fortes gemidos se 
transformam num grito irreprimvel...

 

O limite do prazer  a segurana

"Muitas posies de bondage que so reproduzidas em fotos ou 
ilustraes, e que acabam sendo atrativas por sua complexidade, no so 
recomendveis quando no se tem um alto domnio da tcnica. Por isso,  
importante no correr riscos desnecessrios em caso de dvida".

Quem  atado confia plenamente na pessoa que ata. O jogo se enraza 
nessa confiana e no prazer que ambas as partes usufruem ao assumir esses 
papis. No entanto, como em todo jogo, existem algumas regras, neste caso 
implcitas, para que no se ultrapasse as fronteiras de risco possveis. Quando 
uma pessoa est imobilizada, ela se v impossibilitada de reagir s situaes 
imprevistas que se apresentam. Desse modo, no  conveniente que fique 
sozinha enquanto estiver amarrada ou algemada, e menos ainda quando est 
amordaada, uma vez que pode se desesperar e ter um princpio de asfixia (j se 
comprovou que isto  muito pouco freqente, mas  melhor prevenir que 
remediar). Tambm vale a pena prestar ateno nos ns: deix-los de maneira a 
poder desat-los com facilidade, sobretudo nas articulaes, e dispor de alguma 
coisa cortante por perto para eventuais complicaes na hora de desatar.  
prefervel no fazer laos e outros tipos de ns corredios ou que se apertem ao 
movimento, pois so incontrolveis e podem oprimir mais que o desejado. Caso 
se usem algemas,  recomendvel uma precauo similar: deixar as chaves por 
perto e  vista. Existem duas aes utilizadas, principalmente na bondage 
japonesa, que podem ser perigosas quando realizadas sem experincia: pendurar 
algum ou passar uma corda em torno do seu pescoo. Como so prticas 
demasiadamente delicadas, convm evit-las.



Gozar, mostrando-se



 imperceptvel. Dura menos de um segundo, mas tornou-se uma cena 
emblemtica do cinema de todos os tempos. A mulher est sentada numa cadeira 
frente a dois policiais que a interrogam. Est de pernas cruzadas. Logo as 
descruza, abre-as e volta a cruzar. Ela est sem calcinhas. Mas isso s se 
pressente. E  o bastante para que disparem a fantasia e a adrenalina. Sharon 
Stone, em Instinto Selvagem, demonstrou a fora que tem a exibio dos genitais 
como energia excitante e atrativa. Seguramente, Sharon despertou a inveja de 
milhares de exibicionistas que secretamente desejaram dispor de tamanha 
audincia para se mostrar.
Desfrutar em ser olhado no  outra coisa seno expor as partes do corpo 
tidas como proibidas pela cultura (s vezes, tambm pela lei) e sentir prazer ao 
fazer isso. Contudo, no  algo to simples e direto. O teso, os pudores, as 
inibies sociais, o desejo e outras condicionantes pessoais orientam a exibio 
para terrenos distintos, com diferentes nveis e diferentes matizes.
A sensao de prazer se manifesta antes de algum se mostrar porque  
carregada de uma excitao prvia, quando se planeja o que se vestir e onde 
ser feito o jogo sexual. E,  claro, culmina com a satisfao plena quando a 
idia segue adiante e se mostra o prprio corpo ou parte dele. Porm, durante o 
seu percurso, o jogo se converte em um rico labirinto de sugestes, gestos, 
insinuaes, dissimulaes, cumplicidades e fascnios, aberto a todo tipo de 
interpretaes.
 


Sobre ritos, oferendas e outros jogos mais espontneos

"A exibio do corpo nu tinha conotaes religiosas e, por isso, no 
existiam barreiras de pudor". 

Despir o corpo diante dos outros tem antecedentes culturais que remontam 
aos povos antigos, dos quais restam muitas peas que reproduzem genitais 
masculinos e femininos como imagens de venerao. Essas imagens no se 
associavam diretamente ao prazer ertico, mas a ritos de fertilidade que faziam 
dos rgos sexuais o centro da ateno, dignos de idolatria como oferenda 
sagrada aos deuses. A exibio do corpo tinha conotaes religiosas e, por isso, 
no existiam barreiras de pudor. Alguns exemplos mais recentes confirmam 
esses costumes: em meados do sculo XIX, antes da extenso e consolidao do 
domnio britnico, os sacerdotes das provncias do sul da ndia percorriam as 
ruas da cidade completamente nus, enquanto as mulheres reverenciavam e 
acariciavam seus pnis como demonstrao de devoo. Atualmente, mulheres 
de vilarejos da metade meridional da frica exibem as ndegas, os seios e a 
vulva durante as cerimnias destinadas a aumentar a fertilidade. Em muitos 
casos, como nas culturas primitivas, a excitao provocada pela exibio do 
corpo nu, ou de uma parte dele,  bastante valorizada por ser tida como um sinal 
de sade que conduz ao objetivo desejado: a procriao.

"As prticas exibicionistas esto relacionadas ao resgate inconsciente 
de sensaes que se percebem com grande intensidade no despertar sexual 
infantil".

Se a histria deixa antecedentes culturais associados ao ambiente social, a 
psicologia desvela as causas vinculadas ao indivduo,  sua conduta e s suas 
reaes. As prticas exibicionistas esto relacionadas ao resgate inconsciente de 
sensaes que se percebem com grande intensidade no despertar sexual infantil: 
os encontros entre amigos nos quais se mostram os genitais como forma de 
conhecimento, ou como parte dos jogos. Tambm esto presentes no prazer de 
olhar um vestgio da ingenuidade e a recuperao da espontaneidade infantil: o 
jogo sexual sem hipocrisia, natural e aberto, na busca de sensaes livres das 
culpas e dos medos acumulados pelos adultos.

"Se acaricia com suavidade, como se tirando o resto de areia fina sobre 
os peitos e depois sobre as coxas. Mas faz isso com uma cadncia lenta".

As sombras se estendem pela areia trrida. A tarde avana e a praia j  
quase um deserto. Ela est com uma tanga preta, deitada de barriga pra baixo 
na espreguiadeira e o olha por cima dos culos escuros, enquanto finge ler um 
livro aberto entre as mos. A uns cinco metros, ele est sentado e olha na 
direo dela, simulando que pretende pegar os ltimos raios de sol do dia. Eles 
se entreolham. No  a primeira vez esta tarde. Mas agora de maneira menos 
disfarada. Eles j se sentem livres, as pessoas ao redor esto indo embora aos 
poucos. Ela percebe que o desconhecido finge cada vez menos e a olha com 
mais insistncia. Animada com esse interesse, ela troca de posio e exibe a sua 
silhueta inteira. Se acaricia com suavidade, como se tirando o resto de areia 
fina sobre os peitos e depois sobre as coxas. Mas faz isso com uma cadncia 
lenta, excitante. Ele no perde detalhe algum. Ela no o olha, atua. Sabe que 
tem um espectador cativo. De repente, ela abre um pouco as pernas. Suas 
entrepernas s esto tapadas por uma estreita franja de tecido e apontam na 
direo do observador. Enquanto finge que ajeita a tanga, ela desliza um dedo 
por baixo contra os lbios da vulva. O contato  fugaz e dissimulado, mas para 
ele no passa despercebido. Todos os movimentos dela so intencionais. Depois 
de passar os dedos pelo nariz, ela o olha abertamente e ele sorri com os olhos 
sedutores... Ela ento se levanta, ajeita a tanga com movimentos lentos e 
sensuais, se exibe para seu "amante" distante e caminha devagar at a gua, 
rebolando exagerada e sedutoramente. Antes de molhar os ps, ela se vira e o 
olha, e sorrindo sustenta o olhar por alguns segundos. Ele entende o convite. 
Sem se apressar, acomoda a ereo do pnis debaixo da sunga, levanta-se e se 
dirige com passos seguros at o mar. No h palavras, ele se aproxima dela, 
que o espera com seus peitos flutuando na superfcie da gua, como um 
convite...
 

Primeiro se gostar, depois se mostrar

"Mostrar-se, e gostar de faz-lo, associa-se com a auto-estima".

"'Eu te mostro, tu me mostras. Este jogo  parte essencial do 
exibicionismo. Ainda que o objetivo seja mostrar o corpo, para que o jogo se 
complete aquele que mostra precisa de um observador ou pelo menos 
imaginar que esse observador est presente e que compartilha os mesmos 
sentimentos com cumplicidade".

Mostrar-se, e gostar de faz-lo,  algo que depende da auto-estima. 
Quando se tem uma boa relao com o prprio corpo desaparecem as inibies, 
os fantasmas da insegurana, e isso gera uma disposio maior para fazer o 
corpo brilhar e seduzir enquanto mostra.
Por outro lado, quando a auto-estima e baixa, aumentam as dificuldades 
para exibir-se e para tomar decises. Particularmente no plano sexual, a pessoa 
se sente bloqueada para solicitar determinadas carcias ao amante, para propor 
algum jogo e para tomar a iniciativa nas relaes sexuais.
A relao de causa e efeito entre um corpo em boa forma e a exibio no 
se estabelece atravs do que normalmente se chama "ter um bom corpo", 
proporcional, e adequado aos cnones da moda. Trata-se de manter uma relao 
de equilbrio consigo prprio; aceitar-se tal como , sentir-se  vontade com o 
prprio corpo e, por conseqncia, agir sem censuras, sem pudores, sem 
inibies. Esse estado de nimo facilita a exibio do corpo, quando se deseja ou 
se tem necessidade de faz-lo, j que se encontra liberado dos preconceitos que 
interferem como uma trava. Isso sem esquecer da cota importante de liberdade 
sexual, imprescindvel para que se leve adiante qualquer atividade ao limite do 
socialmente aceito.

"Ela goza com a inocncia do olhar dele e se deleita, dominando a 
situao".

Todo dia, s dez da manh, toma o mesmo trem. Como no  um horrio 
de pico, h um assento disponvel no vago. Aproveita para estirar-se e ler 
comodamente o jornal. Na primeira estao sobem quatro pessoas. Uma 
mulher, que no lhe chama muito a ateno, se senta defronte a ele. Por cima 
da folha, v apenas a cabea e o cabelo ruivo dela. Embora esteja concentrado 
na leitura, a intuio o faz abaixar ligeira e dissimuladamente o jornal, e assim 
d com os olhos dela que o olham fixamente. Em seguida, desvia o olhar e 
levanta o jornal, mas se sente perturbado; a leitura j no  prioritria. Sua 
ateno se concentra nesse olhar inquietante. Finge que troca de pgina e 
aproveita para observar essa companheira de viagem, que est com um leve e 
seguro sorriso delineado na face. Na terceira vez que a olha, ela faz um gesto 
com os olhos:  uma mensagem clara. Olha-o e depois abaixa o olhar, como 
que indicando o caminho. Ele demora um pouco para entender, mas logo segue 
o trajeto imaginrio traado pelo olhar dela e se depara com os joelhos 
separados deixando entrever um tnel sombreado entre as coxas. Quando se d 
conta de que seu vizinho de trem atinge o objetivo com os olhos, ela se mexe 
para acomodar-se no assento, recolhe um pouco a saia e faz com que suas 
pernas fiquem no ngulo perfeito para que ele enxergue, no fim do tnel, as 
inconfundveis pregas de sua vulva excitada. Ele fica sem jeito. No sabe o que 
fazer nessa situao; nunca passou por isso. Ela goza com a inocncia do olhar 
dele e se deleita, dominando a situao.
Ele levanta e baixa a vista como que atrado por aquele im entre as 
pernas dela. Repetem o jogo vrias vezes, enquanto ela molha os lbios com a 
ponta da lngua. Finalmente, quando o trem diminui a marcha, ela sorri para 
ele e levanta-se para descer na prxima estao. Ele se sente indeciso por um 
instante. Quando as portas se abrem e ela desaparece na plataforma da 
estao, ele se apressa e tambm desce; ela est  espera, com desejo e jbilo 
diante de sua cara de rapaz inexperiente.

*     *     *

Chegam ao hotel e na recepo quem os atende  uma mulher de uns 35 
anos, beleza serena e olhos expressivos, com um jrsei decotado que reala seus 
ombros e seu pescoo comprido e sedutor. Martin no consegue deixar de se 
distrair, olhando-a. Lorena no compartilha o momento: procura cigarros em 
sua bolsa. A recepcionista lhe sorri levemente, com um trejeito cmplice, 
inquietante. Martin mantm essa imagem gravada enquanto sobe a escada na 
companhia da amante. Ao entrar no aposento, ele parece ausente. Sua mente se 
entretm, por alguns minutos mais, a trinta degraus abaixo. Lorena o traz para 
a realidade: est mais ativa que de costume, lhe abraa e lhe d um beijo 
apaixonado enquanto acaricia o peito. Entrelaados nessas carcias intensas, 
caem sobre a cama. Lorena toma a iniciativa: tira a camisa dele, desabotoa a 
cala e o vira de barriga para cima para lamber seu peito. Ele olha o teto e 
descobre um pequeno orifcio circular; perfeito, como se feito por uma 
furadeira. Sua imaginao dispara. No sabe se o que v  real ou se quer ver o 
que imagina. Ele nota que atrs do orifcio, de repente, surge um ponto 
luminoso que em seguida se cobre por algo escuro. Um olho, supe. Algum 
est espiando. Deve ser ela, pensa. Enquanto isso, guiada pelo desejo, Lorena 
tira a blusa e o suti; enquanto seus seios redondos esfregam as coxas de 
Martin, brinca com o pnis duro: acaricia-o e o chupa com gosto. Martin se 
entrega; sua mente se concentra no buraco. Aquela fico incerta o estimula. 
Pensa que, se  ela que est olhando, ento deve estar excitada com a cena e a 
respirao dela vai ficar cada vez mais agitada, e com isso ter de se manter em 
silncio para no ser descoberta. Somente ele compartilha o segredo daquela 
mulher. A mente de Martin est ocupada e obcecada pela viso da recepcionista 
imaginria, que, segundo o que ele imagina, nesse exato momento deve estar 
acariciando o prprio corpo enquanto olha pelo buraco. Martin est em cima 
de Lorena e morde o pescoo dela; sabe que nessa posio se v tudo do teto, 
como se estivesse gravando com uma cmera. Seus ombros, suas costas, sua 
bunda, todo o seu corpo se exibe para estimular aquela desconhecida e para 
aumentar cada vez mais o seu prprio desejo. De repente, ele olha para cima. 
Como se para dizer alguma coisa a ela, pega Lorena pelos ombros, levanta as 
pernas dela e penetra, com a surpresa agradvel e os gritos apaixonados de sua 
amante. Ele sabe que a cena que ofereceu quela mulher deve ter feito com que 
ela se masturbasse por trs daquela parede fina, a dois metros de sua cama. 
Certamente existe uma conexo fantstica entre ambos: cada investida furiosa 
de seus quadris, cada gemido de Lorena, aplaca os gritos da masturbao com 
que ela se deleita no mesmo ritmo do casal. A imaginao de Martin galopa: 
ela  a musa de sua excitao; aqueles olhos que o contemplam misteriosamente 
reclamam a urgncia de um orgasmo. Ele oferece tudo o que ela quer ver para 
tambm atingir o xtase.

 


Com roupa ou sem roupa, a questo  exibir-se

"As colnias e as praias de nudismo no so lugares de exibicionismo. 
Confundir esse tipo de situao com intenes sensuais  um grande erro. A 
nudez que a ocorre no implica em qualquer jogo sexual e, portanto, est 
desprovida de qualquer erotismo. A nudez praticada por esses grupos 
associa-se a outros valores, como viver mais prximo da natureza e em 
consonncia com ela". 

"Exibir-se supe, ento, uma dupla sensao: mostrar-se e ao mesmo 
tempo sentir-se observada e desejada".

Existem formas, momentos e matizes para despir o corpo de forma total 
ou parcial, e gozar ao faz-lo. Na intimidade do casal, isso se d como um jogo 
preliminar com um efeito de seduo, desde o strip-tease premeditado em suas 
mltiplas formas at a exibio de todo o corpo ou a insinuao ertica de uma 
nica parte, como que por acaso, para provocar o parceiro. Exibir-se supe, 
ento, uma dupla sensao: mostrar-se e ao mesmo tempo sentir-se observada e 
desejada. Quando uma pessoa realiza a cerimnia de desnudamento diante do 
parceiro, obtm um grande prazer ertico: de maneira sugestiva, tira a roupa 
pea por pea, concentrando toda a ateno do parceiro. Mostra um ombro, um 
seio, revela-se em posturas voluptuosas... ao mesmo tempo, escuta o que diz o 
amante. O clima sexual desencadeado por essa pessoa  o que alimenta o 
ambiente de sensualidade.

"Essa frmula de contemplao no consentida do prprio corpo 
seminu tambm  um fator excitante de alta voltagem".

O prazer produzido pela ansiedade dispara a adrenalina com a deciso de 
ir mais alm, de dar este passo transgressor: desnudar-se de maneira total ou 
parcial diante de uma janela, em alguma varanda ou em espaos naturais 
aparentemente pouco freqentados, como as margens de um rio, uma clareira no 
bosque ou um monte nas cercanias de um vilarejo. So lugares escolhidos por 
muitos casais para ter relaes sexuais em contato com a natureza, e tambm 
para jogar com o risco de se deixar ver por olhares ocasionais, o que 
potencializa o desejo deles. De um modo ou de outro, na pior das hipteses, 
quem se exibe joga consigo mesmo: imagina que algum o v ou se expe 
apenas o suficiente para que algum o observe, mesmo que seja de longe. Essa 
frmula de contemplao no consentida do prprio corpo seminu tambm  um 
fator excitante de alta voltagem.
A despeito das situaes descritas, na realidade no  assim to necessrio 
se despir para se mostrar. Exibir-se tambm  vestir uma roupa justa o bastante 
para ressaltar a bunda e os seios, ou uma cala que reala a forma dos lbios da 
vulva; pr peas transparentes que deixam transparecer o corpo nu ou echarpes 
insinuantes e chamativas; brilhar com decotes profundos, abrindo caminho para 
seios sem suti que danam e escapolem sob a blusa, onde se adivinham a 
sombra e o contorno dos mamilos. Entre os homens acontece algo similar: 
alguns sentem um prazer especial em mostrar o peito peludo, deixando de forma 
estudada alguns botes da camisa abertos; outros usam camisetas bem justas, 
com mangas curtas e apertadas que ressaltam os bceps; outros vestem calas 
justas que acentuam o traseiro e o volume do pnis. Todas essas formas de se 
vestir so marcadamente exibicionistas e se enquadram nos padres socialmente 
aceitos; ou seja, no tm uma conotao negativa na opinio geral, como ocorre 
quando o exibicionismo faz parte de prticas sexuais.

"Desde ento, de maneira sistemtica, quando ela o atende no balco, 
aparece com dois botes de sua blusa branca desabotoados, deixando entrever 
o suti".

Todas as tardes ele vai tomar caf no mesmo bar, nas proximidades do 
escritrio. Andr trabalha no centro da cidade e aquele lugar aconchegante e 
silencioso  um osis em meio  loucura. Ela sempre o atende, Janana, a 
balconista morena, simptica, com expresso e gestos ingnuos. Com o passar 
dos dias, eles se reconhecem, de modo que j podem conversar: o tempo, o 
trabalho, comentrios frvolos, algumas piadas. Poucos dias atrs, no entanto, 
ele notou um gesto que na hora pareceu casual porque fazia calor, mas que 
depois se repetiu seguidamente. Desde ento, de maneira sistemtica, quando 
ela o atende no balco, aparece com dois botes de sua blusa branca 
desabotoados, deixando entrever o suti. Andr entra no jogo e participa; para 
mostrar isso, diz que o suti  bonito. De modo bem natural, ela fala que o 
marido tambm gosta e, enquanto seca algumas xcaras, comenta que tem mais 
de quinze sutis, muitos deles bastante sensuais. Ele no entende bem o que est 
havendo, mas gosta disso. No dia seguinte, ela diz para Andr que contou ao 
marido que um cliente do bar tinha elogiado seu suti. E que o marido havia 
pedido detalhes: se ela o havia mostrado e como, se era espiada ou no. E que  
medida que ela contava, os dois se excitaram e acabaram fazendo um sexo 
intenso naquela noite. Andr estava em outra dimenso, abria-se um novo 
panorama. Ele tambm se excitava participando do jogo, um jogo que se foi 
avivando e incandescendo dia aps dia. A cada jornada, ela surge com 
novidades. Desabotoa o vestido e deixa Andr ver sua coxa inteira quando ele 
se debrua um pouco sobre o bar, avisa que vai se agachar para limpar o p da 
mesa de modo que ele possa ver sua calcinha quando ningum est olhando na 
direo deles. E isso acontece todos os dias, com o detalhe excitante do relato 
que ela faz de como esto evoluindo suas relaes com o marido. Andr olha e 
cala. As regras so claras: olha-se, mas sem tocar. Mostra-se, mas sem tocar. O 
encontro  cada vez mais estimulante porque ambos esperam por esse momento 
ntimo naquele lugar pblico, onde os clientes ignoram aquela relao especial. 
Hoje ele chega mais tarde que o habitual, conforme haviam combinado. Est 
quase na hora de fechar, e ele se senta no balco com o ltimo caf. Ela sai 
detrs do balco, abre uma porta com o aviso "privado" e a deixa entreaberta. 
Ele tem uma viso privilegiada. Ento, lentamente ela comea a tirar a roupa 
de trabalho; solta o suti e o desliza suavemente pelos ombros, at que os seios 
aparecem; depois se vira e tira a calcinha. Em seguida, bem devagar, ela veste 
uma outra calcinha vermelha mais provocante e um suti da mesma cor. 
Quando acaba de vestir-se, entre suspiros ela diz que est com pressa, que 
amanh eles se falam, que est precisando do marido... Mas que outra manh...



 
Os cenrios para mostrar-se so insondveis

"Os lugares de troca de casais ou de sexo grupal so ideais para soltar 
as rdeas de todo tipo de exibicionismo. Sem inibies, pode-se exibir o corpo 
nu ao parceiro e a outras pessoas, tentar seduzir outros integrantes do grupo 
atravs de sua exibio, ou mesmo entregar-se ao coito enquanto outros 
olham".

Os cenrios teatrais so a inspirao, e os atores, os dolos secretos dos 
exibicionistas, j que eles podem mostrar o corpo "impunemente", na medida em 
que seu trabalho consiste em exibir-se. Assim, a procura de cenrios para a 
exibio  importante porque carrega consigo uma carga ertica particular: 
renova as sensaes e ser emoes inditas.
Alguns lugares so mais excitantes para exibir-se que outros. J 
comentamos certas preferncias pelos espaos naturais; no entanto, as pessoas 
que gostam de ser vistas, seja por desconhecidos ou pelo companheiro, muitas 
vezes cultivam o teso exibindo-se em lugares pblicos e bem movimentados: 
meios de transporte como metr, nibus ou trem, por exemplo, tm o atrativo a 
mais do movimento; outras preferem teatros, bares, ginsios ou lojas, onde as 
cabines oferecem uma oportunidade nica e espontnea para desnudar-se e 
mostrar-se, sem incorrer em atos pblicos censurveis. Na maioria dos casos 
interfere o fator risco: ser descoberto por outras pessoas, quando os gestos so 
destinados ao casal ou a um observador em particular, ou a possibilidade de uma 
reao inesperada  tudo isso gera uma carga de tenso extra que d maior 
emoo ao jogo e eleva a qualidade do desejo. Sem renunciar a esses cenrios, 
tem gente que gosta de se mostrar em lugares onde se pratica sexo grupal, 
envolvidos por um clima abertamente sexual.
Um outro tipo de teso ocorre com a transmisso de imagens por 
webcams atravs da Internet. Fazer strip-tease ante a cmera; exibir-se 
parcialmente de forma sedutora ante um interlocutor do outro lado da tela do 
computador acarreta o mximo de teso em condies seguras e ntimas. Em 
alguns casos, inclusive, essa demonstrao se faz para uma nica pessoa 
desconhecida com quem se estabelece uma relao via chat, mas em outros 
casos se lana uma imagem na rede sem saber se ela ser captada por milhes de 
pessoas pelo mundo. Imaginar que o ciberespao  habitado por pessoas de 
carne e osso, que vo olhar e desfrutar enquanto olham, aumenta ainda mais a 
sensao de prazer: s essa idia j detona e estimula a libido de quem se mostra 
diante de uma webcam em sua prpria casa.
O desejo tambm pode ser estimulado mediante um objetivo; existem 
aqueles que preferem gravar seu corpo nu com uma cmera de vdeo para 
mostr-lo ao parceiro ou para projet-lo enquanto eles mantm relaes sexuais. 
Essas pessoas se exibem e desfrutam com a fantasia de que, por trs daquela 
lente, para a qual atuam com voluptuosidade, algum as observa.



Dor e prazer


C
omo expressar a idia de que a violncia ser prazer? Como dizer que a 
agressividade provoca excitao sexual? Como explicar um assunto to delicado 
sem que algum o associe com algum desvio psicolgico, ou que alguma infeliz 
interpretao politicamente correta desqualifique o argumento? Como evitar que 
o fantasma da violncia contra a mulher seja utilizado para confundir, por 
excesso de zelo, um delito com um simples jogo sexual consentido?
Na vida social, dor e prazer no se tocam. So duas sensaes 
independentes. So consideradas emoes opostas. Quem sofre uma dor no 
pode experimentar o prazer, e quem goza no o faz atravs da dor. Isso porque 
no mundo das leis morais, dos pudores e das aparncias, ningum admite que os 
caminhos da dor e do prazer podem se encontrar. Pelo menos publicamente. No 
entanto, na dimenso privada, na intimidade desinibida dos amantes, onde sem 
qualquer vergonha se mostram os corpos nus e o sexo  um territrio livre e sem 
fronteiras que pode ser percorrido, muitas vezes a dor e o prazer se entrelaam 
no destino das pessoas. Elas constroem um cdigo ntimo de cumplicidade 
extremamente livre, no qual um arranho significa desejo; uma mordida, 
excitao; um tapa, luxria desenfreada; um belisco, uma doce descarga 
dolorosa, e um insulto (o incio da dor psicolgica), a provocao mais 
arrebatadora. Violncia limitada e aceita. Agressividade positiva e controlada, 
com o nico objetivo de sentir e fazer sentir satisfao. So recursos que 
potencializam o desejo e aumentam o gozo. Embora sejam inconfessveis.



A adrenalina e as tcnicas orientais

"Os mamilos, tanto no homem como na mulher, precisam ser 
estimulados, acariciados, lambidos, apertados e em alguns casos beliscados 
para aumentar a sensibilidade e tambm para que se desenvolvam. Muitos 
homens afirmam que no possuem sensibilidade nessa parte do corpo, mas 
geralmente isso ocorre porque ela  pouco estimulada". 

A adrenalina  uma substncia que o corpo produz para se pr em estado 
de alerta mximo quando h ameaas externas; ele se concentra nesse risco e 
prepara todos os sentidos para a deciso: defender-se ou fugir. A reao  o 
medo. Essa substncia tambm  um dos principais responsveis pelo 
entrelaamento da dor com o prazer. Embora a referncia qumica parea pouco 
excitante, a verdade  que as sensaes se confundem quando disparam os 
estmulos que produzem a liberao de adrenalina no corpo. Na realidade, o 
orgasmo no sabe se  o caso de um jogo ou de um perigo real, mas reage da 
mesma maneira: excitando-se.
No jogo sexual, onde se incluem mordidas, palmadas na bunda ou 
belisces que acarretam uma pequena dor, o corpo entende que deve ficar alerta, 
porque esses estmulos assim o pedem, gerando um estado de forte emoo e 
tenso. Encarregada de discernir entre o danoso e o agradvel, a mente 
transforma a sensao de medo, que  ligeiramente dolorosa, em satisfao e 
prazer.

"Os arranhes so considerados carcias capazes de despertar fortes 
paixes".

O mais antigo livro de tcnicas de amor e sexualidade, o Kama Sutra, j 
registra muitos dos chamados "golpes de amor", como os arranhes, as mordidas 
e as palmadas. Em cada caso, ele os classifica de maneiras diferentes: se devem 
ser feitos com a mo aberta ou fechada, com a palma ou o dorso da mo, as 
reas que podem ser golpeadas e tambm se os golpes devem ser dados pelo 
homem na mulher (Karatadana) ou vice-versa (Sitkreutoddesha). Com a mesma 
meticulosidade descrevem-se as mordidas, onde a intensidade, a durao e a 
parte do corpo de sua aplicao so muito importantes. Alm das partes 
ergenas clssicas do corpo, destaca-se a parte interna do lbio inferior como 
um ponto altamente sensvel para receber essas mordidas.
Os arranhes so considerados carcias capazes de despertar fortes 
paixes e se produzem de diferentes maneiras: desde os arranhes tradicionais, 
arrastando-se as unhas com uma presso moderada sobre a pele do amante, at a 
brincadeira de crav-las em determinadas partes do corpo: o peito, a face, a parte 
interna da coxa, a bunda... Tambm se sugerem arranhes em "pinceladas" como 
de quem pinta, arrastando as unhas e invertendo diversas vezes a direo para 
variar os estmulos.

Ao entrar no hotel, Clara sente o rosto ardendo de ansiedade. Est 
abraada com Nicolas, um quase desconhecido que at poucas horas atrs no 
passava de um nick no Messenger. Agora est a ponto de realizar o momento 
mais prazeroso dos ltimos tempos. Clara se lembra de que Nico a fazia gozar 
com seus desempenhos na frente da tela do computador. Fazia algum tempo que 
estava sozinha e sem sexo. E se perguntava se aquilo duraria muito. Mas esse 
tipo de conjectura s a deixava inquieta e excitada. Tinha se masturbado frente 
ao computador, mas queria mais. Quando ele props ir a um hotel, ela percebeu 
que era sua grande chance. E agora est entrando no quarto com a imagem de 
mil fantasias; a paixo com que ele ameaava arranhar suas costas com as 
unhas ou esmerar-se em palmadas que afogueariam sua pele de vermelho. To 
logo tem Clara  frente, Nico no perde tempo: beija-a com fora, explorando 
com a lngua a boca da amante, e morde o lbio inferior at que ela suspira. 
Nesse momento, ela se v invadida por uma onda de calor e tira a camisa dele 
de uma tacada s. Arrebenta os botes, abraa-o novamente e crava as unhas 
em suas costas. Agora  ele quem se dobra de prazer. E responde. Tira a roupa 
dela rapidamente, sem rodeios. Em poucos segundos, ela est exposta diante do 
amante e diz que quer fazer j e com fora.  Livre de suas calas, ele a levanta 
pelas ndegas de maneira que ela se entrelace em sua cintura com as pernas, 
enquanto ele a penetra. No lhe d trguas; morde os mamilos e ela inclina a 
cabea para trs e se deixa levar pelo desejo. Nicolas se agita, mas no perde o 
controle. Estica a mo, pega a gravata com ns no sof e comea a aoit-la no 
traseiro e nas costas. Diversas vezes. Ela recebe isso com surpresa. A cada 
aoite, reage com um gemido ainda mais forte. Pede mais e se agita sobre o 
pnis com um sobe e desce duro e rpido. Sabe que est prximo um orgasmo 
explosivo e violento. Ela quer ser mais aoitada, quer sentir essa descarga de 
dor prazerosa, arrebatadora, enquanto suas unhas se cravam nos braos dele 
como se fosse uma ave de rapina capturando a presa...

 

Sade, o precursor das palmadas

"Suave e intenso. Nessa alternncia est o gozo. Isto significa que 
depois de cada mordida, de cada palmada ou arranho, convm fazer uma 
carcia ou dar uma lambida. Os estmulos se potencializam com essa 
variao. Por outro lado, a repetio de um mesmo tipo de estmulo, inclusive 
em intensidade, traz o hbito e limita as sensaes".

Os jogos de dor e prazer se popularizaram na cultura ocidental com 
Donatien Alphonse Franois, o marqus de Sade. Esse nobre francs deixou em 
livros a marca de seu pensamento e de sua vida sexual agitada, que curiosamente 
se desenvolveu durante um perodo mais que efervescente na histria da Frana. 
Suas histrias sexuais pessoais e literrias atravessaram os ltimos anos do 
decadente reinado de Lus XVI, a Revoluo Francesa de 1789 e, 
posteriormente, o imprio napolenico. O marqus de Sade legou um tipo de 
conduta absolutamente transgressora, onde o castigo e a dor serviam de base ao 
gozo e aos prazeres ocultos e inconfessveis, em sua poca (e tambm na atual).
Dois sculos depois, a essncia desse tipo de prazer permanece. 
Atualmente, esses jogos sexuais de agressividade fsica transgressora fazem 
parte do imaginrio de muitos casais de amantes. E muita gente os pe em 
prtica. Em geral, fazem isso quando a excitao j comeou a crescer, pois com 
a sensibilidade em alta, uma sonora palmada no traseiro irrita a pele, deixando-a 
avermelhada e produzindo um ardor agradvel. Alm disso, agrega adrenalina, e 
isso ajuda o casal a se aproximar um pouco mais do clmax. Ocorre algo 
parecido com belisces em zonas ergenas como os mamilos ou as ndegas. 
No se trata de machucar ou provocar dor, mas apenas de transmitir a sensao. 
Quando os dedos retorcem ligeiramente a pele, o que se busca  deslocar a 
ateno para essa parte do corpo, e isso repercute como um eco nas zonas mais 
sensveis.

O dia foi to estafante que, em sua mente, se desenha uma banheira 
fumegante e aromatizada e um silncio ntimo, s interrompido pelo salpicar da 
gua caindo.  um sonho simples de se realizar. A primeira coisa que faz ao 
chegar em casa  abrir a torneira para encher a banheira, depois pe um CD de 
Boccherini e volta ao banheiro para derramar na gua sais aromticos que 
rapidamente inundam a atmosfera com seu penetrante aroma. Submerge nesse 
paraso aqutico e quente; relaxa, estira-se e sente em cada poro da pele o 
balano da gua quente em seu corpo, em seus msculos esgotados. Pouco a 
pouco as sensaes se transformam. Recupera a vitalidade, se solta. Primeiro 
passa a suave esponja pelos braos e coxas, depois toca o corpo com as mos. 
Esto cheias de gel e logo ele ensaboa o peito, a barriga e o pbis, at que 
segura o pnis e um calafrio de prazer o faz fechar de novo os olhos. Ao ritmo 
da msica de cordas, suas mos resvalam no pnis de cima para baixo, como se 
no fossem suas. De repente, sente um outro mpeto; uma das mos abandona o 
membro e se dirige ao peito, pega um mamilo e o belisca uma e outra vez. Ele 
se contorce, um trao de dor contida de prazer fugaz passa rpido pelo seu 
rosto. Sua imaginao comea a iluminar uma silhueta irreconhecvel, 
enquanto sua mo ensaboada segue agitando o falo, cada vez mais duro. A 
excitao avana em descargas. Acompanha os contrapontos da msica. Sua 
mo direita movimenta a pele molhada e esticada do pnis e a esquerda reage, 
beliscando a pele sensvel das coxas. Ele se sente agitado, asfixiado. A 
velocidade aumenta e, junto a ela, a freqncia dos belisces. Agora nos 
braos, e depois novamente nos mamilos duros e nas ndegas. Cada descarga  
um degrau para cima.  a escalada de uma paixo solitria e dolorosa. Mas ele 
se d conta de que esse castigo sublime o encanta, at que um ltimo belisco o 
leva  descarga final enquanto imagina que suas mos so daquela 
desconhecida que viu pela manh na ponte area.





Diferentes aoites e mordidas

"Se um dos amantes, ou ambos, est comprometido com outro 
relacionamento, convm tomar cuidado para no deixar marcas, ou deix-
las em lugares escondidos, como uma lembrana ertica secreta. Neste caso, a 
despeito do tempo transcorrido, as marcas so capazes de evocar a paixo 
que as provocou".

As mordidas, por outro lado, devem ser mais medidas.  aconselhvel no 
d-las quando a excitao  muita, porque  mais difcil controlar a fora das 
mandbulas e se pode machucar bastante o outro. As mordidas durante as 
brincadeiras preliminares, sobretudo em zonas como o peito, a vulva ou o pnis, 
costumam aumentar o teso. Ocorre uma sensao contraditria, uma vez que 
quem recebe a mordida confia no seu amante, mas nem por isso deixa de ter 
uma dvida, o medo de ser agredido. Esse medo acaba sendo o motor positivo 
que libera a adrenalina excitante.
A utilizao de acessrios alheios ao corpo para golpear ou aoitar, como 
cintos de couro ou toalhas, pressupe um cuidado a mais. A regra geral  que 
quando esses acessrios so compridos,  necessrio calcular muito bem antes 
de golpear e ter alguma prtica para faz-lo. Alguns efeitos so indesejados. A 
inteno pode ser golpear as ndegas, mas s vezes a extremidade do acessrio 
funciona como um chicote e, assim, atinge um ponto distante vinte centmetros 
do esperado, causando danos aos genitais. Ou ento a inteno  golpear as 
costas, mas o chicote pode atingir sem querer o rosto ou o peito. E esse dano 
ocasional e inesperado provoca um resultado exatamente oposto ao desejado, 
com uma dor excessiva que desconcentra e abala a motivao.
Levando em conta que no existem regras fixas, nem sempre a 
agressividade deve ser exercida pelo mesmo membro do casal.  uma questo 
de estado de nimo. Pode-se, ento, fazer um revezamento dos papis de 
castigado e castigador, ou alternar-se os papis em cada sesso de sexo com dor 
e prazer. Alguns casais tm esses papis fixos, simplesmente porque aquele que 
proporciona dor encontra prazer nessa ao, assim como quem recebe o castigo 
se satisfaz com isso.
De todo modo, o gozo atravs da dor tambm pode ser considerado um 
prazer solitrio, se assim se desejar. A vantagem da dor causada a si mesmo 
durante as masturbaes  que a prpria pessoa pode regular a intensidade, de 
acordo com seus limites.



Jogo de papis


A
 Lord Chamberlain's, companhia teatral de William Shakespeare, era quem 
distribua sonhos pela Inglaterra do sculo XVI. Eram tempos curiosos aqueles 
em que a rainha Elizabeth reinava e mandava, quando as mulheres eram 
proibidas de subir ao palco. Shakespeare escrevia para os homens. Eles  que 
interpretavam os papis femininos, com roupas e perucas adequadas. A pouca 
sensualidade que tinham contrastava, no entanto, com a curiosidade sexual 
gerada por suas interpretaes e com as muitas fantasias heterossexuais e 
homossexuais que despertavam. Somente um sculo depois  que as mulheres 
subiram aos palcos... e no s neles. Veneza foi o bero. Nessa cidade mgica, 
onde confluam a cultura, a arte e os comerciantes mais poderosos, desenvolveu-
se o erotismo das vestimentas e dos disfarces; a sensualidade transformou-se em 
enigma, com o jogo sexual das mscaras carnavalescas e das intrigas secretas e 
inconfessveis. Na Veneza de Giacomo Casanova, o amante universal, 
alcanou-se o mximo de sofisticao no jogo de papis, onde a seduo e o 
estmulo para o prazer se mesclavam com o teso de elaborar ambientes e adotar 
personalidades fictcias. Aquele contexto talvez tenha sido o precursor do atual 
rol playing, ou jogo de papis.


O estmulo se acha na pele do personagem

"Atravs da Internet podem-se encontrar casais ou parceiros para 
jogos de papis.  possvel negociar at mesmo os personagens e o enredo da 
histria, por meio de um dilogo no computador e com uma webcam".

No sculo XXI, a interpretao de papis na intimidade dos amantes 
apresenta um objetivo sexual manifesto e evidente. No rol playing participam 
habitualmente duas pessoas, que elaboram um dilogo fictcio ou que 
interpretam papis complementares numa fico histrinica, a fim de ampliar o 
desejo e a excitao. Ao escolher os personagens que sero interpretados, os 
amantes se inspiram nos mais variados temas, de lembranas de infncia at 
situaes lascivas no realizadas, cenas sexuais guardadas na memria ou 
fantasias infantis. Em qualquer caso, todas essas diferentes motivaes apontam 
para o mesmo propsito: despertar o maior teso possvel. Um casal pode 
brincar de mdico e enfermeira, modelo e fotgrafo, professora e aluno, entre 
muitas outras relaes complementares que reproduzem situaes excitantes. O 
objetivo  que os amantes possam explorar o sexo para alm dos limites da 
rotina cotidiana e encontrar cenrios ldicos, que provoquem novos estmulos.
So sete da noite e muita gente sai do trabalho. Viviane passeia inquieta 
numa esquina movimentada; tem na mo uma pasta com duas folhas em branco. 
Alguns minutos depois, chega Alexandre; a partir da, o combinado  que ele 
seja um autntico desconhecido. Ela o detm e pergunta se pode fazer uma 
entrevista de uns poucos minutos, ali mesmo, de p em plena rua. Ele concorda 
e ela diz que o assunto  "gostos sexuais". Alexandre se mostra um pouco 
indeciso; ela faz alguns trejeitos sedutores e ele assente. Viviane comea o 
interrogatrio com certa timidez, indagando se ele gosta de sexo oral, como e 
onde prefere que isso seja feito; qual  sua posio sexual preferida; se ele tem 
lugares prediletos para os jogos sexuais. Cada pergunta e cada resposta do 
margem para que eles interpretem o papel de desconhecidos que se acendem 
com a conversa. Falar desses temas na calada, com outras pessoas passando to 
prximas produz uma atmosfera ntima de cumplicidade e excitao. Mas eles 
continuam se comportando como verdadeiros desconhecidos. Ela  insistente e 
cada vez mais atrevida nas perguntas: se ele faz uso da lngua para agradar a 
amante; quer que ele d detalhes... que opine sobre sexo anal. A certa altura, 
como nos melhores jogos de seduo, ele prope explicar suas experincias e 
gostos pondo-os em prtica. Ela se mostra acessvel, j faz algum tempo que 
est se contendo porque o jogo dos desconhecidos a faz reprimir uma paixo 
agora incontrolvel. Eles vo para um hotel e reservam um quarto, mas 
continuam agindo como duas pessoas que acabam de se conhecer. Ela diz para 
ele se preparar porque a entrevista lhe deu alguma vantagem: conhece os gostos 
dele, sabe como satisfaz-lo e est mais que disposta a demonstr-lo...


Os amantes preferem disfarces com alma ertica

"Os personagens eleitos pelos casais para o jogo geralmente recolhem 
sensaes, sopros do passado que deixaram um rastro ertico.

Os personagens eleitos pelos casais para o jogo geralmente recolhem 
sensaes, sopros do passado que deixaram um rastro ertico. Conexes 
distantes com a infncia vinculam-se a figuras que produzem atrao, muitas 
associadas  autoridade, como bombeiros, policiais, mdicos e enfermeiras. Ou 
ento assume-se alguma profisso ou atividade idealizada durante a infncia, 
mas que nunca se desenvolveu e flutuou com uma carga extra de sensaes que 
persiste na memria como uma funo pendente: caminhoneiro, camareira, 
msico, ladro, professora... Ou ainda determinadas roupas e uniformes que 
implicam na realizao de um papel e no exerccio de uma atitude em particular. 
No se trata apenas de vestir roupas de marinheiro, esportista, bailarina ou 
gueixa, mas do que elas significam para os amantes, da alma ertica que 
carregam sob os disfarces e da fascinao de seus efeitos afrodisacos.

"A rotina costuma ser inimiga das relaes sexuais. Diz-se ento que 
 mais fcil evit-la que lutar contra ela quando j se instalou no 
relacionamento sexual. Por isso, o tempo que antecede a preparao do 
encontro sexual, a escolha dos disfarces e o roteiro da cena so to 
estimulantes que abrem a mente para novas sensaes. E a lembrana 
posterior do jogo de papis tambm prolonga o prazer ao longo dos dias".

Para alguns,  uma forma simples e direta de liberar os desejos sexuais 
ocultos, reprimidos sob a personalidade cotidiana. Quando se assume o papel de 
professora repressora, por exemplo, despertam-se sensaes e emoes mais 
duras de autoridade sobre o aluno. Saem  luz atitudes mais rgidas, autoritrias. 
Por outro lado, se a escolha  a professora boa que ensina ao aluno a desfrutar 
sua sexualidade, afloram sentimentos maternais que provocam um desejo mais 
emotivo, mas nem por isso menos voluptuoso.
Por isso, assumir personalidades diferentes de sua prpria personalidade 
tambm  um jogo disfarado de jogo. Atravs desse tipo de interpretao de 
contedo sexual, canalizam-se desejos ocultos e profundos que de outra maneira 
no teriam espao e continuariam reprimidos.
Pode-se atuar de acordo com o personagem sem a necessidade de vestir 
uma roupa especial. Contudo, a elaborao do ambiente e do disfarce gera um 
clima sensual que, para alguns amantes,  indispensvel. Nesse caso,  preciso 
uma preparao mediante o dilogo e o acordo mtuo para se entregar ao jogo: 
um roteiro resumido da cena e a deciso sobre a participao ativa ou passiva. 
Nessa distribuio de papis, se expressa grande parte das fantasias submergidas 
no desejo mais ntimo de ambos, nas origens da excitao espontnea, alm de 
ser um aperitivo ldico que faz parte dos jogos prvios e dissipam a monotonia 
das relaes sexuais. Por outro lado, de acordo com as circunstncias, disfarar-
se sem avisar o parceiro pode acabar sendo uma surpresa que tambm gera 
excitao pelo inesperado: a espontaneidade  que alimenta a paixo cotidiana.

Ana sente uma devoo especial pelo "trabalho" de Paulo, seu 
companheiro. Ficou irremediavelmente seduzida e eles mantm viva a chama 
dessa paixo interminvel, que sempre se renova com ardor renascido. Ela 
espera no seu quarto, ansiosa e ardente; o arrebatamento aumenta com a 
espera que se prolonga. Sente um calor profundo que brota dentro do seu corpo 
como se fossem chamas. Veste apenas uma combinao de gaze transparente, 
cor de amora e uma tanga que s cobre o seu tringulo sexual depilado.A hora 
se aproxima. Tudo est preparado. Quando Ana escuta a chave girando na 
porta, ela se senta na cama e comea a gritar como uma possessa: "foooogo, 
foooogo!". Alguns segundos depois, Paulo entra no quarto, com um capacete de 
bombeiro na cabea, uma jaqueta  prova de fogo aberta que deixa  mostra os 
plos do seu peito, e botas de borracha. Sempre que repetem essa cena, Ana 
sente que o desejo passa por suas veias e se torna irreprimvel: a imagem 
atltica de Paulo, com sua jaqueta e seu capacete de bombeiro,  o maior e 
mais efetivo afrodisaco que ela j provou na vida. Ele tira o capacete e o deixa 
ao lado da cama. Em seguida, se acaricia sedutoramente no peito e comea a 
tirar devagar a jaqueta, com o olhar cravado em Ana. Enquanto isso, 
arrebatada pelo desejo, Ana grita: "Vem e apaga este fogo!".


 
Diga-me como te vestes e te direi o que desejas

"A viso popular comete o erro de acreditar que todos os homens que 
se disfaram com roupa de mulher nos jogos de papis so homossexuais. Na 
realidade, 0 que ocorre  que as fantasias indicam que a libido costuma 
crescer com aquilo que  proibido pela sociedade".

As roupas que do identidade ao personagem no jogo de papis so um 
incentivo a mais que ajuda a compor o papel e torna a situao mais verossmil 
para o casal, de modo que o impacto  ainda maior. O habitual  interpretar 
personagens no muito comuns, mas tampouco desconhecidos a ponto de fazer 
com que o amante no os reconhea e que o jogo perca seu efeito visual. Em 
geral, os papis mais comuns entre os homens so os de executivo, militares de 
mar, terra e ar, operrios de construo e exploradores, entre outros. Mas as 
roupas de mdico, de escravo e de bombeiro tambm so bastante utilizadas. As 
mulheres, por sua vez, optam pelas linhas de colegial, criada, enfermeira, 
professora, bailarina rabe, prostituta ou senhora da alta sociedade, por exemplo.
O disfarce  de grande ajuda para criar a iluso do intrprete e o estimula 
a incorporar o personagem na totalidade de sua dimenso; ele encarna melhor o 
personagem, como se fosse numa cena teatral; ajusta o tom de voz e se 
movimenta com seus gestos e trejeitos caractersticos. No ter medo do ridculo 
e do preconceito inibitrio refora o sentido ldico da situao. Por fim, trata-se 
apenas de um jogo para desfrutar, mas os risos quebram a atmosfera da 
representao. Aconselha-se no impor regras rigorosas ao jogo, a no ser que a 
formalidade faa parte do prazer desejado pelos amantes.

"No ter medo do ridculo e do preconceito inibitrio refora o sentido 
ldico da situao".

As representaes do rol playing no se limitam necessariamente  esfera 
ntima do casal, j que podem se estender a festas em ambientes liberais, onde os 
disfarces sejam um trampolim para o sexo grupal. H tambm a alternativa de 
agregar uma terceira pessoa para interpretar um papel na cena, ou montar festas 
temticas nas quais as pessoas s possam entrar disfaradas de cachorros e 
gatos, ndios e vaqueiros, e outros personagens que se complementem e 
produzam um ambiente de atrao sexual. Um jogo bastante freqente, e que se 
observa tanto em festas temticas grupais como na intimidade,  a troca de 
papis sexuais nas vestimentas dos amantes: ela se veste de homem e ele, de 
mulher. Muitos homens sentem um prazer especial  compartilhado com suas 
amantes  quando esto com meias de seda, ligas, calcinhas e at sutis. No 
menos do que sente a mulher com uma camisa larga de homem, uma cueca ou 
uma gravata, completando a vestimenta com um chapu masculino.

"Sofia se surpreende e, boquiaberta. se extasia enquanto olha o 
amante com um desejo novo para ela".

No melhor estilo dos filmes dos anos cinqenta, Sofia chega na casa do 
amante com culos escuros, apesar do sol tnue do meio da tarde, um leno cor 
de vinho na cabea e um intrigante traje de gabardina mostarda abotoado at o 
pescoo. lvaro sai para receb-la e lhe d um beijo suave nos lbios, 
sussurrando no seu ouvido que o espere no quarto: hoje ela vai gozar como 
nunca. A promessa a faz vibrar. No quarto, iluminado com a luz mortia do 
abajur, soa ao fundo o saxofone de Charlie Parker com Lover Man. Ela se senta 
na cama, desabotoa a gabardina envolta pela msica sonhadora e tira o leno 
para soltar seus cabelos pretos. A ansiedade aumenta e os segundos parecem 
horas. As batidas do seu corao aceleram subitamente quando ela escuta 
passos no corredor. lvaro aparece em seguida e se apia na porta do quarto 
de maneira sensual. Ele est com ligas pretas, meias de seda pretas e, 
completando este conjunto provocativo, um corpete de seda tambm preto. Sofia 
se surpreende e, boquiaberta, se extasia enquanto olha o amante com um desejo 
novo para ela. Com sua melhor pose de seduo masculina, lvaro avana na 
direo de Sofia com um bale ritualstico de conquista, sem pressa, com 
volpia. Chega ao lado dela, senta-se com uma lentido estudada e lhe d um 
abrao. Sofia se entrega,  espera de mais surpresas, ela quer ser amada de 
forma inesperada, quer seguir adiante. Ele a abraa, beija seu pescoo, diz que 
a ama muito e passa a lngua no ouvido de Sofia, fazendo-a sentir calafrios nas 
costas. Depois, vira-a de costas, tira a roupa dela e a deita na cama para fazer 
uma massagem da nuca at os ps. Aos poucos esfrega o tecido suave do seu 
corpete nas costas de Sofia; tira uma liga e a pe na boca para que ela a chupe, 
enquanto ele desce at os dedos dos ps para lamb-los. De repente, ela toma o 
comando, senta-se na cama e comea a desnud-lo; lentamente, tira uma meia... 
depois a outra... desabotoa os fechos do corpete com uma lentido 
exasperadora, ao mesmo tempo em que o olha nos olhos e mergulha para 
devor-lo com os lbios...

Fantasias, esses filmes da imaginao

"Existem hotis rotativos que alugam quartos equipados com 
cenografia e disfarces adequados  representao de fantasias sexuais 
temticas: casais do Imprio Romano, temveis vikings, Tarz e suas 
aventuras na selva, nufragos em ilhas desertas. Um exemplo  uma 
fantasia de troca de gnero, na qual o amante masculino deseja representar 
uma cena de lesbianismo".

As fantasias sexuais elaboradas pela mente nem sempre podem se tornar 
realidade, e s vezes  at aconselhvel no tentar. Em certos casos, as 
esperanas de concretizar a fantasia predileta so quase nulas. Essa constatao 
pode levar ao desencanto, porque muitas vezes a realidade no oferece o que se 
espera dela, seja porque o parceiro no responde exatamente conforme o que se 
imaginou, ou porque participam da fantasia pessoas desconhecidas, sobre as 
quais no se pode exercer controle algum, ou ento porque no se pode induzi-
las a participar do jogo, o que aumenta o risco de fracasso. A contrapartida  a 
representao simblica da fantasia, combinada com o amante ou com pessoas 
de confiana atravs do jogo de papis.  uma opo que se converte numa 
prtica que pode ampliar e realar a experincia sexual. Implica em liberar a 
imaginao para idias aparentemente mais loucas e tentadoras, tornando-as 
reais mediante a montagem de um cenrio adequado e com disfarces que dem 
veracidade  criao dos personagens escolhidos.
Um exemplo  uma fantasia de troca de gnero, na qual o amante 
masculino deseja representar uma cena de lesbianismo. Para o papel, alm de se 
vestir de mulher, ele tambm precisa se preparar psicologicamente. s vezes, ele 
pode mudar de nome, optando por um nome feminino que lhe agrade, e tambm 
escolher o carter do personagem, dcil, agradvel e submetido, ou agressivo, 
dominante e seco. Os espelhos no ambiente so uma parte importante na 
cenografia e podem reforar seu novo papel. Vestido de mulher, ele assumir 
melhor o personagem, acreditar nele, e sua fantasia o excitar at limites 
desconhecidos. Outras fantasias freqentes so o rapto, o roubo, a escravido 
sexual, a violao, os jogos militares, o calouro universitrio, a perda de 
liberdade momentnea, a captura por ndios ou o encontro com extraterrestres.

"A situao a deixa exaltada, sua calcinha j est mida e a pele 
avermelhada".

O revlver preto, calibre 45,  leve e de plstico, mas em sua mo parece 
de verdade. A meia que cobre sua cabea, deformando o rosto e tornando-o 
irreconhecvel, foi tirada de uma caixa na cmoda. Oscar est escondido atrs 
da cortina da sala, enquanto Paula, vestida com camisa de pijama e calcinha, 
assiste tev no quarto, no segundo piso. Ele sobe rapidamente a escada, mas 
sem fazer barulho, chega na porta do quarto e a v deitada na cama, 
despreocupada; espera alguns segundos e entra gritando: "Sua vadia, 
quietinha, me d tudo que tem". Ela se sobressalta e no consegue conter um 
gritinho, afogado pela angstia. Senta-se na cama e seu rosto mostra medo. A 
adrenalina flui em alta velocidade. Ela est atemorizada e excitada. Ele aponta 
a arma e se aproxima, dizendo-lhe que mudou de idia: primeiro eles vo se 
divertir um pouco. Paula respira agitada e olha a arma, que se aproxima cada 
vez mais de sua boca, at que ela no agenta mais e comea a chupar o cano 
dessa arma com sofreguido. Lambe com voluptuosidade, como se fosse um 
prolongamento do membro do suposto ladro. A situao a deixa exaltada, sua 
calcinha j est mida e a pele avermelhada. Ele no perde a calma e toma o 
controle: puxa a arma, empurra Paula sobre a cama e, com muita serenidade, 
acaricia os seios e passa a arma em torno dos mamilos duros. Ela morde os 
lbios e mexe a cabea de um lado para o outro; est prxima do clmax. Grita 
para o assaltante fazer o que quiser com ela, pois  o que deseja, quer entregar-
se... Ele arranca bruscamente a camisa do pijama de Paula e depois tira a meia 
da cabea para amorda-la com suavidade. Ela grita que no e no uma e 
outra vez, mas seu corpo diz outra coisa: suas pernas esto juntas e apertadas, 
mas s ficam assim at o instante em que ele puxa a tira da calcinha com a 
ponta do revlver. Ela cede, com a barriga oscilando pra cima e pra baixo, 
como se buscasse ar em cada golfada. Por fim, ela abre as pernas com 
movimentos sensuais frente ao "agressor"; levanta os quadris, inclina as costas 
e chama ateno para sua vulva inflamada de desejo. Ele arranca a calcinha de 
Paula e enfia a lngua entre aqueles lbios midos, violando sua intimidade...


Um caminho de sensaes encontradas

"No jogo de papis o argumento est estreitamente ligado ao papel e  
cena a ser representada".

Todo ator interpreta seu papel a partir de um roteiro baseado num 
argumento. Ou seja, ele incorpora a personalidade do personagem e o elabora 
segundo o indicado. No jogo de papis, o argumento est estreitamente ligado ao 
papel e  cena a ser representada. A proposta de situaes recriadas nasce da 
imaginao: fantasiar sobre o que sente o personagem escolhido e se essas 
sensaes so estimulantes para o amante que o elegeu. Trata-se de descobrir o 
lado ertico e sensual dessa personalidade, elevando a excitao e o desejo. Na 
representao da professora, por exemplo, alm de se usufruir as conotaes de 
poder que tal personagem implica, certamente ser enriquecedor se a isso se 
acrescentarem os elementos da prpria sexualidade, porque dessa forma tambm 
se faz uma nova interpretao de si mesmo, agregando nuances bem diferentes 
da prpria personalidade, nuances que mudam segundo o personagem escolhido. 
Cada papel se enlaa com sensaes distintas: a humilhao, o poder, a 
ingenuidade. Todas elas enviam sinais excitantes e despertam a paixo, tanto em 
quem as interpreta como no outro amante. Em geral, essas emoes esto 
ligadas a sentimentos profundos e ocultos. O interessante do jogo de papis  
que, em meio a um ambiente ldico, descontrado e desinibido, podem emergir 
antigas represses, fantasias, desejos ocultados; ou seja, um grande nmero de 
sentimentos que na vida diria se acham escondidos nas profundezas do 
inconsciente e se exteriorizam mais facilmente com a representao do 
personagem. A isso se soma algo ainda mais interessante: a aceitao do amante 
durante o jogo estimula a descontrao e a entrega ao desejo, sem o medo de ser 
julgado negativamente ou de ser rechaado pelo outro. Em suma, o jogo de 
papis tem o valor adicional de trazer  tona as fantasias secretas e os gostos no 
confessados. Tais elementos enriquecem o relacionamento com motivaes 
positivas, para que se dissipe a solenidade do sexo, dotando-o de um 
componente ldico.

O velho jaleco de mdico do pai de Adriano est pendurado no armrio 
do quarto. Lcia o v e, com um flash-back instantneo, seus pensamentos 
trazem as tardes de vero de sua infncia, naquele bairro de chals e ruas 
largas com caladas ajardinadas. Durante a sesta somente as crianas 
continuavam acordadas; os adultos desapareciam, escapavam do calor com um 
cochilo  sombra. Lcia lembra que elas se sentiam livres de qualquer controle 
para experimentar seus desejos e sensaes. Assim ela descobriu a sexualidade: 
brincando de mdico. Adriano entra no quarto e o filme de sua memria se 
detm de supeto, mas no os estmulos provocados por aquele jaleco. Ela logo 
pede ao amante que abandonem seus planos para brincar. Adriano no 
consegue resistir a esse tom ansioso, imperativo e ao mesmo tempo cheio de 
desejo terno. Ela tira o vestido vermelho e pe o jaleco, que bate nos seus 
joelhos. Deixa os trs botes de cima abertos, por onde aparecem os seios, e os 
dois de baixo, de modo que o movimento de suas pernas deixa ver sua calcinha 
cor de salmo. Ela ordena que Adriano tire a camisa e se sente na cama. 
Pergunta se ele est com tosse e lhe pede para mostrar a lngua... aproxima-se 
para olh-la e nela adere sua lngua, com um beijo sensual. Depois, pega o 
estetoscpio com um revestimento de metal frio e brilhante como um bisturi e 
esfrega a ponta no peito do amante em busca de algum ferimento imaginrio, 
enquanto molha os lbios com a lngua. Ele pe a mo na extremidade do 
jaleco, sobre um dos joelhos, justamente onde se abre o caminho at a calcinha. 
Ela segue auscultando, impassvel. Chega no umbigo ao mesmo tempo em que 
ele avana com a mo por dentro da coxa e se delicia com esse trajeto. 
Indiferente  mo que sobe debaixo do seu jaleco, Lcia pergunta se seu toque 
est doendo. Ele diz: "No, doutora". Ela aproveita para desabotoar a cala e 
descer o zper do paciente. Suas mos descem um pouco mais, se introduzem 
sob a cueca e acariciam os plos pubianos. Ela volta a perguntar se est 
doendo ali; a nica resposta que obtm  um suspiro. A ereo  flagrante sob a 
cueca e ela percorre com o estetoscpio o tronco do membro duro. Ele devolve 
a "tortura" e, com um dedo, percorre a abertura da vulva no canto da calcinha. 
Lcia se agacha um pouco e apia o rosto no peito dele para ouvir o corao, 
que bate com 120 pulsaes por minuto. Nessa posio, lambe a pele em brasa 
de Adriano e diz que a melhor terapia para ele ser o contato direto com a 
medicina. Abre outro boto e apia os seios na barriga de Adriano, ao mesmo 
tempo em que se dirige ao pnis e o massageia lentamente. Ele j est com os 
dedos por dentro da calcinha como agradecimento  doutora, por esse 
tratamento to agradvel e preferencial.


 

Os desejos ocultados se transformam em argumentos

"Entre as fantasias ocultas citadas como motor do rol playing, existem 
algumas que so boas para elaborar o argumento de uma histria. As opes 
e variantes para armar histrias so quase infinitas, tantas quanto as que a 
imaginao prope; pode-se aumentar o teso recriando sensaes voluptuosas 
e emoes vividas durante a infncia".

Entre as fantasias ocultas citadas como motor do rol playins, existem 
algumas que so boas para elaborar o argumento de uma histria.
Eis um exemplo que pode ser levado a cabo por um homem e duas 
mulheres ou um homem e uma mulher que desempenha vrios papis: na cena, o 
protagonista  um homem capturado por uma rainha malvada e levado  
masmorra para ser torturado enquanto ela observa. Tapam os olhos do 
prisioneiro e o prendem a uma mesa ou uma cama. A rainha ordena, ento, a 
uma mulher chamada coadora francesa, que faa ccegas em cada centmetro 
do corpo do prisioneiro. Finalmente, ele grita para ser solto e promete se 
submeter a qualquer ato sexual que a rainha malvada quiser. Ela o recompensa, 
determinando a uma das mulheres de sua corte que faa uma massagem sensual 
nele com leo aromtico. Enquanto observa, a rainha malvada expe exatamente 
o que deseja. Espantado, ele se nega. J esperando isso, ela ordena a sua guardi 
que pegue um pedao de gelo e o deslize pelas zonas mais sensveis do corpo do 
prisioneiro. Ele resiste. Ento, a rainha manda sua escrava predileta aoit-lo nos 
glteos. No fim, ele se rende e concorda em atender o desejo da rainha.
As opes e variantes para armar histrias so quase infinitas, tantas 
quanto as que a imaginao prope: brincar de ser advogado e cliente ou de 
professora e aluno, onde se pode aumentar o teso recriando sensaes 
voluptuosas e emoes vividas durante a infncia. Ou ainda relaes de poder 
com a interveno de um militar, um bombeiro e um policial, e a brincadeira 
entre a prostituta e seu cliente. Pode ser divertida a simulao de Drcula com 
sua subjugada, ou a do ingnuo que nunca teve uma experincia sexual e est na 
expectativa de que a amante lhe ensine pouco a pouco a linguagem do sexo.
Uma histria clssica, que seduz principalmente as mulheres,  a de duas 
pessoas desconhecidas que se encontram em algum lugar (na rua, no bar, no 
elevador) e acabam fazendo sexo. Pode-se recriar a mesma idia atravs de 
comunicaes via SMS, mensagens por correio eletrnico ou conversas em chat 
A nica norma  que os dilogos sejam erticos e sempre entre dois 
desconhecidos, de modo que no  bom falar a respeito quando se est junto 
para no quebrar o encanto. Tambm  possvel acrescentar uma pitada a mais 
de teso  situao: fingir que  infiel, mas com o prprio parceiro como amante. 
Uma segunda fase desse argumento  o encontro: eles decidem se ver "cara a 
cara", e isso deve ser combinado por e-mail, chat ou SMS; o encontro no pode 
ser na prpria casa, e cada um dever seguir interpretando o personagem eleito, 
um misterioso desconhecido para seu amante.

"Entreolham-se sem gesto ou emoo aparentes".

O caf daquela esquina, a essa hora da sexta-feira, era o lugar adequado. 
Mesas de madeira com quatro ps retos,  antiga; um balco, poucos clientes. 
Ela entra com uma saia de couro verde com zper atrs e uma blusa branca. 
Livrou-se da priso das peas ntimas e os sapatos altos lhe do um andar mais 
elegante e insinuante que o habitual. Atravessa o salo com o olhar at que 
encontra uma mesa colocada estrategicamente no canto, de onde se tem a viso 
de outras trs mesas enfileiradas junto  parede. Ela parece distrada ouvindo 
msica no seu ipod, mas sua ateno se concentra no que vai acontecer. Dois 
minutos depois de ter sentado e pedido um expresso descafenado, ele entra. 
Entreolham-se sem gesto ou emoo aparentes. So dois desconhecidos. Devem 
ser. O jogo comea. Ele se senta  mesa, frente a ela. Est um pouco tenso. 
Quando o garom se aproxima, pede uma cerveja e se esfora para no olh-la. 
Mas ela crava os olhos nele, tem que conquist-lo, seduzi-lo. Sorri levemente, 
mas com uma expresso de intenso desejo. Abre as pernas e ele olha fixamente 
as suas coxas. Ela abre e fecha as pernas, com cautela, para que outros olhares 
no interfiram no jogo. Ele responde, abaixa a mo e acaricia o pnis sob a 
cala. De repente, ela deixa o dinheiro da consumao na mesa, pega a bolsa e 
se levanta. A ltima olhada fugaz  um convite. Seus passos se dirigem ao final 
do balco, at os banheiros. Ele j sabe o que vai haver, conta at dez e a 
segue. A porta do banheiro feminino est entreaberta e ele entra com deciso. 
Ela est sentada na pia com as pernas abertas e a saia levantada. No trocam 
uma s palavra. Ele agarra o rosto dela com as duas mos e a beija 
apaixonadamente, sugando os lbios e a lngua. Esto to convencidos do papel 
que interpretam que se tratam como dois desconhecidos sedentos de sexo. Ela 
reage com nsia, suas mos vo diretamente ao zper da cala para abri-la e 
abaix-la. No pode esperar. Ele est pronto, sua ereo no precisa de ajuda. 
Levanta a blusa dela, lambe-lhe os seios com ardor e mordisca suavemente os 
mamilos. Ela inclina a cabea para trs e solta gemidos agoniados; fecha os 
olhos e pensa que est nas mos de um desconhecido que vai faz-la gozar 
como nunca. Ele enfia a lngua sedenta naquela vulva rsea. Ela se reprime 
para no gritar e eles serem descobertos, mas agarra a cabea dele e 
acompanha o ritmo das lambidas como se estivesse chupando um sorvete. De 
repente, agarra o cabelo dele, levanta sua cabea e o olha fixo nos olhos; ele a 
puxa para a borda da pia e a penetra profundamente, como muitas outras 
vezes...










 





Sexo s cegas


U
ma venda que tapa os olhos  o melhor instrumento para guiar at esse lugar 
reservado  imaginao. Parece que as mos escutam, os ouvidos olham e a boca 
apalpa. Uma deliciosa e excitante confuso de sensaes abre o tnel para uma 
nova dimenso do prazer. O pulso acelera, a respirao se agita e a ansiedade 
cresce,  espera de emoes fortes; so surpresas sensuais apenas 
experimentadas nesse mundo to esplndido, sem tempo nem espao, que 
ilumina por trs da obscuridade das plpebras fechadas. A realidade j no se v, 
 adivinhada como cenas fantsticas nesse novo universo que arremessa a 
imaginao at seus confins.
O leno de seda de suave textura acaricia a pele delicada; o amante o 
amarra na nuca e se faz obscuridade absoluta. Comea ento o jogo das 
sensaes. A situao provoca uma ansiedade ertica nica e intransfervel. 
Privado de enxergar, se v obrigado a se abandonar ao outro, a confiar nele. 
Essa falta de proteo desliza at um certo temor sensual, que se experimenta 
intimamente como um reflexo dos medos culturais mais profundos.

"Nem sempre  necessrio utilizar um acessrio para tapar os olhos do 
amante a fim de praticar o sexo s cegas. Basta fazer isso em ambientes 
escuros e com os olhos fechados. Essa opo proporciona mais liberdade e 
iguala as possibilidades de ao entre os amantes. Abre-lhes o caminho da 
imaginao e os faz avanar numa situao nova e criativa que costuma ser 
emocionante".


O temor  a semente do prazer

Os medos encontram-se nas antteses do prazer. So inibitrios, 
castradores, especialmente quando transmitidos atravs da educao sexual 
repressiva, com base em duas premissas: (1) o proibido no pode provocar gozo, 
e sim culpa e mais medo; (2) tudo que se afasta do convencional deve despertar 
desconfiana e, por conseqncia, tambm temor. No entanto, as sensaes 
tensas que aparecem com esses fortes preconceitos podem ser revertidas, 
transformadas em satisfao.
Qualquer pessoa que decide entregar-se ao prazer, mesmo que de forma 
inconsciente, realiza um exerccio que a faz abrir a mente, deixando para trs a 
necessidade de controlar e o medo provocado pelo descontrole. Deixar-se levar 
pelo amante ao longo da casa com os olhos tapados, sendo deslocado de um 
espao para o outro com sussurros, lambidas e carcias, pode ser extremamente 
satisfatrio. Ao mesmo tempo, talvez seja tambm um impulso para sensaes 
novas de relaxamento e excitao sexual. Tempo  justamente a palavra-chave, 
pois o fato de no poder enxergar, de no saber se a luz est apagada ou acesa, 
de no fazer idia do que h em volta, modifica a percepo temporal do amante 
que se presta ao jogo do sexo s cegas.

O encontro se d numa esquina um pouco sombria, onde a iluminao do 
centro da cidade  menor. Quando ele chega, ambos se entreolham com um 
semblante de intriga e desejo, mas no se beijam. Ela diz que vai vendar os 
olhos dele, tal como combinaram pelo telefone. Depois o pega pelo brao e o 
guia devagar pela viela. Quando chegam ao lugar, ela ainda o conduz pelo 
brao e o acaricia suavemente, at que a penugem se eria. Junto ao sof, ela o 
ajuda a sentar-se; depois, afasta-se na ponta dos ps para deix-lo 
desconcertado. Enquanto isso, ele respira agitado, demonstrando a inquietude 
do momento, sem saber o que fazer com as mos. Alguns segundos mais tarde, 
ela pe na mo dele um copo com uma bebida fria, que lhe d um calafrio de 
prazer. Curioso para saber do que se trata, ele o leva  boca: o sabor de rum 
com morango o encanta. Ela aproveita para desabotoar lentamente a camisa 
dele. Ele se deixa entregar-se e goza com a falta de controle. J se abandonou 
por inteiro e perdeu a noo do espao, mas gosta disso.  uma sensao nova 
que o anima a continuar. Seus ps descalos sentem as ccegas da l da 
almofada. Sua cala est solta e sua camisa, aberta. Encontra-se totalmente 
exposto. Ela o pega pela mo e lhe serve de guia at o quarto; re-costa-o na 
cama. Acaba de despi-lo, deixando-o apenas de cueca. Ele se abandona, 
deitado na suave colcha que cobre a cama. Espera uma nova surpresa. Ela 
comea a fazer uma massagem relaxante por todo o corpo dele com um leo 
aromtico. Ele sente cada vez mais calor, mais excitao, mas em seguida 
recebe a descarga fria de uma taa de cristal gelada que toca o seu ombro. Ela 
domina os tempos e a situao, e ele est fascinado: a visvel ereo que 
transborda por sua cueca  uma prova do seu desejo. E mais ainda quando ela 
o surpreende com novas e inesperadas sensaes; ela o lambe com a lngua fria 
depois de ter chupado gelo, passando-a pela virilha, pelo umbigo, pelo pescoo 
e pelas orelhas. Bruscamente, ela se retira e o deixa com o mel do desejo nos 
lbios. E ento, sim, chupa por um instante um caramelo de menta e, sem tocar 
o corpo de seu amante, inesperadamente abocanha a cabea do pnis que est 
para fora da cueca. O arrebatamento o faz estremecer e uma ardncia leve e 
mida na ponta do pnis o submerge num sonho delicioso.


 


Fronteiras e liberdades para gozar nas sombras

"Nas sex shop e tambm atravs da Internet, pode-se comprar 
mscaras acolchoadas e muito cmodas. Elas possuem duas tiras elsticas 
suaves para prender-se na cabea e so especiais para o sexo s cegas".

Como todo jogo, o sexo s cegas tem suas regras, estabelecidas pelos 
amantes. Muitas vezes, em determinado momento, quem tem os olhos tapados 
se cansa ou os estmulos acabam causando um efeito contrrio  excitao 
inicial, o que acarreta a perda do desejo. Em casos assim,  importante se dar a 
liberdade de dizer basta.  preciso, ainda, ter em mente que a participao nesse 
jogo s se justifica pelo desfrute, de modo que  necessrio falar, ouvir e atuar 
para obt-lo. Tambm  provvel que as sensaes de prazer e diverso 
comecem a diminuir em dado momento e, com isso, se perca o interesse;  o 
aviso de que se deve mudar de estmulo e retirar a venda dos olhos. Trata-se de 
no impor, nem de se impor nada. Quando surge a necessidade de recuperar o 
controle da situao, deve-se aceit-la. Falar dessas questes antes de iniciar o 
jogo, na primeira vez,  um meio de evitar constrangimento e desfrutar de 
maneira descontrada, com conscincia das liberdades e dos limites. Mesmo 
porque, em algumas ocasies, no levar a brincadeira at as ltimas 
conseqncias em busca do clmax e da estabilidade pode ser benfico: ajuda a 
prolongar o desejo. E mais: mantendo-se a gana viva, a cena da venda continua 
sendo interessante para o prximo encontro sexual.
Embora a sugesto de pr limites possa parecer contraditria, a verdade  
que a prtica do sexo s cegas tem um toque excitante e uma carga de 
adrenalina, principalmente na posio indefesa e precria de quem est com a 
venda. No entanto, para que essas sensaes excitantes se prolonguem,  bom 
variar os estmulos de tempos em tempos, ou  medida que se pratique mais. 
Isso se faz com a mudana de cenrio, com a descoberta de sonoridades mais 
sugestivas ou texturas e formas que sejam mais estimulantes quando pisadas ou 
tocadas; ou ainda alternar os dois amantes, para que ambos experimentem a 
sensao de estar  merc do outro, na mais completa escurido. Soltar as rdeas 
da imaginao tambm ajuda a criar situaes nas quais o mais importante  o 
que se ouve, se toca, se saboreia ou se cheira: o frio de um cubo de gelo, o calor 
da cera quente de uma vela, o sumo de uma fruta, o odor do sexo perto do rosto, 
almofadas aveludadas e sedosas, plumas suaves e lisas... h uma infinidade de 
recursos que certamente podero emergir dos gostos pessoais.
 importante selecionar essas sensaes, mas como algumas podem ser 
mais prazerosas que outras, e como algumas podem despertar resistncia,  
aconselhvel que o parceiro seja informado. A capacidade de colocar limites em 
determinados momentos tambm d confiana para que se repita o jogo em 
outras ocasies.
Como variante, pode-se ensaiar a troca de papis: aquele que antes 
enxergava passa a ter os olhos tapados e o outro passa a guiar. Alm disso, 
pode-se dar incio a uma fase diferente da relao, onde ambos tm os olhos 
tapados... As sensaes  que do a chave para escolher os caminhos do prazer 
em cada momento.

"Soltar as rdeas da imaginao tambm ajuda a criar situaes nas 
quais o mais importante  o que se ouve, se toca, se saboreia ou se cheira".

A festa na casa dos amigos acabou logo. Eles dissimularam o fastio 
durante umas duas horas, mas ainda  cedo quando saem  rua e suas energias 
continuam vivas. Antes de entrar no carro, Pedro avisa a Snia que ela ter 
uma surpresa. Acomodados l dentro, com o ar-condicionado refrescando as 
peles quentes, ele a obriga a se virar para que ele vende seus olhos com um 
leno que estava no porta-luvas. Ela respira bem fundo e se entrega sem dizer 
uma s palavra. Pedro liga o carro e dirige para fora da cidade. Snia s 
consegue ouvir os rudos da noite na rua, os outros carros, assovios distantes, 
algumas gargalhadas que rompem  espera nos semforos; sua ateno e sua 
sensibilidade se aguaram a partir do instante em que teve os olhos vendados. 
Seu desejo de desfrutar o inesperado tambm cresceu. Vez por outra ele roa 
suas coxas nuas com a ponta dos dedos, s para provocar, mas de leve. 
Passados alguns minutos, Pedro pra o carro, pede a ela para que saia e que 
tire os sapatos. Ela se v inundada pela sensao especial da grama refrescante 
sob os ps. Entrega-se aos braos dele   seu guia e seu protetor  para 
caminhar pelo parque. Alguns passos  frente, ele a solta, e ela sente a 
excitao e o calafrio de um medo repentino que faz subir a adrenalina. Sente-
se abandonada por um instante, mas, um segundo depois, Pedro lhe d um 
abrao fora do comum que a deixa sobressaltada. Agachado, ele enlaa as 
pernas de Snia e faz carcias dos joelhos at as coxas, subindo o vestido em 
cada toque sensual de suas mos. Ela no consegue conter um forte suspiro, 
que se confunde com um gemido profundo. Apesar da venda e de estar 
voluntariamente indefesa, ela se v dependente dessas mos que anunciam um 
prazer prximo. O arrebatamento faz com que ela "veja" com a pele, oua o 
roar dos dedos de Pedro na sua calcinha e sinta o odor de sexo que emana de 
sua vulva umedecida como uma mensagem de aceitao e gozo.
 


Sensaes que transportam para o desconhecido

"Uma palavra sussurrada no ouvido de quem tem os olhos vendados 
causa uma sensao muito mais intensa".

Uma carcia, quando se v a mo que acaricia,  menos intensa do que 
quando no se v o que se recebe. Vale a pena tirar a prova disso. Quem est 
momentaneamente privado da viso, alm de no saber onde ser acariciado 
nem como ser feita essa carcia, talvez nem saiba que ser tocado. O tato tem 
uma fora inesperada, todos os sentidos concentram-se nessa sensao.
A viso ajuda bastante a controlar o espao, a localizar-se. Se  anulada, 
logo irrompe o descontrole, o deslocamento, a inconscincia de onde se est. 
Imediatamente, como se disparasse um alarme interno no corpo, os outros 
quatro sentidos aguam a sensibilidade e a ateno se concentra neles. O tato, 
por exemplo, adquire uma fora ertica inesperada. Parece que todo o corpo se 
transforma em uma zona ergena na expectativa de ser tocado.
"Para o jogo sexual de pingar gotas quentes de cera na pele,  
aconselhvel o uso de velas de parafina, mas sem pinturas metlicas nem 
cera de abelhas, pois esses produtos aumentam a temperatura. Recomenda-se 
tambm no verter cera em zonas com plos, a menos que se pretenda 
depilar".

O senso especial do indivduo muda muito quando ele no enxerga; ele 
no sabe aonde o levam, no sabe onde foi colocado, o que o rodeia, assim como 
no sabe se ao fazer um movimento poder cair de um sof ou de uma cadeira. 
A desorientao  natural: a viso  um dos sentidos que mais contribuem para 
localizao e o controle da situao, de modo que, quando no enxerga nada, o 
indivduo concentra suas foras nos quatro sentidos restantes, para poder captar 
os estmulos com mais intensidade. Uma palavra sussurrada no ouvido de quem 
tem os olhos vendados causa uma sensao muito mais intensa. A vibrao das 
palavras no se limita ao ouvido; suas ondas se propagam atravs da pele, da 
coluna vertebral, at chegar ao pbis.
Todo o corpo se abre a essas sensaes exacerbadas e as vivncia de uma 
maneira mais sensvel. Os cnones estticos visuais so substitudos por 
texturas, sons e aromas. Aprende-se outra vez a gozar o prprio corpo como 
uma fonte de sensaes olfativas e tteis. Trata-se de uma experincia mais 
natural e vital que se origina em nossos instintos mais primitivos e bsicos, sem 
o condicionamento dos preconceitos estticos.
Um jogo muito divertido e estimulante no sexo s cegas  a utilizao de 
acessrios surpreendentes e desconhecidos naquele que est com os olhos 
tapados. Ele no sabe que os acessrios esto por perto, procura toc-los com as 
mos e senti-los na pele, e isso desperta um estmulo. Um exemplo: passar na 
pele ardente de desejo um copo frio ou roar com voluptuosidade uma pluma ou 
uma bola felpuda de tnis. Materiais mais ou menos viscosos e densos, como 
gelatina ou gel, tambm podem provocar uma impresso repentina, assim como 
as gotas quentes de uma vela aromtica.
A combinao de texturas tambm pode ser interessante, pois a sensao 
de desconcerto  a pessoa no sabe se o que ser feito  agradvel ou 
desagradvel   bastante excitante.

 uma tarde quente de vero. Somente uma brisa deixa a atmosfera 
aprazvel. Ernesto e Elvira deitaram para a sesta. Ela est s de calcinha; ele, 
nada. Um etreo lenol de algodo cobre seus corpos. No conseguem dormir. 
O calor do ambiente e de seus corpos excitados acabou com o sono. Comeam a 
brincar como cachorrinhos. Logo o jogo se torna mais sensual. O calor os faz 
suar e seus movimentos se tornam mais lentos e voluptuosos. Ernesto se levanta 
e pede a ela para no ser seguido. Volta com um leno negro dobrado e coloca-
o nos olhos de Elvira. Ela permite. Ele se afasta por um segundo e a contempla; 
aproxima-se suavemente do pescoo de Elvira e, sem toc-la, roa-a com a 
respirao. Ela sente um ar clido que primeiro se concentra no pescoo e no 
ouvido, e depois, desce pelo peito at o umbigo. Est calada e atenta, sua vulva 
comea a umedecer. Ernesto se entretm beijando seus seios e depois acaricia, 
lambe e mordisca os mamilos at p-los eretos. Depois, sobe pelo pescoo, 
passando a lngua por aquela pele em chamas, e por fim a enfia na orelha com 
movimentos circulares e midos, que fazem Elvira gemer de prazer. Ele se 
afasta por alguns instantes, que a ela parecem interminveis, e em seguida a 
surpreende com a carcia do pnis  duro pela excitao  que percorre sua 
pele; Elvira implora para que ele no interrompa as carcias e leva as mos ao 
clitris. Ernesto as retira com delicadeza e sussurra no ouvido dela que se 
abandone ao prazer. Atravessa de novo o corpo de Elvira com a lngua, chupa 
outra vez os seios, desce at o umbigo  onde se detm brincando com a lngua 
e os dedos  e finalmente chega ao pbis. Muito lentamente, acaricia e lambe 
as virilhas e brinca com os plos eriados, aproximando-se e afastando-se do 
clitris  medida que ela abre as pernas em busca dessa lngua mida e 
quente...

Os segredos sensuais da penumbra

"Depilar os genitais do amante que tem os olhos vendados  uma 
sensao diferente e muito estimulante.  preciso primeiro passar creme de 
barbear na rea e, em seguida, estirar a pele com a outra mo, para evitar 
cortes no pbis, no pnis ou nos testculos; se a depilada  ela, no pbis e nos 
lbios maiores da vulva. A utilizao de peas erticas, como dildos, bolas 
chinesas ou tailandesas, leos aromticos e vibradores, enriquece o sexo s 
cegas porque produz estmulos percebidos com mais sensibilidade, sobretudo 
quando inesperados".
O fator-chave  a surpresa. Agregar acessrios  relao para desencadear 
novos efeitos revigora o jogo s cegas, d-lhe um perfil distinto, criativo e 
motivador. De acordo com as sensaes que se quer provocar no amante  na 
busca de uma reao excitante ante o inesperado , pode-se usar lenos de seda 
para percorrer as zonas ergenas; unhas compridas de plstico para roar a pele 
com voluptuosidade e produzir ccegas excitantes; cordas speras apenas para 
roar, mas que deixam a pele sensvel; vibradores e consolos para percorrer a 
pele estrategicamente... Contudo alm dos acessrios utilizados, a execuo 
tambm tem uma particular importncia: um roar mais forte ou mais fraco, 
breve ou prolongado, mais suave ou mais spero, podem transformar a 
percepo do amante que no est enxergando. E a combinao do acessrio 
com a parte da pele escolhida tambm  importante: aqui entra em ao o 
conhecimento das zonas erticas do amante, algo como seus "pontos fracos", 
que podem multiplicar o gozo ante o contato.
 preciso ter em mente que se trata de um jogo com variantes, de modo 
que as metas e propostas podem ser atingidas depois de algumas sesses; no se 
deve ter a pretenso de despertar todas as sensaes em um nico encontro de 
sexo s cegas.
Preparar as variantes , portanto, uma ao positiva para no deixar a 
emoo se apagar. Entre esses recursos, pode-se reviver as esquecidas 
brincadeiras infantis em que a venda dos olhos era uma obrigao: cabra-cega, 
pr rabo no burro, esconde-esconde. Ou algo mais sofisticado: tirar fotos ou 
gravar um vdeo durante o jogo tambm geram uma sensao peculiar para 
aquele que no est vendo. O estmulo de perceber o que est acontecendo 
porque os sons o revelam ou porque o amante vai contando o que grava, sem 
que se possa ver, acaba sendo intrigante... Depois, ambos podero ver o vdeo e 
recriar as sensaes em outro encontro, junto  imagem do que no viram antes.

Rosa prope a Daniel a brincadeira de cabra-cega para esta noite, como 
naqueles veres no alpendre da casa dos seus avs. A memria da infncia a 
fazia recordar, no sem prazer, daqueles toques iniciais com os quais acabou 
descobrindo o sexo sem mesmo notar.
Ele aceita e ela tapa os olhos dele com um leno; abaixa a luz para que a 
casa fique em penumbra, o faz girar para desorient-lo e se afasta. Zonzo na 
silenciosa penumbra do quarto, Daniel comea a procur-la devagar e 
precavidamente, com certa indecncia. Ela est grudada em uma parede, 
totalmente nua, e s  denunciada pela forte respirao que palpita em seu peito 
e pelo odor de sexo que a excitao de sua vulva j espalha ao redor. Rosa no 
consegue esperar por ele e comea a acariciar o prprio corpo; os braos, a 
barriga, os seios e depois as pernas, e sua paixo cresce quando o v indefeso, 
tateando e procurando-a com volpia. Ele se atenta a qualquer rudo para 
orientar-se enquanto a chama em voz alta, explicando como ir lamber e comer 
cada parte do corpo dela assim que conseguir encontr-la. Estira uma das mos 
e, de repente, roa em algo que parece um mamilo. Avana, mas ela j fugiu. 
Olha-o sorridente de um canto, em silncio. Rosa pe uma msica suave e ele 
reage com o som, dirigindo-se at l, mas ela desaparece outra vez. Numa 
frao de silncio, no qual s escuta o seu sangue excitado batendo no corao, 
ele parece ouvir a respirao dela. Ento, muda rapidamente de rumo: estira os 
braos e d com o corpo nu e desejoso de Rosa. Ela gira e ele alcana a bunda, 
reconhece-a e aperta. Ela no escapa,  tomada pelo desejo, e se apia contra a 
parede. Ele se aperta contra o corpo nu de Rosa e comea a lamber as costas e 
os ombros, ainda com a venda nos olhos. Mas j no precisa ver: reconhece 
milmetro por milmetro de memria a geografia daquele corpo e decide 
explor-lo na penumbra...

















Quem manda  o prazer

O poder excita. Uma descarga de energia eufrica percorre o corpo 
quando se sente a supremacia sobre os outros, e estes obedecem. Uma leve 
ansiedade se apodera do corpo, o sangue corre com mais velocidade, o oxignio 
infla os pulmes com mais rapidez. A mente acelera, obscurece, e uma vertigem 
confusa, como se levitasse para controlar o mundo do alto, a precipita 
irrefreavelmente at um doce autoritarismo. Os efeitos do poder ampliam-se e 
transmitem sensaes cada vez mais claras: esse estado de alerta e de domnio  
tentador e sensual, e se reconhece cada vez mais nas ccegas que anunciam o 
prazer sensual. As ordens repercutem no epicentro do sexo e o fazem vibrar, 
como se a mo invisvel do poder o estivesse masturbando.
A outra face da mesma realidade: o obediente. Subordinado ao poder, ele 
sente que seu abandono  autoridade do amante o deixa liberado e seguro. Sente-
se protegido e obedece. Mas tambm goza. O submisso se d conta de que seu 
corpo repousa de prazer, e que seu sexo se excita quando assume com fascnio a 
dependncia em relao ao poder que o seu dominador onipotente exerce. Suas 
sensaes so agradveis: ele se oferece, se subjuga c se enche de satisfao; 
aumentam as batidas do seu desejo. Ele descobre que a obedincia cheira a sexo.

Ordens e subjugao com limites

"Quando um dominador e um submisso iniciam uma relao, 
freqentemente desconhecem os gostos e os limites de um e de outro. Torna-se 
ento difcil eleger os jogos que podem experimentar. Para solucionar este 
problema, foram criadas as playlists: so listas de jogos que o submisso deve 
fazer para que o dominador conhea suas preferncias e limites e possa 
decidir de acordo com eles. Para vencer os medos,  preciso pr limites prvios 
 ao".

Mandar e obedecer so as duas faces da mesma moeda: a necessidade de 
sentir-se seguro. H pessoas que precisam ter o controle e que os outros o 
obedeam, sem questionamentos nem dvidas. Elas precisam de um acatamento 
cego. Isto faz parte do seu comportamento. Sentem-se seguras dessa maneira. Os 
obedientes tm o mesmo objetivo, mas com uma motivao oposta: liberam 
endorfinas quando se submetem e se acham sob o manto protetor da autoridade. 
Tais condutas se reproduzem nas relaes dos amantes de forma natural e 
espontnea, sem que isso signifique necessariamente humilhao, submisso 
deliberada, domnios enrgicos ou forados. Trata-se simplesmente de um 
encontro de personalidades complementares ou da busca de uma melhor sintonia 
dentro da relao: cada um adota o papel que  mais conveniente ao seu 
temperamento. s vezes, essas situaes levam os dois parceiros sexuais a dar 
um passo adiante. Quando comprovam que aqueles momentos proporcionam 
satisfao a ambos, eles seguem adiante: por que no fazer o jogo no qual aquele 
que domina faz isso sem reservas e aquele que obedece se submete a essa 
potncia absoluta?  a que comea o jogo e surgem fantasias muito 
estimulantes, to logo os dois escolham seus papis de dominador e dominado. 
Algumas pessoas no deixam esse jogo seguir em frente, colocam barreiras pelo 
medo de sofrer algum dano ou de viver situaes pouco agradveis. Para vencer 
os medos,  preciso pr limites prvios  ao. Assim, evitam-se riscos fsicos 
ou golpes emocionais indesejados, sobretudo quando o jogo de dominao e 
submisso est ligado a situaes intencionais de agressividade verbal (insultos 
e ameaas simuladas), bondage ou castigos fsicos (bofetadas, belisces, 
chicotadas, etc.) controlados e teatrais.
Em casos assim,  fundamental que se ponha limites claros e aceitos por 
ambos os parceiros do casal, alm de se estabelecer palavras-chave (sinais de 
segurana) para desativar imediatamente o jogo to logo sejam mencionadas 
pelo submisso.

"Est disposto a obedecer todas as ordens de sua ama e amante".

Hoje  a vez de Cristina. Ambos esto nus na cama. Ela controla o jogo. 
De repente, muda sua doura habitual e interpreta o papel de dominadora 
rigorosa, como se fosse uma atriz profissional. Gustavo relaxa e sua 
personalidade forte se transforma na de um cachorrinho de colo, fiel e 
obediente. Est disposto a obedecer todas as ordens de sua ama e amante. Ela 
se ajoelha e ordena com voz sensual e firme que ele ponha as mos detrs das 
costas e se ajoelhe para ficar frente a frente com ela. Depois de alguns 
segundos de tenso, ela diz que ele deve lamber seu peito e descer at o umbigo, 
sem tocar seus mamilos. Subjugado, Gustavo acata a ordem e goza cumprindo-
a. Sua lngua se detm no umbigo e depois sobe at o pescoo. Em seguida, ela 
determina que ele se rasteje por debaixo da ponte formada por suas pernas, 
roce com a boca os lbios da vulva e percorra o rego de sua bunda sem usar as 
mos, seno ser castigado. Ele cumpre a ordem da maneira que pode e 
Cristina deixar escapar um gemido quando sente o roar da lngua em sua 
vulva. De repente, faz comentrios depreciativos, que aumentam a paixo dele. 
Burlona, ela pergunta como  que um escravo pode ter tanta ereo e se sempre 
consegue isso sem toc-la. Gustavo abaixa a cabea e responde: "Sim, ama". 
Ela permite que ele solte as mos que esto atadas s costas e ordena que se 
sente na cama e comece a se tocar na sua frente, sem deixar de olh-la. 
Enquanto ele se masturba, submetendo-se aos desejos dela, Cristina o provoca 
tocando-se nos mamilos, metendo um dedo na boca e depois brincando com sua 
vulva. Quando ele acelera os movimentos pela excitao, ela lhe diz que no 
deve aumentar a velocidade da mo no pnis, nem sequer pensar em ejacular. 
Ele sente que no poder resistir muito mais. Ela o olha nos olhos, aproxima-se 
e respira a poucos centmetros do membro, sem toc-lo, mas soprando-o. E uma 
doce tortura. Quando ele est a ponto de estalar de excitao, ela ordena que 
ele se deite na cama. Cristina se pe de costas sobre ele e se ajeita sobre o 
pnis. Sua vagina mida no demora a devor-lo. Ela se deixa cair levemente 
para trs, suas mos se apiam nos braos dele, que descansam sobre a cama, e 
o cavalga com sofreguido, enquanto lembra a ele que a determinao de no 
ejacular permanece de p at segunda ordem.


 

Para os que mandam, para os que obedecem...

"No uso de mordaas para complementar o jogo de dominao e torn-
lo mais real, convm no utilizar tiras adesivas ou embalagens para tapar a 
bocal do parceiro, pois provocam dor e deixam a pele irritada depois de 
retiradas".

Dominar e ser dominado  um jogo eficaz para quebrar a rotina dos casais 
estveis ou para adicionar vivacidade nas relaes de amantes que no tm bem 
definidos os papis de quem manda e quem obedece na cama. Essa 
possibilidade, aberta  troca ou  variao dos papis pode tornar-se bastante 
estimulante, tanto para as pessoas que no esto acostumadas a mandar ou a 
tomar a iniciativa como para as que fazem isso habitualmente. O jogo de 
dominao e submisso converte-se numa frmula no forada para aprender a 
se sair bem em situaes nas quais  preciso tomar decises e fazer com que 
sejam cumpridas, embora nesse caso se trate apenas de um jogo prazeroso.
No outro extremo, para os que distribuem ordens por carter ou por 
obrigao profissional, tambm  um jogo vlido. Trata-se de pessoas que 
assumem muita responsabilidade no cotidiano e no trabalho. No raro, elas se 
cansam e de exercer o poder continuamente, da presso que significa tomar 
decises de maneira constante e de transferir essa conduta  sua intimidade e p-
la em prtica nas relaes sexuais. Em algumas ocasies, a similaridade de 
atitudes entre a vida profissional e a sexual no  adequada para incentivar a 
motivao e o desejo. Assim, assumir um papel inverso, sem responsabilidades, 
cedendo e confiando no parceiro, delegando a tomada de decises no sexo, por 
menores que sejam, gera uma descarga de emoes negativas e abre espao para 
a libido. A pessoa que assume uma atitude passiva e submissa se sente livre para 
se deixar levar e gozar, em vez de estar oprimido pela obrigao de dar prazer.
J faz alguns anos que grandes corporaes japonesas puseram em marcha 
programas de descompresso psicolgica para executivos de alto e mdio 
escalo. Trata-se de jogos sexuais de submisso que fazem com que eles se 
liberem da presso gerada pela tomada de inumerveis decises importantes a 
cada dia, presso que impede a recuperao mental e provoca quadros 
freqentes de estresse.

"Na tcnica do coupage, muito popular no Reino Unido, um dos 
amantes se pe de quatro sobre o solo e o outro monta nas suas costas. Na 
boca do submetido colocam-se rdeas unidas a um freio. Enquanto caminha 
com seu "ginete" s costas, a pessoa que se faz de cavalo deve tomar cuidado 
com os movimentos, porque a coluna vertebral no est preparada para 
suportar peso em demasia, e menos ainda nessa posio".

As referncias culturais tm muita influncia nas decises do jogo. De 
acordo com os graus de liberdade ou de inibio sexual dos amantes, eles podem 
trocar de papis para modificar os estmulos, tornando-os assim mais eficazes. 
Algumas pautas podem ser alteradas para favorecer essa flexibilidade no jogo 
sexual. Embora o tpico papel masculino de domnio sobre a mulher esteja 
entrando em desuso, ainda se conservam muitos valores de dominao 
masculina. Quando se reverte essa pauta, o estmulo da nova situao acaba 
dando grande prazer ao homem. Por isso mesmo, muitos gozam bem mais 
quando so as mulheres que assumem o papel dominante nas relaes sexuais. O 
homem se excita, deixando-se levar justamente porque a sensao de no ter o 
controle  uma novidade para ele (afinal, ele foi educado para mandar). O fato 
de ter de renunciar ao poder em prol da mulher resulta extremamente ertico. 
Cada vez mais os homens descobrem as amplas possibilidades de desfrute 
sexual quando so capazes de ultrapassar as barreiras culturais impostas pela 
tradio.
Em contrapartida, quando existe um equilbrio  ou seja, quando os 
papis de dominador e dominado no esto definidos de modo absoluto, ou 
quando eles se alternam segundo as circunstncias e os estados de nimo , o 
jogo ganha outra variante: a dominao comea como uma luta entre os dois 
para ver quem vence. Eles se empurram, se agarram, se fazem ccegas, se 
imobilizam... O ganhador impe suas condies, exerce o domnio e estabelece 
o que dever ser feito pelo seu parceiro sexual, que se submete aos seus desejos.

Eles brincam como dois cachorros, nus na cama. Carmem agarra a 
cabea dele para sufoc-lo contra os lenis; Fernando contra-ataca, fazendo 
ccegas debaixo dos braos dela, nas costas, nas coxas e na planta dos ps. Ela 
d gargalhadas convulsivas, mas no se rende. Entre gritos e suspiros, Carmem 
tenta controlar a situao arremessando-se ao corpo dele. Ele se esquiva e a 
agarra pelos braos, deixando-a imobilizada. O vencedor  Fernando. E ela 
sabe o que isso significa: ter de fazer o que ele quiser. Ela continua agitada 
pelo jogo anterior e est ansiosa pelo que vir. Ele se recupera e ganha tempo 
para pensar. Alguns segundos depois, diz que ela deve ser uma cadelinha dcil, 
explicando que ela deve ficar de quatro, engatinhar pela cama at a 
extremidade e, em seguida, chupar um a um os dedos dos seus ps. Depois, 
quando ele pedir, ela ter de se arrastar pela cama at chegar perto do seu 
pnis, para lamber os testculos e o membro como se fossem um sorvete de 
chocolate. Quando j est bem excitado, Fernando pega Carmem pelos pulsos, 
deita-a de costas e cavalga sobre ela. Ela se sente imobilizada, no consegue 
fazer qualquer movimento nem com os braos nem com as pernas; o que tem de 
fazer  esperar. O jogo acaba de comear...


 

Amantes de domnio pblico

"Uma das fantasias mais freqentes das mulheres nos jogos de 
dominar e submeter  a violao. Encenar essa fico para levar tal fantasia 
a cabo  uma anttese da realidade e no apresenta conotaes negativas. As 
duas partes desfrutam. Simplesmente, ela se excita deixando o homem 
domin-la, e ele, 'forando-a' a se deixar dominar".

O jogo de dominao e submisso nutre-se de palavras, atitudes e 
acessrios, e cada um desses elementos oferece um leque de possibilidades para 
a criao de situaes diferentes e variadas.  evidente que tais propostas s 
podem ser entendidas no sentido ldico e dentro de um contexto determinado e 
consentido, que dissipa qualquer conotao do poder de agresso que possuem 
nas relaes reais.
s vezes, a supremacia demonstra-se atravs de palavras. Influem desde o 
tom de voz at o tipo de palavras empregadas: insultos (vadia, prostituta, puto, 
imbecil); vocbulos humilhantes (covarde, lixo); tons imperativos ("ajoelha e 
lambe a minha mo"); frases de ameaa ("teu castigo ser esfregar o cho com a 
bunda"). A fora das palavras, seu significado e sua intensidade ou seu tom 
(burlo, imperativo, enrgico) costumam disparar por si s a excitao de quem 
as pronuncia e de quem as recebe.
Quando as atitudes se somam s palavras,  possvel tomar decises 
como, por exemplo, transferir o jogo para lugares pblicos. A relao de 
dominante e submisso continua nas mesmas condies, com um fato adicional 
importante: j no se limita  privacidade, desloca-se para um cenrio pblico 
no qual a ao se desenvolve diante de desconhecidos que ignoram os cdigos 
da relao. Isto supe um passo a mais nos nveis de excitao desejados pelos 
amantes. A adrenalina sobe e as cotas de prazer tambm disparam. Esse aspecto 
do jogo pode ocorrer por via de palavras ou de ordens concretas. Eis um 
exemplo: no restaurante, ordenar  pessoa submissa que se deslize da cadeira e 
que chegue s pernas do dominador, porque ele quer ser masturbado com o p 
por baixo da mesa. Ou, numa loja, que a submissa enfie a mo no decote para se 
acariciar no seio. Ou mandar o submisso sair a passeio sem cueca com sua ama; 
na rua, ordenar para que ele ponha a mo no bolso da cala, agarre o pnis e o 
movimente ao ritmo que lhe mandar a dominadora.
Por fim, os acessrios que ajudam na representao de cenas concretas 
tambm podem se somar s palavras e s atitudes, tornando mais evidente os 
papis de dominador e submisso: mordaas para calar a boca do dominado e 
deixar claro que a voz dele no tem importncia; rdeas e freios para brincar de 
montar a cavalo; mscaras, capuzes e outros acessrios que, em algumas 
ocasies, tornam a situao, previamente consentida, humilhante para o 
submisso. No  necessrio que se passe do estado de subordinao ao de 
humilhao, mas s vezes se busca essa passagem como um novo registro de 
prazer.

"Os acessrios que ajudam na representao de cenas concretas 
tambm podem se somar s palavras e s atitudes, tornando mais evidentes 
os papis de dominador e submisso".

O sonho de Marta era encontrar um amante que fosse capaz de fazer com 
que ela experimentasse novas sensaes. Sua fantasia mais recorrente era um 
vibrador com controle remoto que ela ganhava de presente de um colega de 
trabalho de quem gostava, e que ele ficava com esse controle. Nos seus sonhos 
midos, a sensao de ser dominada a incendiava, mas at ento no tinha 
podido incorporar novos jogos em suas relaes. At que um dia conheceu 
Toms. A comunicao sexual entre eles se fez rapidamente perfeita. Toms 
contou a Marta suas fantasias mais ntimas, e ela descobriu que eram muito 
parecidas com as dela: ambos se deleitavam com os jogos de dominao e 
submisso. Comearam a experiment-los na intimidade e gozavam muito com 
a troca dos papis de dominador e submisso, at que um dia ele props a 
realizao da fantasia de Marta. Foram a uma sex shop e compraram um 
vibrador com controle remoto. Marta estava to ansiosa que quis provar no 
mesmo dia, mas ele a fez esperar e marcou para o dia seguinte, no seu 
apartamento. Quando Marta chegou e se aproximou para beij-lo, Toms 
afastou-a e disse que quem fazia as regras era ele. Saram e ela devia andar 
pela calada com o vibrador introduzido na vagina; atrs, Toms carregava o 
controle remoto. A ordem era que ela mantivesse uma distncia suficiente para 
que no parecesse que eles estavam juntos, e que ele pudesse ver com clareza o 
efeito que o vibrador produzia nela. Ele dominava completamente a situao, 
ativando-o e fazendo-a sentir prazer na hora que queria, e isso despertava todos 
os seus sentidos. Ela gozou at limites insuspeitados, pois  sensao de no 
poder controlar os estremecimentos erticos que recebia na vagina, somava-se 
a obrigao de se controlar, uma vez que estava na rua e no podia se deixar 
levar pelas sensaes. Enquanto desfrutava, ela ansiava pelo momento em que 
seria Toms a penetr-la, e no mais o vibrador...




Objetos do desejo


E
ntre Julia Roberts e um sapato, o fetichista escolhe o sapato. Essa frase, mais 
que uma definio,  uma sentena acertada do psiclogo Moiss Lemlij. Isto 
porque no fetichismo o desejo pelo objeto prevalece sobre a pessoa que o 
carrega. Esse devaneio que se elabora com a observao do objeto intensifica o 
apetite sexual. Uma simples meia, por exemplo, se converte para o fetichista em 
acessrio de culto, que o leva a um estado de xtase. Ele se isola do contexto, 
perde momentaneamente a conscincia da realidade e s tem olhos para aquele 
fetiche, que lhe provoca uma atrao ilimitada. Embora a obsesso sexual pelos 
objetos seja tida como uma parafilia, a verdade  que os comportamentos 
fetichistas so moeda corrente para muitas pessoas sem que necessariamente se 
transformem em obsesso.
Tradicionalmente, o fetichismo sempre est associado ao desejo 
masculino, uma vez que as barreiras sociais no permitem que as mulheres 
desfrutem de outras prticas a no ser o coito convencional.
O termo "fetiche" provm da palavra portuguesa feitio, relacionada a 
encantamentos, magias e, claro, objetos aos quais se atribui certo poder para 
conseguir determinados fins. Contudo, provavelmente a origem mais profunda 
do fetichismo deve ser procurada na frica, onde muitas etnias e cls politestas 
dispunham de pequenos deuses prprios  so os povos animistas. Suas 
divindades eram simbolizadas por objetos ou figuras confeccionados com 
diferentes materiais, desde grandes totens a pequenos amuletos; muitos deles 
eram associados  sexualidade. Daquela antiga magia  paixo pelos objetos 
sexuais, abrem-se novas possibilidades.



Uma longa via at o desejo

"Em uma sociedade que julga com rigor os comportamentos sexuais 
que fogem s normas pr-estabelecidas, muitos homens e mulheres no se 
atrevem a revelar suas condutas fetichistas a seus prprios parceiros estveis. 
Para satisfazer seus desejos sobre alguns objetos e fantasias, recorrem a 
relaes espordicas. O sexo proporciona instantes muito especiais e tambm 
inmeros fetiches, que provocam desejos com diferentes intensidades".

Uma caneta esferogrfica, uma camisa ou uma carta podem funcionar 
como objetos de fetiche.  o que se observa diariamente na conduta cabalstica 
de algumas pessoas. Muita gente precisa de impulsos mgicos para superar a 
debilidade de carter, as baixas de nimo ou as inseguranas prprias de sua 
personalidade. Quando saem  procura de trabalho, encomendam aquela caneta 
"da sorte"; quando vo ver seu time de futebol, vestem a camisa que deu sorte 
no domingo anterior; quando se tem de fazer um exame, a sorte  convocada por 
meio daquele vestido ou daqueles sapatos. Assim os fetichistas atribuem valores 
e propriedades especiais a coisas inanimadas, que passam a ter um significado 
fundamental nos momentos especiais da vida.
O sexo proporciona instantes muito especiais e tambm inmeros fetiches, 
que provocam desejos com diferentes intensidades. O objeto eleito transmite 
proteo, infunde segurana  pessoa, de modo que nunca poderia ser uma 
tarntula ou um escorpio, por exemplo, cujas conotaes negativas so 
evidentes.
As variantes de objetos do desejo se inscrevem em duas reas: partes do 
corpo e objetos inanimados. Entre os primeiros, a fixao passional concentra-se 
nos peitos, nas ndegas, nos ps ou no umbigo, entre outros. Embora os objetos 
inanimados sejam inumerveis na hora de optar por um fetiche, escolhem-se 
com mais freqncia sapatos, roupas de couro ou de pele, calcinhas, sutis, 
cuecas e gravatas, entre outros. A eleio do objeto que ir despertar tal paixo 
irreprimvel no costuma ser casual. Ela se deve a condicionamentos ou a 
condutas aprendidas em duas fases nas quais a criana tem maiores impulsos 
sexuais: entre a primeira infncia e a idade pr-escolar, e depois durante a 
puberdade. Nessas fases do desenvolvimento, ocorre algo que fica registrado na 
mente e que mais tarde afeta o comportamento sexual do adulto.
O caminho para que um objeto se converta em fetiche se forma com o 
tempo na mente do adolescente, que identifica alguns tipos de sapatos ou de 
lenos, por exemplo, com alguma mensagem de afeto e de proteo de sua me 
ou de uma mulher do seu ambiente familiar, perto da qual ele se sente animado, 
seguro, protegido e excitado. Durante esse processo inconsciente, se cultiva essa 
atrao interior que liga esses objetos a mensagens de sensualidade e erotismo. 
 assim que determinadas coisas (cuecas, por exemplo) so associadas  libido, 
de maneira a fazer com que a pessoa crie uma predileo, uma afinidade 
singular com um objeto em especial, que com o tempo se transforma em objeto 
de desejo.

Carregando sua pequena maleta na rea comercial do aeroporto, ela 
chega  loja de roupas masculinas e vai at a seo de roupas ntimas. 
Vernica  comissria de bordo e conhece esse aeroporto como se fosse sua 
prpria casa. Caminha com passo seguro, sabe o que quer. Percorre as 
prateleiras e escolhe duas cuecas de algodo: uma roxa e outra negra; depois 
pega algumas sungas com desenhos infantis e outras com inscries divertidas 
na parte da frente. S em t-las nas mos, ela j fica excitada. As lembranas do 
ltimo encontro com Alberto no seu apartamento trazem imagens que ela quer 
repetir. Paga e sai rpido para pegar um txi rumo  casa do amante. Durante 
o trajeto liga o celular para avis-lo de que est com "a mercadoria" e que ele 
v se preparando; s de pensar, sua vagina pulsa.
Alguns minutos mais tarde, ela entra na casa de Alberto. Ele a recebe de 
roupo, pois saiu da ducha h pouco. Vernica se senta no sof e pergunta se 
ele est preparado. Na atmosfera, respira-se certa tenso ertica. Ela controla 
a paixo e, com voz sensual, pede para ele tirar o roupo. Alberto est com uma 
cueca branca, com pequenos traos azuis. Pe uma msica suave de cordas e 
comea a se mexer com voluptuosidade no mesmo ritmo sobre a almofada da 
sala. De repente, se detm ante o olhar luxurioso de Vernica, tira a cueca e 
joga na cara dela. O olhar de Vernica se ilumina, ela pega a pea e esfrega no 
rosto; em seguida, enterra o nariz e inala. Logo depois, tira as cuecas e sungas 
da bolsa e arremete contra Alberto para iniciar um novo passe. Ele brinca com 
a coreografia. As sungas esto muito justas, seu pnis inchado se destaca sob o 
tecido, ele esfrega suavemente a mo ali, enquanto ela se acaricia nos seios 
com a cueca. Depois de alguns movimentos sensuais, ele tira de novo a sunga e 
ela solta um suspiro profundo. Em poucos segundos tem nas mos outro trofu, 
que inala e lambe com deleite, molhando cada pedao do pano. Antes de passar 
uma nova prenda para Alberto, entreabre as pernas e passa uma outra cueca 
por elas, detendo-se por um instante no clitris para acarici-lo com a cueca. 
Depois, deixa-a de lado, e Alberto se prepara para se exibir outra vez para ela. 
Enquanto isso, Vernica brinca com as prendas sobre o prprio corpo, j  
beira do orgasmo.

 

Os aparatos que fazem gozar

"Os objetos enriquecem a sexualidade. Quando uma mulher compra 
roupas ntimas sexy ou meias de seda com ligas,  porque sabe que isso vai 
excitar seu parceiro sexual. E quando ele veste cuecas que ressaltam o 
membro ou camisetas justas que destacam os ombros,  porque tambm sabe 
o que isso desperta nela".

Os fetiches dependem de cada pessoa e sua lista pode ser muito extensa; 
no entanto, h uma srie de objetos que se repetem no desejo coletivo. Em 
alguns casos, no  sequer o objeto em si, mas o material de que  feito, e que 
desperta uma atrao irrenuncivel. Intervm ento os sentidos do tato e do 
olfato, uma vez que a excitao aumenta ao toque de uma textura determinada 
ou ao deleite de seu aroma caracterstico.

"Entre todos os objetos de desejo, a roupa ntima talvez seja a que 
apresenta as maiores variantes".

Os sapatos de salto agulha esto associados  imagem tradicional do 
erotismo sofisticado. Contudo, os sapatos em geral so uma seduo fetichista 
muito comum. O que se diz  que a atrao pelos sapatos tem antecedentes nos 
tempos mais antigos: as crianas, quando engatinham, fixam-se nos sapatos da 
me ou do pai porque so eles que os levantam do cho ou brincam com elas. O 
sapato aparece, assim, como um acessrio vinculado ao cuidado e  proteo. 
Mais tarde, com o reaparecimento dessas sensaes nos adultos, o calado 
fetiche tanto pode ser de qualquer forma ou cor como se aproximar do estilo e 
do tom daquelas primeiras lembranas retidas pelo inconsciente.
A indumentria e os acessrios de ltex ou de borracha tambm 
costumam ser bastante sugestivos. Associam-se a sensaes tteis e olfativas 
que ficaram registradas e reagem quando esse estmulo reaparece. Os que se 
deleitam com esses materiais os tm habitualmente em roupas ntimas, 
camisetas, calas, saias... Ou, quando o jogo apresenta outras conotaes, 
tambm colocam mscaras e brincam com chicotes e chibatas.
Algo similar ocorre com as peles e o couro, materiais que se encontram no 
ranking dos preferidos por muitos amantes de objetos. O desejo de apalpar peles 
associa-se  ccega agradvel de acariciar ou esfregar animais domsticos, 
casacos de pele, bichinhos de pelcia ou mesmo cadeiras ou sofs de veludo. 
Transferido o jogo para o terreno sexual, utilizam-se boas de plumas ou peles de 
coelho, por exemplo, para se conseguir uma suave e deliciosa estimulao com o 
roar da pele.
Porm entre todos os objetos de desejo, as roupas ntimas talvez sejam as 
que apresentam as maiores variantes. Olhar o amante usando uma roupa ntima 
diferente, sugestiva e com determinadas formas e cores  um estmulo to 
freqente que  possvel dizer que tanto os lenos como as roupas ntimas 
masculinas ultrapassaram a barreira do inconfessvel para "sair do armrio" e 
mostrar-se como uma atrao viva. Um bom exemplo  a moda jovem que deixa 
 mostra calcinhas, tangas e cuecas por cima das calas ou das saias. 
Independentemente do grau de inocncia dessa atitude, existe um jogo sexual 
implcito, que funciona com duas prticas abordadas neste livro: o olhar furtivo 
da prenda estimulante e o fetiche que esta representa. Algo parecido acontece 
com os decotes profundos de blusas ou camisetas de tecidos leves e 
semitransparentes. No s as formas que se adivinham sob as roupas so 
estimulantes, mas tambm as partes do suti que se deixam ver.

 tarde de sbado e Roberto sai do ginsio apressado; a camiseta e a 
cala de moletom esto suadas pelo esforo. Chega em casa pensando em tomar 
uma ducha. Gabriela est lendo um livro, deitada no sof da sala. Ele entra, 
joga a bolsa debaixo da mesa... e quando ela abaixa o livro para protestar por 
esse descuido, o v com a roupa esportiva suada e sente esse aroma forte e 
penetrante to caracterstico. O cheiro de suor muda o humor dela. Ela se v 
tomada por um choque que percorre todo o seu corpo e a estimula como uma 
corrente de energia. Ela o v parado a dois metros de onde est, com os 
msculos do peito e dos braos bem definidos, o traseiro firme e as coxas duras, 
e isso  algo a que ela no consegue resistir. Deixa a leitura de lado e se 
concentra nesse vertiginoso atrativo. Pede para que Roberto se aproxime, mas 
ele reluta. No quer porque sabe que cheira a suor. Por fim, assente. Aproxima-
se de Gabriela, d um beijo nela e faz meno de sair, mas ela o abraa e sente 
aquele corpo forte que apalpa, ao mesmo tempo em que o odor de transpirao 
e de homem agitado a trespassa. Ele faz um esforo para desprender-se do 
abrao, mas no consegue. Ela aproveita para dizer no ouvido dele, com uma 
voz que imita um gato ronronando, que est encantada e excitada com aquele 
cheiro. Passa a lngua pela camiseta de Roberto, e depois desce at a cala 
mida de moletom. Ele se rende e a deixa seguir em frente. Ela se abandona ao 
prazer e mete a cara na axila dele para comear uma dana voluptuosa, que 
leva o desejo dos dois por um longo e gozoso caminho at o clmax.


 

Peitos, bundas e outras fixaes

"A preferncia pelas axilas leva alguns homens a fazer sexo nessas 
partes. Colocam o pnis na axila da amante, ela abaixa o brao para 
apert-lo junto a seu corpo e deixa um buraco estreito onde a frico torna-se 
prazerosa. Essa posio tambm d liberdade de ao para que ambos os 
amantes possam se estimular mutuamente por todo o corpo".

Alm de alimentara libido com objetos inanimados, os amantes tambm 
idealizam algumas partes do corpo dos seus parceiros. Durante o jogo ertico, 
dedicam um tempo especial em acariciar e beijar com esmero a parte eleita, um 
mecanismo fetichista muitas vezes inconsciente que pode ser muito estimulante 
para ambos os parceiros sexuais.
Quando os meios de comunicao falam de sexo, o jogo mais freqente 
que estabelecem  uma entrevista onde se pergunta a uma pessoa qual  a 
primeira coisa que chama a ateno dela quando olha um homem ou uma 
mulher.  um jogo, porque a inteno real da pergunta  averiguar que parte do 
corpo provoca excitao, desperta o desejo sexual. Nas respostas dos homens, 
quase sempre se destacam primeiro os seios e, depois, a bunda. J as mulheres 
preferem a bunda, depois alguma outra parte do corpo (as predilees so 
variadas) e, por fim, o falo. Nas livrarias e na Internet no  difcil encontrar 
revistas, livros e sites dedicados apenas a "garotas peitudas" ou s "melhores 
bundas masculinas". Essa fixao sobre uma parte determinada do corpo, que 
aparece como um requisito importante na hora de procurar amantes,  um 
comportamento freqente.
Em geral, todos se sentem atrados por determinadas cores ou tamanhos 
de cabelo, por mos de dedos compridos e finos ou curtos e grossos, mas 
dificilmente se aceita que muitas vezes tais preferncias ativem a libido. 
Entretanto, trata-se de um mecanismo fetichista absolutamente natural  talvez 
utilizado de maneira inconsciente  desde que no se converta em obsesso.

Seus comentrios so motivo de piada no trabalho. Quando olha uma 
mulher, seus olhos sempre acabam no mesmo lugar: os peitos. Luis os classifica 
como peites, peitos avantajados, peitos normais, superpeitos, peitinhos... Ele 
no pra de falar dos seios, como se eles fossem a nica atrao sexual 
existente. Entre as colegas de trabalho, esse perfil fetichista parece divertido e 
elas chegam at a rir, sobretudo as mais autoconfiantes. Mas j faz alguns dias 
que uma nova secretria da administrao tem ido trabalhar com decotes 
pronunciados que deixam  mostra o canal entre os peitos e parte deles, firmes 
e de tamanho considervel. Ela est ciente das preferncias de Luis e no faz 
mais que provoc-lo, pois gosta que admirem seus seios. Cada dia, ela avana 
um pouco. Quando vo tomar caf, ela se aproveita do corredor estreito e passa 
por trs de Luis com alguma desculpa para roar os mamilos nas costas dele. 
Agora, ele est na fase de fazer contato. Quando tem de justificar as notas 
fiscais de suas viagens, ele fica mais tempo que o habitual, se aproxima para 
que ela possa ver os comprovantes e roa nos seios dela com o cotovelo ou o 
brao. Ela tambm gosta desse jogo, tanto que est resolvida a provoc-lo 
ainda mais. Quando a hora de almoo de ambos coincide e ningum est 
olhando, ela finge que no o v e ajeita os seios no suti, acariciando-os e 
deixando aparecer furtivamente um mamilo. Ele, por sua vez, observa em 
silncio de sua mesa de trabalho. Luis est  espera de uma oportunidade. 
Sonha cm fazer hora-extra, encontrar-se com ela e, como um bom companheiro, 
oferecer uma massagem para relaxar a tenso dos ombros, alcanando com as 
mos aqueles seios to desejados. Ela tambm espera por uma oportunidade 
para sentir aqueles dedos sobre seus peitos, e s imaginar a possibilidade a faz 
se masturbar todos os dias.

O discreto encanto dos ps

"Alm dos populares, peitos e bundas existe uma outra parte do corpo 
que tambm  um objeto de desejo inconfessvel: os ps".

Alm dos populares peitos e bundas, existe uma outra parte do corpo que 
tambm  um objeto de desejo inconfessvel: os ps. Ao seu redor, criou-se 
inclusive uma espcie de mitologia de adorao silenciosa, que s se manifesta 
em espaos ntimos e privados, pois os ps no tm uma boa imagem social 
como depositrios de poder ertico.
A podolatria (do grego podo, ps; latria, adorao) refere-se queles que 
sentem uma atrao especial pelos ps, com os quais despertam desejos e 
fantasias sexuais. China, Japo e Tailndia, entre outros pases do Extremo 
Oriente, so a origem de muitas dessas prticas. No Japo, por exemplo, muitos 
amantes iniciam as preliminares a partir dos ps, com carcias, massagens, beijos 
e chupes nos dedos, uma influncia da reflexologia. Essa cincia compreende 
os ps como uma representao de outros rgos do corpo humano, inclusive os 
genitais. Desse modo, estimulando-os em pontos especficos,  possvel 
despertar o desejo sexual no casal. E o fato  que esse exerccio no s consegue 
excitar quem recebe a estimulao manual e oral, como tambm quem a realiza.

"Para os casais de amantes que sentem um desejo mtuo pelos ps, 
existe uma posio parecida com a do 69 que tambm agrega o sexo oral. 
Nessa posio, cada um pode chupar e lamber os dedos dos ps do outro e, 
simultaneamente, usufruir a estimulao do roar de ambos os corpos".

Em outra cultura oriental, a chinesa, construiu-se o mito a partir de uma 
lenda cuja narrao remonta ao sculo XI. Dizia-se,  poca, que a imperatriz 
Taki havia nascido com uma m formao congnita que a deixou com os ps 
muito pequenos. Para evitar que ela se sentisse diferente e discriminada, seu pai 
decretou que toda mulher aristocrata do imprio que quisesse se sentir bela e 
atraente teria de apresentar ps diminutos. A partir de ento, comearam a 
prender os ps das meninas desde o nascimento para que no se 
desenvolvessem, para que quando chegassem aos treze anos estivessem 
totalmente atrofiados e no medissem mais que oito centmetros. Assim, os ps 
pequenos e delicados passaram a ter uma considerao especial.
No Ocidente, a explicao gira em torno da psicologia. Tal como em 
outros casos de fetichismo, os ps acabam sendo um centro de ateno especial 
para os pais da criana na primeira infncia, e isso os leva a acarici-los e beij-
los assiduamente como demonstrao de afeto. A criana, por sua vez, tambm 
brinca com seus ps quando os descobre aos poucos meses de vida, e graas a 
uma flexibilidade extraordinria os pe na boca e se entretm, chupando-os 
como se fossem substitutos dos mamilos maternos. Eis porque o adulto tambm 
se sente muito estranho quando regride s lembranas do prazer e do afeto que 
seus ps receberam, passando por cima das proibies morais que lhe foram 
impostas com mensagens repressivas: os ps so sujos e no  agradvel toc-
los. A realidade  bem outra: eles podem proporcionar prazer. O que pode haver 
de mal nisso?

"Finalmente, ele se anima e diz que os ps dela o excitam muito".

Rubens vai tomar o caf-da-manh num bar prximo do trabalho. 
Enquanto toma um expresso com dois croissants, ele olha para o balco, onde 
est sentada uma garota morena. Ela brinca com suas sandlias, tirando-as e 
pondo-as novamente, uma e outra vez, como se fosse um tique nervoso. Rubens 
repara nisso e crava o olhar nos ps da desconhecida. Est to abstrado que 
no percebe que ela girou a cabea e nota como ele olha. Quando se v pego 
em flagrante, Rubens tenta desviar o olhar, mas a garota sorri e pergunta se ele 
gostou de como ela pintou as unhas dos ps. Balbuciante, ele diz que sim, que 
gostou da cor do esmalte e que o p dela  muito bonito. Ela desce do banco, 
vai at a mesa dele e se senta para continuar essa conversa um tanto incomum. 
Ester se sente atrada por ele e segue falando sobre assuntos triviais, at que a 
curiosidade torna-se mais forte e ela volta ao assunto que desencadeara aquele 
encontro casual: seus ps. Isso sobretudo porque Rubens no parou de olh-los, 
assim como a suas pernas, toda vez que teve uma chance. Mas ele tambm 
continua falando de outras coisas. Depois de alguns minutos, agora sem pudor, 
ela diz que no entende por que ele no olha seu decote e suas pernas, e s se 
sente atrado por seus ps. Finalmente, ele se anima e diz que os ps dela o 
excitam muito. Ester rompe em gargalhadas, mas continua pelo caminho trrido 
da conversa. Rubens pergunta se algum j lambeu os ps e chupou os dedos 
dela durante uma relao sexual. Ela responde que no, mas que seria bom 
provar. Ele se candidata abertamente e ela o convida para ir  sua casa ao 
anoitecer.
Aps uma jornada de trabalho pensando em Ester, principalmente nos 
ps dela, s sete da noite ele toca a campainha do apartamento. Ester o recebe 
com uma combinao de seda entreaberta, sandlias de tiras finas com pulseira 
e salto alto. No trocam muitas palavras. Beijam-se no meio da sala com uma 
paixo acumulada durante horas. Tiram bruscamente a roupa enquanto se 
lambem simultaneamente, at que Rubens se estira na almofada e pede para que 
Ester se sente no sof e estique um p na cara dele. Ele comea a beijar e a 
lamber a planta dos ps com muita delicadeza; depois, lambe o espao entre os 
dedos, devorando-os com paixo. Ela  tomada por uma corrente eltrica que 
vai dos ps aos genitais. No consegue conter o desejo e, enquanto ele chupa 
um por um os dedos dos seus ps, ela comea a se masturbar com massagens 
lentas sobre o clitris, acompanhando o ritmo da lngua do seu amante. Ela 
goza como jamais gozou. Tem dois centros de prazer simultneos. Quando ele 
pede para ela abrir as pernas,  para que acaricie o pnis com o outro p. Ela 
sente a ereo na planta do p e o faz rodar lentamente. Pela primeira vez seus 
ps acompanham suas mos num xtase mltiplo, que anuncia a chegada do 
orgasmo como a erupo de um vulco.
 

Sexo anal



C
ontra natura.  assim que, ainda no sculo XXI, a Igreja Catlica e importantes 
setores conservadores da opinio pblica classificam o sexo anal. A qualificao 
de antinatural  aplicvel, segundo essas correntes ideolgicas, a todo ato sexual 
que no seja para a reproduo, nico fim considerado natural. Dentro dessa 
negao explcita do prazer, o nus  provavelmente a zona do corpo que mais 
se tem como tabu.
A influncia da linguagem, das idias e do imaginrio catlico na vida 
civil fez com que o sexo anal fosse taxado como sodomia, em referncia a 
Sodoma, a mtica cidade apontada no livro do Gnesis da Bblia. Essa cidade, 
que encarnava as piores perverses, foi castigada por Jeov com a destruio.  
uma lenda que mescla fico e exagero premeditado; atualmente, no entanto, 
essas mesmas idias perduram na sociedade de alguns pases no apenas 
catlicos mas tambm e, principalmente, islmicos, e fundamentam leis 
proibitivas do sexo anal: praticantes so perseguidos em suas vidas privadas e os 
cidados acabam por ter tolhida sua liberdade individual mais ntima.
No se trata de reivindicar o sexo anal, mas simplesmente de o deixar 
livre, pela seguinte razo: se o que se busca  prazer, o nus  uma fonte 
riqussima e absolutamente natural de satisfao sexual, tanto para a penetrao 
como para brincadeiras que complementem outros atos prazerosos.

Contra os medos, delicadeza e informao

"Embora seja uma prtica das mais prazerosas, a desinformao 
levanta uma barreira inibitria".

No s a forte influncia cultural colaborou para que as prticas de sexo 
anal se mantivessem por trs de uma cortina de silncio. Muitas pessoas, tanto 
nas relaes heterossexuais como homossexuais, temem e resistem por conta 
dos possveis problemas higinicos ou da suposta dor na penetrao por essa via. 
Embora seja uma prtica das mais prazerosas, a desinformao levanta uma 
barreira inibitria: na dvida, melhor no faz-lo. Contudo, incluir o nus nos 
jogos sexuais como qualquer outra zona do corpo, e explor-lo para conhecer 
suas possibilidades de gozo, pode favorecer a eliminao desses preconceitos.

"As pessoas que tm hemorridas, fissuras no reto ou qualquer outra 
patologia anal devem evitar a penetrao at resolver o problema. Outro 
aspecto que se deve levar em conta  o uso de preservativo em todos os casos 
em que haja penetrao, para prevenir a possvel transmisso de doenas e 
tambm como proteo higinica".

Nos msculos que rodeiam o orifcio anal concentram-se mais 
terminaes nervosas que em qualquer outra parte do corpo, de modo que as 
possibilidades de o nus converter-se em emissor de prazer so bem amplas.  
importante, ento, aprender a brincar com o nus, incorpor-lo aos jogos 
erticos atravs de carcias com a ponta dos dedos: umedec-los com a lngua e 
penetr-los apenas com meia falange, sem pressa nem temor, para experimentar 
as sensaes... at que o desejo pea mais.
Trata-se tambm de obter informaes adequadas que suplantem os 
medos e as tenses  saber, por exemplo, que a higiene no  um problema, 
porque se pode limpar o nus como qualquer outra parte do corpo incorporada 
nos jogos erticos, como os ps. Tambm  preciso compreender que  
necessrio ir com cuidado e bem devagar, porque a abordagem brusca provoca 
rechao e no prazer.
Para gozar o sexo anal com naturalidade, tambm  vital que se supere o 
escrpulo de negao do nus por fazer parte do aparelho excretor. No obstante 
as duas barreiras ntimas ligadas  psicologia do homem e da mulher esto em 
outro caminho. Os homens heterossexuais acham que o nus s serve para fins 
homossexuais. Quando brincam com seu nus, tocando-o, acariciando-o, 
penetrando-o com os dedos, e acabam por gozar,  porque so potencialmente 
homossexuais ou esto a caminho de "transformar-se". No entendem que o 
prazer desconhece a orientao sexual e se produz simplesmente como 
conseqncia de uma estimulao das terminaes nervosas. Por outro lado, 
muitas mulheres rechaam as carcias anais, sobretudo a penetrao, porque so 
feitas de forma apressada, rude e sem lubrificao. Tais prticas malfeitas 
causam uma dor intensa, em vez de prazer.
Sabendo-se que os dois esfncteres que formam as vlvulas de abertura e 
fechamento do nus so msculos que se contraem e dilatam como qualquer 
outro do corpo,  simples entender suas mltiplas possibilidades: estirando-os 
pouco a pouco com os dedos, como quem amassa e modela, pode-se conseguir 
uma abertura ampla. Sabendo-se tambm que o nus no se autolubrifica como a 
vagina, fica fcil entender a necessidade de lubrific-lo com diferentes tipos de 
creme, para que os dedos, o falo ou o acessrio que se queira introduzir possa 
deslizar sem atritos bruscos ou frices irritantes e dolorosas.

O quarto 307  o terreno neutro escolhido. J faz alguns meses que se 
conhecem via chat; eles se viram em fotos, e as webcams permitiram que 
trocassem algumas imagens mais audaciosas. Por fim, eles resolveram se 
encontrar, sem medo de perder a magia, para verificar se o cibersexo dizia a 
verdade e se eles so feitos um para o outro. Renata chega primeiro ao hotel e 
prepara o ambiente como se fosse seu quarto; abaixa a luz, fecha as cortinas 
para deixar o lugar em penumbras e pe uma msica suave. Depois, tira a 
roupa e veste um penhoar de seda branca que deixa aberto, sem dar ns. 
Ricardo chega em seguida e a encontra encostada na cama com o penhoar 
entreaberto e um seio que escapa da proteo do tecido. Enquanto esperava, a 
imaginao presenteou-a com uma excitao considervel. Ela no quer muitos 
prembulos. Com seu melhor sorriso entre suspiros, ela diz para ele tirar logo a 
roupa e encostar-se ao lado dela. Ricardo no se faz esperar. Na cama, ela fica 
completamente nua e toma o controle. Pede para que ele se ponha de barriga 
para baixo, pois ela vai realizar aquela fantasia que ele havia lhe contado. 
Ricardo desfruta a situao e obedece sem delongas. Renata beija e lambe a 
orelha dele e depois o pescoo, com infinita pacincia e lentido. Logo a ponta 
de sua lngua desenha o caminho descendente da coluna vertebral, sem pressa. 
Ela se detm quando chega ao seu objetivo: aquela bunda to firme e branca. 
Acaricia, aperta e percorre, dando voluptuosas lambidas. Ele est passivo, mas 
sua respirao tem um ritmo cada vez mais acelerado. Embora no seja vista, 
sua ereo crescente se aprisiona entre os lenis. Renata abre as ndegas dele 
e molha o nus com a ponta da lngua. Ele treme com um calafrio fugaz. Ela 
saliva o orifcio e, com um dedo molhado, faz crculos na entrada. De repente, 
mete e empurra uma falange e a ponta da lngua ao mesmo tempo. Os gemidos 
de Ricardo substituem a msica e se transformam no som de fundo da cena. Ela 
pega o vibrador, que j est debaixo da almofada, chupa-o bastante para 
lubrific-lo e pressiona para comear a introduzi-lo no nus. Ele se deleita, 
pe-se de quatro e oferece a bunda. Ela aproveita a ocasio e, ao mesmo tempo 
em que faz presso para penetr-lo mais profundamente, desliza a outra mo 
entre as pernas para masturb-lo no mesmo ritmo da penetrao.

 

A chave: limpo por fora e limpo por dentro

"A carga ertica do sexo anal depende da naturalidade com que se 
tomem suas singularidades. Durante a penetrao pelo nus ou mesmo 
depois, muitas vezes se produzem rudos caractersticos ou o pnis se 
apresenta um pouco manchado. So situaes habituais que devem ser 
aceitas sem pudor e que so amplamente compensadas pelo gozo ilimitado 
que se recebe. O fisting anal consiste em introduzir o punho e parte do brao 
no nus do amante. Requer uma preparao especial: um clister para 
esvaziar os intestinos; no ter anis nos dedos nem unhas compridas; 
recomenda-se tambm o uso de luvas de ltex.  necessrio lubrificar o 
punho com leo vegetal e o nus com lubrificante em abundncia, alm de 
fazer massagens prolongadas para dilatar o nus. O fisting pode provocar 
leses srias quando realizado de maneira inadequada, e por isso no  tido 
como uma prtica sexual segura".

Se em matria sexual  permitido desvendar as possibilidades oferecidas 
por distintas partes do corpo, como as axilas, o peito ou os dedos dos ps, 
questionados em muitos casos por razes de higiene, por que deixar o nus, a 
rea mais ergena, a que promete momentos de grande satisfao, fora do jogo? 
A resposta  simples:  preciso cuidar de sua higiene como de qualquer outra 
parte do corpo, ainda mais quando os amantes no sentem uma especial atrao 
pelos odores fortes.
A higiene tem uma funo destacada no desfrute do nus, porque pode 
desimpedir o caminho das inseguranas e vacilaes que impedem a entrega 
decidida e livre a essa prtica.
Se a previso  de um encontro no qual deve haver sexo anal, podem-se 
tomar medidas higinicas para que a relao seja mais cmoda. Aps defecar e 
esvaziar os intestinos, recomenda-se lavar a zona anal com cuidado. A parte 
externa, basta lavar no bid, mas para que no se conservem restos de matria 
fecal no reto, o que se recomenda  utilizar a mangueira da ducha diretamente na 
rea, ou um clister de gua morna. Essa gua no deve conter nem gel nem 
outras substncias; trata-se apenas de enxaguar a parte interna. A higiene 
cuidadosa d mais segurana na hora da prtica anal e, sobretudo, maior 
confiana para desfrutar sem problemas.
Mesmo assim, para quem brinca com os dedos no nus, seja os prprios 
ou os do amante,  conveniente que se mantenha as mos e os dedos limpos e 
que se cortem e lixem as unhas, para que a pele do reto no seja arranhada ou 
ferida.  a melhor receita para evitar infeces.

A delicada questo da penetrao

Sem pausas, mas com calma, as carcias preliminares destinadas  
excitao da zona anal devem ter sempre como objetivo relaxar e dilatar os 
esfncteres externo e interno. So msculos potentes, de forma circular e de 
grande elasticidade, cujas possibilidades de estirar-se e abrir o orifcio so 
notveis.

"Na mulher, o medo da dor aparece como a barreira inicial que  
necessrio ultrapassar".

Quando algum vai ser penetrado pelo pnis ou pelo vibrador,  normal 
que ocorra uma reao instintiva que faz os esfncteres anais se fecharem. 
Assim, para obter uma abertura do nus de modo a poder penetr-lo,  preciso 
fazer o movimento contrrio: relaxar os msculos e mov-los como se os 
preparasse para a defecao. O reflexo inicial gerado por esses movimentos 
pode transmitir uma sensao de insegurana, mas quando os intestinos so 
previamente esvaziados e limpou-se o reto, no ocorre nada de imprevisto ou 
desagradvel.
Quando os esfncteres se abrem, a penetrao se produz com naturalidade, 
mas  prefervel fazer isso passo a passo. Primeiro, convm introduzir a ponta de 
um dedo com saliva e fazer movimentos circulares. Depois, salivar o nus com a 
lngua e dar beijos prolongados: alm de facilitar o relaxamento dos msculos, 
isso eleva a excitao. Seguramente, quanto mais carcias se fazem no nus e a 
libido do receptor aumente, mais ele ir se descontraindo.
O nus masculino apresenta a particularidade de que  possvel estimular 
a prstata com uma penetrao leve, e isso proporciona uma sensao de prazer 
to intensa que, alm de facilitar a penetrao, eleva o desejo a tal ponto que 
muitos homens ejaculam nesse momento.
Na mulher, o medo da dor aparece como a barreira inicial que  
necessrio ultrapassar. Para que a excitao suplante tais temores,  
recomendvel que as carcias no nus sejam acompanhadas simultaneamente de 
uma suave masturbao. A sensao crescente de orgasmo que se apodera da 
mulher favorece a descontrao tanto da vagina quanto do nus, de modo que a 
penetrao se faz sem dificuldade; a transmisso do gozo do orgasmo ao reto 
ajuda evitar a dor.

O sol caribenho desperta a excitao. Estirada na espreguiadeira  
beira da piscina, Glria espia dissimuladamente por cima dos culos escuros a 
bunda arrebitada e firme de um mulato que passeia com seu corpo de bano 
brilhante. Encostado ao lado de sua amante, Raul sorri e observa a maneira 
hipnotizada com que ela acompanha aquele eu magnfico; faz uma piada para 
quebrar o clima. Ela se sente flagrada e responde que a bunda daquele homem 
imponente lhe desperta uma tima fantasia. O efeito disso  to forte que Raul 
tambm segue no mesmo tom; ele concorda que aqueles msculos redondos e 
morenos que recheiam a sunga so bastante atraentes. Uma suave brisa sopra 
no terceiro pavimento do cruzeiro que os leva a Saint Thomas, e vrias turistas 
se pem a danar com sensualidade. Mas nem por isso eles se distraem. Aquela 
viso do mulato apodera-se do crebro de ambos. Uma imagem que muda suas 
vidas, pelo menos durante esse dia. Da posio privilegiada em que se 
encontram, Glria e Raul passam a fazer comentrios e a qualificar as dezenas 
de bundas com formas e tamanhos distintos que surgem na cena como frutas 
apetecveis. O clima vai se tornando trrido. Durante a refeio, o dilogo  de 
um tema s, e desavergonhado: de que eu voc gosta, que parte lhe parece mais 
sensvel, quantas experincias voc teve e de que tipo... No esperam pela 
sobremesa. Esto famintos... mas de sexo, e no de qualquer sexo. Eles se 
encaminham para o camarote, um com a mo na bunda do outro. Ao chegar, 
tiram rapidamente as roupas e seus corpos incendiados pelo sol e pelo desejo se 
unem em abraos e carcias urgentes at cair na cama. Suas mos ansiosas se 
cruzam para tocar as pernas, os peitos, as ndegas... De repente, em meio ao 
frenesi, ela se vira de lado, apoiada no ombro, de costas para ele.  um convite 
silencioso. Ela encolhe um pouco as pernas e levanta a bunda. Ele se agarra 
nela e a faz sentir sua ereo em brasa no rego da bunda. Abre as ndegas com 
as mos e, depois de salivar o dedo, comea uma massagem circular, preldio 
daquilo que ela deseja. Glria fecha os olhos, apia a cabea na almofada e se 
deixa levar. Ele mete o dedo at o fundo para averiguar a dilatao e, segundos 
depois, comprime a virilha naquele orifcio estreito que dar aos dois um 
imenso prazer. Ao sentir o pnis na porta do seu nus, ela geme, crispa a mo 
no colcho e lambe os lbios de prazer. Agora vem o melhor...









 













 

Alicia Gallotti  a autora de livros sobre sexualidade mais lida na Amrica Latina. 
Articulista da Playboy durante mais de dez anos,  argentina, mas mora na Espanha desde 
1979. Jornalista, ela se especializou em temas vinculados a relacionamentos de casais, tendo 
escrito verses mais modernas do clssico e mais famoso livro de sexo do mundo, o Kama 
Sutra. Alicia assina onze ttulos, dos quais a Planeta editou no Brasil Novo Kama Sutra 
ilustrado, Kama Sutra para homens, Kama Sutra para mulheres, Kama Sutra gay, Kama 
Sutra para lsbicas, Kama Sutra do sexo oral, Prazer sem limites, Kama Sutra e outras 
tcnicas orientais e Guia sexual para adolescentes. Alm do Brasil, outros dez pases da 
Amrica Latina e Europa publicam suas obras.
 

Esta obra foi digitalizada pelo grupo Digital Source para proporcionar, de maneira 
totalmente gratuita, o benefcio de sua leitura queles que no podem compr-la ou queles 
que necessitam de meios eletrnicos para ler. Dessa forma, a venda deste e-book ou at 
mesmo a sua troca por qualquer contraprestao  totalmente condenvel em qualquer 
circunstncia. A generosidade e a humildade  a marca da distribuio, portanto distribua este 
livro livremente.
Aps sua leitura considere seriamente a possibilidade de adquirir o original, pois assim 
voc estar incentivando o autor e a publicao de novas obras.
 
http://groups.google.com.br/group/digitalsource
http://groups.google.com/group/Viciados_em_Livros
